terça-feira, 1 de janeiro de 2008

.Parada Gay.

Há algumas semanas aconteceu, na praça da biblioteca (São Leopoldo), a “Parada Livre” ou “Parada Gay” como a maioria chama. Foi um evento grande, mas a situação me chamou a atenção deveras. Afinal pelo que os homo, bi, e afins lutam? O que eles defendem? O que reivindicam?
Sempre pensei que fosse respeito, direitos iguais, integração sincera na sociedade etc. Mas aquele movimento me fez pensar. Os homossexuais sempre levantam a voz para lembrar que são pessoas como outras quaisquer que têm suas rotinas e que, principalmente, homossexual não é sinônimo de promiscuidade. Isso não é uma questão de moralidade, afinal não acredito muito nisso, mas há uma certa contradição no discurso.
O fato é que a festa estava com um clima estranho, estavam presentes muitas crianças, casais homossexuais, heterossexuais, famílias, etc. Aconteceram shows bastante atrevidos de transformistas (não sei se esse é o nome), com roupas e lingeries minúsculas e movimentos sexuais, sem contar os manos fortões de cuecão de couro que estavam presentes dançando rebolativamente em volta dos que se apresentavam.
Eu gostaria de deixar bem claro que meu questionamento não é de ordem moralista, não estou criticando as atitudes em si, mas acho que as ações estão indo contra o discurso homossexual de igualdade. Afinal, se uma mulher com aquelas roupas, rodeada daqueles caras, fazendo aqueles movimentos estivesse lá, a coisa seria muito diferente, talvez caracterizasse até mesmo um escândalo. Eu acredito que esse tipo de banalização das reivindicações homossexuais acabe prejudicando a causa realmente séria pela qual eles lutam. Continua-se alimentando (também pelos próprios gays inclusive!) uma imagem extrema que é vinculada a qualquer gay, lésbica ou bissexual, que não corresponde à realidade absoluta e que acaba prejudicando quem luta contra esse estereótipo estigmatizado do homossexual.
Não esqueçamos dos casais homossexuais que lutam pelo direito de adotar um filho, de casar-se, de viver uma vida “normal”, sem qualquer loucura pervertida. A promiscuidade também é um direito (!), claro, mas conceitualmente a farinha acaba ficando no mesmo saco, e na sociedade moralista na qual vivemos isso prejudica os primeiros.
Afinal qual é o foco? A igualdade e respeito ou a naturalização e banalização da promiscuidade? Qualquer que seja não deixa de ser legitimo, mas se faz necessário rever a atuação para que entre em sintonia com a causa e se necessário rever até mesmo a própria causa não é?
(15.11.2007)

[Por mim mesma, K.]

2 comentários:

viktor v. disse...

Polêmico...
Mas sabes que compartilho a mesma opinião né..

edevaldo disse...

penso q a maior necessidade nao eh rever a atuação ou a causa,acredito q primeiro o individuo deveria pensar c sua intenção eh sair pra um protesto ou pra ver os "corpinhos" e expor os mesmos,no caso da segunda acho q uma praça publica num domingo a tarde naum eh o local apropriado , mas claro, como hj o preconceito eh levado muito a serio, a menor critica eh interpretada como a maior das calunias, mas d qualquer forma
acredito q esse exesso d euforia pras coisas eh um problema do brasileiro em geral, pois naum eh soh nesse tipo d movimento q as pessoas entram motivadas pela baderna.