sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ser Poeta - Florbela Espanca

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Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!


É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!


É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!


E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

sem criatividade para títulos...


Dizem que o melhor da festa é esperar por ela.
Este momento, talvez seja um dos únicos que ritualizo na minha vida.
Nada decidido, de comum acordo entre meu coração e minha consciência.
- Estranha essa separação né? Coração x Consciência. Ou ainda, Emoção x Razão.
Quão tolo o ser humano é acreditando nessa tolice.
Mas, não fosse essa tolice, talvez não houvesse arte, de qualquer tipo, no sentido emocional, passional da coisa. Se o ser humano se acreditasse puramente um mecanismo complexo, seria o fim da arte.-
Enfim, continuando...
Ritualizo a espera, sim. Sou vítima involuntária da ansiedade.
O ansioso vislumbra a festa em seus detalhes, cria mundos paralelos, diferenciados por pequenas borboletas pisadas e pisoteadas...
É impossível que as expectativas imaginadas não inundem a realidade no decorrer dos fatos... tanto para mais, quanto para menos...
Mas se pudesse escolher... ainda assim, permaneceria ansiosa...
Melhor! Quereria um conta-gotas de ansiedade para temperar meus batimentos cardíacos... minha fome de vida...
Mas não gostaria, a troco de nada nessa vida, de descolorir meus sonhos acordados...

[Por mim mesma, K.]

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Esperança... simples assim...


Assim como andança está para andar,
esperança está para esperar.
Mas entre aquele que espera e o esperançoso existem diferenças fundamentais,
são eles personagens distintos...
Ao contrário daquele que espera, o esperançoso aguarda por algo que está além da lógica cadente dos acontecimentos da vida. Ele espera no mistério, pelo próprio mistério.
O esperar que mora na esperança, é uma prática muito diversa de esperar...
é um esperar alegre, mudo e tenso...
com sorrisos e suspiros vindos do mundo dos sonhos...
vindos da nossa alma, alimentados e coloridos pelas esperanças que nos devoram...


[Por mim mesma, K.]







ps.:

Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e que se repete todos os dias, não é senão uma coisa muda. Somente o acaso tem voz. Tentamos interpretar o acaso como as ciganas lêem no fundo de uma xícara o desenho deixado pela borra de café. O acaso tem suas mágicas, a necessidade não. Pra que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se juntem desde o primeiro instante, como os passarinhos sobre os ombros de São Francisco. [KUNDERA, 1983]

quarta-feira, 24 de março de 2010

- René Magritte -

René François Ghislain Magritte 
(Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967)


ando meio assim...


O que você pensa sobre os downloads "ilegais" e a indústria fonográfica nos dias de hoje?

Olha, eu penso que é uma questão a ser enfrentada. Ainda existe uma certa confusão em torno do assunto, porque querem, a todo custo, nos empurrar a associação direta entre "downloads" e "pirataria". Por mais que, pensando mais detidamente, nós saibamos que não é a mesma coisa, tendemos a manifestar o mesmo sentimento em torno da idéia, porque é exatamente isso que a grande indústria quer.
A grosso modo, eu costumo comparar com o sistema de e-mail. Seria uma estupidez humana, se depois de todo conhecimento e desenvolvimento empregado no sistema de e-mail, os "grandões" do correio dissessem "Não! Mandar cartas por e-mail é ilegal, vocês têm que usar o sistema físico de correspondência". Deixando de lado as questões de direitos autorais, por hora, é exatamente a mesma coisa.
Eles querem colocar a pasta de dente de volta no tubo. É impossível! Sem contar que é simplesmente ridículo querer privar a humanidade desse recurso fantástico que é o download. Sem nenhum exagero, hoje todos podem ter acesso a tudo! Estamos amarrados por problemas sociais? Sim. Mas a premissa básica é a possibilidade de acesso à qualquer coisa. Seriados, músicas, filmes. Isso é fantástico!!!!
Outra coisa importante é a questão da indústria fonográfica. A indústria em si está falindo, e tem que falir mesmo. Não estamos pregando sustentabilidade? Proteção ao meio ambiente? Então, se a gente tem a possibilidade da mesma produção cultural, porém, sem toda a matéria prima utilizada e o lixo produzido, então meu deus! Que coisa maravilhosa!
É claro que que é uma grande mudança, como tantas outras que a sociedade tem que enfrentar, como tantos paradigmas que foram e que ainda estão por serem superados. É um processo de transição.
Quanto a questão "artística", todo mundo sabe que artista ganha dinheiro com N outras coisas, contratos, shows, etc. E se caso perderem alguma coisa da venda de discos, azar. Agora a humanidade inteira tem que se privar do acesso fácil a cultura, pra que os artistas continuem ganhando o mesmo dinheiro. Eles terão que se adaptar, ora pois!
O mundo muda, e tem que mudar mesmo!
Continuar dizendo que a terra é plana só pra vender os mapas já feitos, não dá né!!!!

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quinta-feira, 18 de março de 2010

Um conto sobre diferenças de gênero...

Era o terceiro encontro de Lídia e Vasco. Ambos já sabiam de todas as devidas informações um do outro, ou, pelo menos, daquelas que ambos preferiam mostrar um para o outro. Embora tivessem conversado sobre muitas coisas a tal altura, a atmosfera entre os dois ainda sustentava um desconforto incômodo, daqueles inerentes a falta de cumplicidade natural e imediata. Fato era que muito pouco haviam se tocado, uns beijos molhados daqui, uns agarrões dali. Mas ainda não tinham se entregado a volúpia sexual. Sentados numa mesa de bar, os dois sabiam que naquela noite poderia acontecer o ato carnal e pecaminoso. Afinal de contas, era o terceiro encontro, e assim, como decidido por uma assembléia pública, sabiam que já era-lhes permitido.
Lídia se entregava com mudo desespero ao vinho, seu fiel inibidor da inibição. Na medida em que os dois ficavam embriagados a conversa fluía em sorrisos e histórias de vida. “Um inevitável ritual de acasalamento”, pensava Lídia...
Vasco de sua parte não dava tamanha importância ao ato sexual, mas sabia que existiam certas prerrogativas, certa “burocracia”. Com isso se sentia feliz por finalmente chegar ao ápice da cena.
Nesse ponto da história é preciso revelar certa peculiaridade de Lídia. A moça tinha certa dificuldade (leia-se impossibilidade) de atingir o clímax sexual sob qualquer efeito de álcool. Dito isto, podemos inferir que Lídia já vislumbrava grandes pedacinhos da sua noite.
Depois de longa noite de fingimentos e atuações, a manhã chegou, e o álcool fora embora. O mesmo clima de desconforto pairava entre ambos, e um abismo os separava. Vasco, entretanto, estampava no rosto um ar de dever cumprido, melhor, de quem suplantara todas as expectativas. Sustentava um orgulhoso ar de garanhão.
Lídia, muito embora tentasse disfarçar com vários sorrisos pálidos e comentários aleatórios, tinha encostada sobre sua alma a sombra da decepção. A origem de qualquer dos seus sentimentos não estava em ter dormido com um total estranho, e agora percebia, que por cem encontros que tivesse com Vasco ele nunca passaria disso, um total e completo estranho. Sentia-se violada, mostrara seu corpo nu em pelo a um total estranho, todas as suas curvas foram reveladas. O mundo físico claramente não estava nem de longe em acordo com o mental. Lídia sentia-se como quem tivesse se vendido barato, afinal, nem um mísero orgasmo tivera, o que, se tivesse ocorrido, com certeza mudaria seu sentimento em relação a tudo aquilo. Tudo que sabia era que nunca mais queria sentir aquele sentimento novamente, um cruel sentimento de vazio interno.
Na despedida matinal, Lídia virou-se para Vasco, no carro, e apenas proferiu laconicamente essas palavras: “Adeus, não me ligue mais”.


fim.


[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 16 de março de 2010

Rembrandt...

Eu tenho gostado muito de ver quadros, conhecer pintores... nenhuma auto imposição intelectual nem nada, apenas um interesse que vem crescendo naturalmente. Ah! Como gosto desses interesses que crescem naturalmente dentro de mim...
Um recente que venho conhecendo é o Rembrandt... é um pintor clássico, mas de uma melancolia e pureza únicas...





The Music Party 
1626
Oil on wood
Rijksmuseum, Amsterdam

O que te inspira?

Acho que a grande e única causa de todos os efeitos é a prática de viver... de sentir... imaginar...

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é, pois é... né...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Qual seria o resumo de um livro intitulado "O amor segundo Karina Lopes"?

duas almas absurdamente atormentadas que encontram paz quando unidas pelo desejo e cumplicidade!

e viveram felizes para sempre.

fim.

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Você não acha que a quantidade absurda de eventos sinistro que, atualmente, ocorrem - de terremotos e enchentes à violência brutal e decadência humana - são sinais do Apocalipse?! o.O [/conspiracy]

apocalipse como conceito bíblico não, porque acreditar nisso implicaria dar fé ao tal livro...
acredito que o ser humano está sofrendo muitas das conseqüências de seus atos ao longo da história, em relação ao uso do planeta, mas também acredito que o planeta também tenha seus devidos ciclos geológicos e astronômicos...
além disso, temos o aspecto social da coisa, eu enxergo a sociedade como um organismo vivo e auto-regulador... a violência e a decadência seriam frutos desse processo de auto-regulação... (Já leu "O macaco nu"?)
eu posso entender o termo "apocalipse" num sentido mais metafórico, como um processo de transição e transformação...



"A civilização ocidental nem por um segundo vai oscilar à margem do abismo. E não haverá revelações de tempos remotos, nem meias-verdades e adivinhações apresentadas pelos velhos, nem promessas de respostas que de fato não existem e jamais existiram" (Lestat, The Vampire)

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sexta-feira, 5 de março de 2010

Hey baby... (sentimentalmente sentimental)


Ei!
O que fazes tu da tua vida que não estás cá no meu abraço?
Onde está teu bem amado agora, além de escrevendo essas palavras pálidas?
Psiu! Olha pra cá! Não vês o meu cansaço de tanto gritar?
Já estou rouca...
Mas isso é coisa pouca...
Comparado a tua cegueira crônica...
Vem pelo tato, pela audição, já que não me enxergas, mas vem...
E podes até tropeçar um pouco antes, que eu impeço a tua queda...
E te prometo, só te deixo cair no meu amor...


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  .
    .
      .


[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

formspring.me

Qual é a essência do Homem: a guerra? o amor? a esperança? a curiosidade? a fé? o sexo? tudo? nada?

Eu não acredito muito em concepções arbitrárias, então penso que o homem em si, e em vários momentos distintos, é constituído de vários aspectos. Sua essência talvez seja justamente a diversidade que possui... eu vejo no ser humano a guerra, o amor, a esperança, a curiosidade, a fé, o sexo...
Então acho que a resposta é TUDO.

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Descansar - Canto dos Malditos na Terra do Nunca


Eu quero descansar no teu peito
O cansaço dessa vida
E o peso de ter que ser alguém
Eu já não sei o que faço meu bem
Nem o que farei...

Mas se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Eu posso ser um qualquer inimigo
Mas só quero que saiba meu bem...
Esteja sempre comigo...

Eu quero encontrar a minha paz
Que eu já não sei dos perigos
que essa vida me traz...
Só sei que a gente inventa amor,
e dor e tudo que nos satisfaz...

E se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Me nego à todo e qualquer castigo...
Mas só quero que saiba meu bem...
Te levo sempre comigo...
.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

...

Navegando no google, achei essa imagem. Não sei o que significa. Apenas achei muito bonita.





Ansiedade que não me deixa...

Eu até gosto de pensar coisas, sobre coisas, e tirar conclusões, construir achismos abundantes...

mas o foda é a química do meu organismo que eu não controlo...

uma batalha eterna entre meus  infinitos "eus" e minha química profana...



[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

formspring.me

Mais no sentido cultural, creio. Por ex.: ouvir Bach, eruditamente, mas curtir muito Pitty. Coisas assim, sabe? Falando nisso, ouve fado, ainda?

Então... eu não considero nada fora de um padrão simplesmente porque eu realmente não tenho um padrão, mesmo. Sofri algum tempo por isso, queria fazer parte de alguma espécie de fraternidade secreta de qualquer coisa que me desse identidade, hehe. Mas assim, eu ouço Bach, não é meu preferido, gosto mais de Beethoven e Dvorak, e ouço Ill Niño, sem o menor problema. Assim como gosto de MadreDeus...
Assim é muito difícil pra mim falar em padrão. Vitor Ramil x Disturbed. Yann Tiersen x Lacuna Coil. Assim com literatura, leio o Manual do Inquisidor e leio Caio Fernando Abreu. Fritjof Capra a Machado de Assis... Com cinema é a mesma coisa...
Eu tenho horror a engavetamentos, como costumo chamar. As pessoas tem esse hábito, quase reflexivo, de colocar cada coisa dentro de uma gaveta, isso pertence a isso, isso a isso e assim por diante. Pra mim as coisas são dividas em coisas que eu gosto e coisas que eu não gosto. Já foi o tempo em que eu tentava me construir de fora pra dentro...

Quanto ao fado, eu ouço MadreDeus, sou simpática ao fado em geral, mas meu conhecimento é aleatório e parco... mas sem dúvida é uma das músicas mais belas que a humanidade já gerou...

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

I know - Fiona Apple


So be it, I'm your crowbar
If that's what I am so far
Until you get out of this mess
And I will pretend
That I don't know of your sins
Until you are ready to confess
But all the time, all the time
I'll know, I'll know


And you can use my skin
To bury secrets in
And I will settle you down
And at my own suggestion
I will ask no questions
While I do my thing in the background
But all the time, all the time
I'll know, I'll know


Baby, I can't help you out while she's still around
So for the time being, I'm being patient
And amidst this bitterness
If you'll just consider this
Even if it don't make sense all the time, give it time
And when the crowd becomes your burden
And you've early closed your curtains
I'll wait by the backstage door
While you try to find the lines to speak your mind
And pry it open, hoping for an encore
And if it gets too late for me to wait
For you to find you love me, and tell me so
It's ok, don't need to say it




formspring.me

Como você imagina que esteja sua vida em 2020?

Sinceramente não faço idéia, e também não tenho planos ou metas. Mas tenho me aberto para diferentes alternativas, como "universos paralelos". Tenho pensando muito sobre a possibilidade de ser uma solteirona feliz. Nesse universo, eu seria uma pessoa encaminhada profissionalmente, mas que continua estudando, coisas diversas. Então muito provavelmente já estaria cursando uma 2ª faculdade (Letras), teria uma casa simples (talvez a mesmo em que vivo hoje), mas com um extenso bar, uma ampla sala, sem sofá e com muitas almofadas pelo chão, para receber os amigos. Continuaria com minha vida social bem ativa, com muitos amigos e conhecidos, como é hoje. Indo à vários shows, lendo muitas coisas, vendo muitos filmes...
Mas posso muito bem ser uma mulher de família que cuida da casa e dos "filhos", que ama o marido, etc.
Não tenho convicções sobre essas coisas, ou decisões, até porque a vida faz piada delas...

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Você acredita em Deus?

Não. Não acredito que exista um ser consciente que determine os acontecimentos, ou mesmo que tenha criado o universo e a vida como os conhecemos. Também não acho interessante denominar quaisquer outras teorias sobre forças que regem o universo, ou alguma lógica cósmica como "Deus", acho errôneo e de mal gosto.

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Delicatessen - 1991





Entre outras coisas, olhei esse filme durante o feriadão de carnaval...




Em um futuro apocalíptico, homem chega a um estranho prédio, localizado em cima de um açougue, para procurar abrigo e emprego. Após instalar-se no local, se apaixona pela filha do dono do estabelecimento, mas sua presença começa a incomodar a família da moça - que, na verdade, possui outros e estranhos planos para ele. Primeiro sucesso de Jean-Pierre Jeunet, que anos mais tarde conquistaria o mundo com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.


Direção: Marc Caro, Jean-Pierre Jeunet
Roteiro: Gilles Adrien, Marc Caro, Jean-Pierre Jeunet
Origem: França



Em: http://www.cineplayers.com/filme.php?id=3234




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Dá o que pensar...

Se a excitação é um mecanismo que depende de um capricho de nosso Criador, o amor, ao contrário, é aquilo que só pertence a nós, e pelo qual escapamos do Criador. O amor é nossa liberdade. O amor está para além da necessidade, para além do “ES muss sein!” (Tem de ser assim!).
Mas nem isso é a verdade inteira. Mesmo que o amor seja algo diferente do mecanismo de relojoaria da sexualidade imaginado pelo Criador para seu divertimento, ele é, ainda assim, ligado a esse mecanismo, como uma doce mulher nua se balançando no pêndulo de um enorme relógio.
Tomas diz a si mesmo: associar o amor à sexualidade é uma das idéias mais bizarras do Criador.
Pensou ainda: a única maneira de salvar o amor da tolice da sexualidade seria acertar o relógio de maneira diferente em nossa cabeça, para que pudéssemos ficar excitados com a visão de uma andorinha. (KUNDERA, 1983, P. 238)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

.FÉ.

E eu digo que insistir na vida, sem "fé" nenhuma, é o maior ato de FÉ do ser humano...


[Por mim mesma, K.]

domingo, 7 de fevereiro de 2010

formspring.me

Suponhamos que você ganhasse uma máquina do tempo que permitisse a você uma única viagem para qualquer período da sua vida. Você voltaria para algum momento do passado ou iria para algum período específico do seu futuro? Mudaria algo? Justifique s

Mas eu poderia voltar pro presente depois? Se sim, eu gostaria de ir dar uma espiadinha no meu futuro, tipo lá pelos meus 35 ou 40 anos. Quanto ao passado, existem vários momentos ao longo da vida da gente que são muito importantes no sentido de desenhar os nossos caminhos... a escolha da carreira, a mudança de escola, de cidade, um emprego ou outro... Então eu percebo que muitas das minhas escolhas, se tivessem sido diferentes teriam mudado totalmente a minha vida, e eu, sinceramente, não sei se iria querer uma vida totalmente diferente da que tenho hoje. Considerando também o fato de que pequenas mudanças podem gerar grandes consequências, a teoria do caos. Por isso, acho que também poderia dar uma espiadinha no passado, na minha infância mais especificamente, mas não mudaria nada, a princípio...

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formspring.me

Qual é a sua citação de filme favorita?

Olha, eu poderia escrever páginas e páginas de citações, até porque amo cinema, mas aqui vão algumas que me marcaram muito de uma forma ou de outra...

"Os anuncios nos fazem comprar carros e roupas, trabalhar em empregos que odiamos para comprar as porcarias que nao precisamos. Somos uma geração sem peso na história, cara. Sem propósito ou lugar. Nós não temos uma Grande Guerra. Nem uma Grande Depressão. Nossa Grande Guerra é a guerra espiritual... nossa Grande Depressão é nossas vidas. Todos nós fomos criados vendo televisão para acreditar que um dia seríamos milionários, e deuses do cinema, e estrelas do rock. Mas nós não somos. Aos poucos vamos tomando consciência disso. E estamos muito, muito revoltados." (Clube da luta, 1999)

"Escolha uma vida. Escolha um emprego.Escolha uma carreira, uma família. Escolha uma televisão grande, máquina de lavar, carros, CD player, abridor de lata elétrico.Escolha saúde, colesterol baixo, seguro dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa. Ter amigos. Escolha roupas e acessórios. Escolha um terno do melhor tecido. Se masturbar domingo de manhã pensando na vida. Sentar no sofá e ficar vendo televisão. Comer um monte de porcarias. Escolha uma família e se envergonhar dos filhos egoístas, que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha um futuro. Escolha uma vida. Por que eu iria querer isto?" (Trainspotting, 1996)

"Envergonhado, o Diabo parou e sentiu que a bondade era terrível." (The Crow, 1994)


E não podia deixar de citar o Último Discurso do Carlitos....

"- Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
- Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!." (O grande ditador, 1940)

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

formspring.me

Que música você está escutando hoje?

Quase que obsessivamente - She brings me love do Bad Company...
mas também guardei espaço pra Kansas e Asia...

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Você acredita em sincronicidade? Ou acha que tudo no mundo é por acaso?

Eu acredito sim. Ou, melhor, prefiro acreditar. Não gosto da idéia de que as coisas não estão em sintonia. Sem contar que a verdadeira beleza da vida, pra mim, são esses pequenos detalhes que ligam nós e nossas experiências numa teia infinita de possibilidades...
é, parece utopia, eu sei... mas, como disse, prefiro acreditar...

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Bastardos Inglórios, 2009




Acabei de ver esse filme, e achei simplesmente fantástico. Certo que já sou fã do Quentin há algum tempo. Li a sinopse do filme, e não conseguia imaginar o Tarantino fazendo um filme de época, ainda mais dessa época. Mas ele mais uma vez fez um trabalho incrível. Ele simplesmente criou um universo paralelo, onde a história foi bem diferente daquela que aprendemos nos livros escolares. Filme mais que indicado, obrigatório!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Apologize - OneRepublic

Musicalmente musical...

conheci essa banda há pouco tempo...

essa música é linda...



I'm holding on your rope
Got me 10 feet off the ground
I'm hearin' what you say but i just can't make a sound
You tell me that you need me then you go and cut me down
But wait
You tell me that you're sorry
Didn't think i'd turn around and say:(that)


It's too late to apologize
It's too late
I said it's too late to apologize
It's too late


I'd take another chance, take a fall, take a shot for you
I need you like a heart needs a beat,but it's nothing new
Yeah
I loved you with a fire red now it's turning blue
And you say
"Sorry" like the angel
heaven let me think was you
But i'm afraid


It's too late to apologize
It's too late
I said it's too late to apologize
It's too late


It's too late to apologize
It's too late
I said it's too late to apologize
It's too late
It's too late to apologize
It's too late
I said it's too late to apologize
It's too late


I'm holding on your rope
Got me 10 feet off... the ground



link no youtube....

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Munuments & Melodies - Incubus

Mais um bela canção...
grifei algumas frases marcantes...
façam um favor a si mesmos e ouçam-na...


My hands are trembling
And my eyes are on fire
And this house is crumbling
And I've been left out all the while

You make me happy
You magnify my better half
You make me certain
Though all I have today is your photograph

My past is perilous
Each scar I wear sings
Monuments to where I have been
And melodies to where I am going

You make me happy
You magnify my better half
You make me certain
Though all I have today is your photograph

When will I see you again?
Still-life can only go so far
I need you in front of me
To say my name
Say it to me, say it to me
Say it to me, I want you the way you are
The way you are

You make me happy
You magnify my better half
You make me certain
Though all I have today is your photograph

You make me happy
You make me happy
You make me happy



No vaco...

A gente sabe que é difícil... a gente sabe que não é só a noite e diversão...


mas há algo de irresistivelmente sedutor em nossas vidas... mesmo que não sejamos ninguém além de nós mesmos... mesmo que não sejamos ninguém para esse mundo sem eira nem beira...

e as convicções avulsas e rasas já não nos satisfazem mais... uma competição de egos e gracinhas... sorrisos aguados... olhares vazios...

é tudo mais nítido, ou mais perturbado?
tudo que sabemos é que queremos viver, sentir os vários aromas, sentir as diversas colorações da vida, colecionar as cicatrizes invisíveis... esmiuçar a vida em cada gota... em cada sentimento... e perceber que isso é tudo que todos levarão desse lugar estranho...


[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Aos homens, com carinho...

Conversava eu, certa vez, com um rapaz, com pretensões de par. Só que entre nós figurava um enorme pênis, imenso pênis, um pênis surreal. Sempre que ele me falava algo, falava para o pênis, e sempre que eu tentava lhe dizer algo, também falava para o pênis.
Alguns encontros mais e já estava insustentavelmente difícil o diálogo, simplesmente porque eu não o ouvia, nem ele a mim. Mais difícil pra mim, é verdade, afinal o pênis tinha seu dono, que não eu, asseguro. O constante, crescente e insistente obstáculo impossibilitava a vista, e eu fui esquecendo das feições do tal rapaz. Já nem lembrava se era loiro, ou moreno, inteligente, ou burro.
Já era tarde sabemos, o dito rapaz só tinha olhos para o seu pênis, apaixonara-se perdidamente. Triste, mas verídico, e corrente.
Num destes já desacreditados encontros, dei adeus ao pênis, digo, ao rapaz... ou o que quer que fosse que estivesse à minha vista. Dei adeus e me fui embora.
Não sei que aconteceu depois, mas para findar com os olhos roubados de qualquer otimista, digo que o moço e seu pênis viveram felizes e sós para sempre...


[Por mim mesma, K.]

sábado, 9 de janeiro de 2010

Fases...

Claro que isso sempre acontece com todo mundo sempre, mas tem um momento em que se caracteriza quase como um fenômeno em especial. Tem uma época na vida da gente, acho que na de todo mundo, em que bate um saudosismo dos antanhos. Da época em que a gente era mais ingênuo, mais magro, mais vivaz, mais ativo, mais bonito e mais algumas coisas, ou menos outras. Claro que a soma da idade sempre vem acrescentar muito em nossas vidas, mas em alguns momentos a gente sente aquela saudade e se perde nas lembranças...
Momentos em que repetimos em memória muitos passos, em que nos perguntamos como seria se tivéssemos feito tal coisa, ou tal coisa, em vez disto ou daquilo...


enfim...


[Por mim mesma, K.]

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Colheita feliz!

Quer jogar? Joga!

Mas eu não quero saber, PORRA!


[Por mim mesma, K.]

Coragem

 Não é se gabar pros amigos daquele porre homérico...

É passar na roleta do ônibus, às 9 da manhã, bêbado, com aquela cara de poucos amigos e depois enfrentar os vizinhos voltando da missa de domingo...

puta merda...



[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Os degraus - Mario Quintana



Não desças os degraus do sonho

Para não despertar os monstros.

Não subas aos sótãos - onde

Os deuses, por trás das suas máscaras,

Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica.

O mistério está é na tua vida!

E é um sonho louco este nosso mundo...







Ps.: As palavras do Quintana vêm muito a calhar nesse momento...


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

mais algumas reticências...

E tu me perguntas o que há comigo

E eu te respondo que não sei

E justamente o não sei é o que há comigo

Uma evasiva eterna de mim mesmo

Pensando se existe esse tal de “mim mesmo”

O que isso quer dizer afinal?

Mim mesmo... Mim mesmo... ???

Não consigo me comprometer com nenhum dos de mim

Quiçá com outras pessoas ou coisas...

Um dia ainda acho esse tal de “mim mesmo”

e tenho uma conversa séria com ele.



[Por mim mesma, K.]

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

.O caso do sem alma.

E ele falava sempre assim, como se seu coração fosse de pedra. Ou seria porque, de tão mole e fraco, ele não existisse? O certo é que seu peito era diáfano, não porque fosse algum tipo de ser etéreo, mas antes por não significar nada para si mesmo, ou para qualquer um. Seguia pelas ruas cor de cinza com ares de asfixiado, macilento até pelo avesso, e principalmente pelo avesso, denunciando sua morte estranha e pálida, esquálida. E levava um bom tempo no vão esforço de se fazer ver aos outros, que na maioria das vezes invadiam suas veias sem perceber qualquer coisa que fosse. Nem uma brisa, nem um tamborilar baixinho no fundo da cena, nem uma matiz desvanecida, simplesmente nada, complicadamente nada.

Uma lenda dizia que quando de sua extrema ânsia por um bocado de vida e de mundo, quando de sua extrema raiva e fervor por um terreno de céu... bem, a lenda dizia, e ainda diz, que quando do profundo estado se (des)ânimo desse pobre diabo sem alma, a gente ouve um chiado abafado, que mais parece um nada sufocado pela multidão...


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[Por mim mesma, K.]

sábado, 24 de outubro de 2009

Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me. The smiths.

Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope, no harm
Just another false alarm

Last night I felt
Warm arms around me
No hope, no harm
Just another false alarm

So, tell me how long
Before the last one?
And tell me how long
Before the right one?

The story is old - I know
But it goes on
The story is old - I know
But it goes on




ps.: Essa história é velha, eu sei... mas ela continua... mas ela continua...


para escutar...






sábado, 10 de outubro de 2009

Trocando em miúdos. Chico Buarque

Estou postando essa música porque achei realmente muito bonita, apesar de triste, acredito que muitos viveram experiência semelhante e por isso se identifiquem. Todavia ser do Chico, aconselho ouví-la na deliciosa voz de Maria Creuza, uma das melhores intérpretes do Brasil, na minha humilde opinião, a melhor!





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Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter

Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado

Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu

Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde.




quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ninguém é de ninguém

Esses tempos vi uma mulher no trem que lia um livro intitulado “Ninguém é de ninguém”, nem vi o autor, mas fiquei refletindo sobre o que realmente poderia querer dizer essa sentença.

Ninguém é de ninguém, fato. Cada um é livre e essencialmente independente, nem todos sabem disso, é verdade. Mas o que significa isso num relacionamento tradicional entre duas pessoas? Significa que ambas têm seus gostos, suas vidas, seus pensamentos, suas tristezas e alegrias, seus momentos, suas vivências, experiências. Ambas têm tudo aquilo que podem levar consigo pra onde forem, quando forem, com quem forem. Sinto que muitos confundem lé com crê. O mundo tá muito pirado, demais pro meu gosto. Existe um frenesi animalesco de querer vingar todos os anos de “repressão” moral/sexual/intelectual que me assusta.Eu tenho atolado meus pés nessa merda nos últimos tempos, num ceticismo sobre mim mesma. Durante algum tempo tentei fingir ausência de sentimentos, fingir uma indiferença falsa, e hoje ainda carrego isso comigo, mas estou tentando ser mais fiel aos meus sentimentos e idéias. Idéias mudam! E que bom que mudam, do contrário eu ainda andaria com uma camiseta do Sex Pistols pregando o anarquismo. Idéias vêm de algum lugar trazendo muitas bagagens. Que bom! Sim, eu sou influenciada por muitas coisas e pessoas, quem não é? Eu sou um conjunto de um monte de coisas, de um monte de gente. Que ótimo!
Estamos numa curva ascendente de superficialismo, de banalidades, futilidades, achando que isso é progresso, que isso é liberdade. Constantemente presos numa corrente de nada! De nada!



[Por mim mesma, K.]


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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Teologia/1 - Eduardo Galeano

O catecismo me ensinou, na infância, a fazer o bem por interesse e não fazer o mal por medo. Deus me oferecia castigos e recompensas, me ameaçava com o inferno e me prometia o céu; e eu temia e acreditava.
Passaram-se os anos. Eu já não temo nem creio. E, em todo caso – penso – se mereço ser assado cozido no caldeirão do inferno, condenado ao fogo lento e eterno, que assim seja. Assim me salvarei do purgatório, que está cheio de horríveis turistas da classe média; e no final das contas, se fará justiça.
Sinceramente: merecer, mereço. Nunca matei ninguém, é verdade, mas por falta de coragem ou de tempo, e não por falta de querer. Não vou à missa aos domingos, nem nos dias de guarda. Cobicei quase todas as mulheres de meus próximos, exceto as feias, e assim violei, pelo menos em intenção, a propriedade privada que Deus pessoalmente sacramentou nas tábuas de Moisés: Não cobiçarás a mulher de teu próximo nem seu touro, nem seu asno... E como se fosse pouco, com premeditação e deslealdade cometi o ato do amor sem o nobre propósito de reproduzir a mão-de-obra. Sei muito bem que o pecado carnal não é bem visto no céu; mas desconfio que Deus condena o que ignora.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

E se...

E se eu te jurasse minha vida inteira. Em três dimensões, em todas elas, de todos os ângulos, sob todas as perspectivas. Não! Melhor. Se te jurasse pedaços da minha vida, só os melhores pedaços, aqueles com recheio doce, deliciosos pedaços. E aí, topas?
- Eu não.





[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 28 de julho de 2009

Lugar comum...

Era um domingo daqueles em que você acorda subitamente iluminado sobre o “profundo e verdadeiro significado da vida”. Só quer saber das coisas superiores. Se irrita com as ninharias do cotidiano turbulento. Pensa até em deletar o seu Orkut, esquecer o e-mail, afastar a si próprio de todo e qualquer aparelho eletrônico, artificial, símbolo de toda decadência espiritual do ser humano. Degradante. Tá! O mp3 não. Mas nada de Seether, Puddle of mudd ou Black Sabbath louvando ao capeta! Coisas alegres e plásticas demais também não servem para esse dia. Você quer é escutar Maria Creuza, mergulhado para sempre num estado de contemplação, descobrindo todos os sentidos de todas as letras fantásticas e perfeitas do poetinha vagabundo. Você quer saber das palavras grandes, tudo, todas, todos, mundo, universo, sentido. Num frenesi literário quer ler todos os livros, todos os autores, conhecer todos os títulos e falar com propriedade de todos os assuntos. Nesse momento, sua mente arde em chamas, você olha a tudo e a todos com olhos de profeta, cumprindo um roteiro messiânico, você é o escolhido. Fica aliviado, extasiado, excitado, tranquilamente ansioso. Passeia pelas ruas com ares de sabedoria, com vistas poéticas. Percebe tudo de outra maneira, uma maneira perturbadoramente deliciosa. A noite cai, como você ainda não virou imortal, nem rico, vai pra casa. Se aquieta sob suas cobertas, vai lendo o segundo título da maratona literária do dia, pode ser qualquer um, todos querem dizer alguma coisa entre o mágico e transcendente. Vai adormecendo, com aquela leve sensação de mudança de rumo. Feliz, quase pleno... vai adormecendo... DESPERTADOR... som agudo, frenético, frêmitos debaixo do travesseiro... Acorda. Meio tonto se dá conta do que está acontecendo. Merda! Segunda. Mau humor matinal, natural. Atraso. Remelas, pasta de dente, escova de dente, escova de cabelo, roupa, sapato, pressa. Café mau passado, mal tomado. Ônibus, sacolejos, sorrisos afetados, cumprimentos tacitamente impostos. E naquele circunlóquio forçado do trabalho nas manhãs de segunda alguém lhe pergunta “e você, o que fez ontem?”, você silencia por alguns instantes... “nada demais, nada demais não”.
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[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 2 de junho de 2009

Aquele dos vampiros...

Ele falava de algo entre a vida e a morte. Transcendentalidades, porquês e afins, coisas mais, todas balelas e baratas. Acontecia numa dessas rodas de pequenos intelectuais galãs e com estilos todos próprios. Pretensos intelectuais de merda que, boêmios, serviam muito mais pra bêbados do que pra intelectuais, mesmo de merda. O fato é que hoje essas coisas se confundem mesmo. Enfim, reuniam-se eles, em torno de uma mesa, num boteco qualquer, imersos pela fumaça dos seus cigarros ordinários. Todos famintos de atenção, todos anêmicos de importância. Foi então, numa súbita iluminação, que percebeu, durante seu discorrer longo e arrastado, todos aqueles sorrisos egoístas e gestos afetados por demais. Enxergou a si próprio numa fila onde todos esperavam sua vez de falar. Não queriam escutar, talvez nem mesmo quisessem ou esperassem ser escutados. Queriam encenar uma combinação frenética de gestos e palavras sobre transcendentalidades, porquês e afins, coisas mais, todas balelas e baratas. Assim, como quem realmente está ocupado, profundamente envolvido dramaticamente.
Por ocasião de sua súbita e oportuna iluminação, ele simplesmente pegou seu copo, deu fim à sua dose de vodka, apagou seu toco de cigarro ordinário no cinzeiro abarrotado e levantou-se. Suspenso ma confusão de vozes da competição. Virou-se e seguiu embora sem que ninguém desse pelo seu movimento. Amarelos em suas febris expressões de si, continuavam a fingir uns aos outros, e assim todas as noites, indefinidamente.
Em seu quarto abre um livro, daqueles bons, de se devorar em algumas poucas horas. Acende um cigarro, serve uma dose de vodka e se aventura pelas páginas, páginas que querem apenas sua leitura... e terão...
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* Esta pode ser uma obra de ficção, ou não. Qualquer semelhança com fatos, lugares ou pessoas pode ser real, ou não.




[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 7 de maio de 2009

- A casa das palavras - Eduardo Galeano

Na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho...
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Recordar: do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração.

Eu já passei por muitos sentidos da vida. Todos eles me convinham de alguma maneira, mas nunca me satisfizeram por completo. Também já estacionei nos mais clássicos, como aquele em que a gente pensa "o sentido é não buscar sentido algum". Ora! Que tolice confortante, mas passageira. Que bela patranha. Hoje me pergunto se mesmo há algum sentido, ou se é só meu ego super inflado de ser humano me atribuindo a missão de encontrar.
Eu vou indo a algum lugar, sei. Só não sei qual, o lugar. E na complexa equação dos meus momentos sei que qualquer lugar é inevitável. Mesmo agora, estou cá, eu, num lugar, resultante de "outroras". Já tentei encadear meus agoras de antanho em logísticas quaisquer, que obedecesse qualquer sentido provisório que se auto declarasse eterno. Mas cá estou, imersa neste texto que lês agora.
Todos os lugares onde estive, ou estarei, não passarão, porém, de lugares virtuais, construções do meu ser. Pois meu lugar imutável e eterno (ao menos enquanto dure) e por excelência, é não outro que dentro de mim. De onde não posso, e talvez nem queira, sair.
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Em memória de Karina Lopes.
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[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Uma pitada de Manoelito para alegrar um momento meu.

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Escrever nem uma coisa Nem outra -
A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.
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Palavras feias!

.descobri, hoje, que exatamente é uma palavra feia, muito feia. e feia.
outra palavra feia, muito feia, é existe. tanto quanto realmente, ou real.
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end
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[Por mim mesma, K.]

sexta-feira, 3 de abril de 2009

.cotidiano ladrão.

Eu estou fora de mim. Fora do corpo que minha alma habita. Acho que isso é de algum lugar... Não tenho quorum para fazer qualquer assembléia em mim. Não tenho ganas de chorar nem gritar. Só quero estar fora de mim. Vitor Ramil pede: “inventa fora de mim, outro lugar”, acho que eu já inventei.... E cá estou. O que se perde não é nada, exceto pela carga que ainda há de se carregar em se estando fora do corpo. Essa carcaça que o mundo vê. Ainda tenho responsabilidades para com ela. Não estando finjo estar. Fingindo atuo. A atuação da vida me devora. Vou ser atriz e fazer cinema. E eu me consumo num instante, como um cigarro tragado, num ímpeto intenso. Como um copo de cerveja barata, tomado com ânsia, num boteco barato, em uma vida barata. Mas o que seria uma vida cara?! Com muito dispêndio e glamour? Ou com muito amor e promessas? Eu não sei, apenas vivo. Compelida por promessas que eu mesma me faço.
# Ps.: Escrevo porque confio na minha falta de juízo. #



[Por mim mesma, K.]
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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Livro aberto - Vitor Ramil

Essa cama imensa consumindo a noite
Esse livro aberto como alegoria
O abajur perdido em sua luz
Essa água quieta desejando a sede
O controle girando no ar
A TV remota em sua fantasia
Uma alegria que não vai passar
Se você vier

Esse teto frágil sustentando a lua
Esse livro aberto como uma saída
O tapete e seu plano de vôo
O lençol revolto antecipando o gozo
Essa velha casa de coral
Essa concha muda que o meu sonho habita
A paixão invicta que não vai passar
Se você vier

Esse rádio doido de olhos valvulados
Esse livro aberto como uma sangria
Esse poema novo sem papel
O papel que cabe aos meus sapatos rotos
O meu rosto que o espelho não vê
A janela imóvel em seu desatino
Esse meu destino que não vai passar
Se você vier

Esse quarto agindo à minha revelia
Esse livro aberto como uma indecência
O desejo é um naco de pão
A ilusão exposta em tanto desalinho
Uma tecla insiste em bater
No relógio o tempo é uma saudade tensa
E essa cama imensa que não vai passar
Se você vier





Ps.: Simplesmente lindo!


segue link para ouvir a belíssima canção... que escute-se também "Invento"...

http://www.myspace.com/vitorramil



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quarta-feira, 11 de março de 2009

.A morte passou por mim.

Eu não temo a morte,
e nada sei sobre seu significado e posteriores.
Me reservo a jovem,
arrogante e inconsciente esperança,
de que a cura para tal se há de inventar,
antes mesmo de eu lá chegar.

Mas há que se inventar, porém,
e mais importante,
a cura para as tantas e sem fim
necedades humanas.

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[Por mim mesma, K.]

Tolices de um naufrágio...

Às vezes eu penso em perguntar,
Mas pergunta há que não se deva realizar.
Eu me pergunto então por quê?
O porque do viver a si e aos outros a enganar.
Percebo, todavia, que isso não há de mudar.

Me aprofundo numa fresta reluzente,
E me vislumbro, de repente,
em um outro lado que não este.

Me vejo agora junto a fugitivos,
condenados todos por um mesmo crime.
Pronto! Estou cá,
deste ponto já não há como voltar.


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[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 10 de março de 2009

Como o ano, no Brasil, começa em março... lá vai...

Receita de ano novo

Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

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Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

terça-feira, 3 de março de 2009

Por uma memória educativa.


Essa semana eu precisei produzir um texto, para a disciplina Profissão Docente, da Unisinos, sobre memória educativa, no qual contasse fatos e professores que me marcaram durante a minha trajetória escolar. Escrevi, li, reli e gostei. Por isso resolvi postar ele aqui. Espero que seja rico, seja para nostalgia de uns, discordância de outros, ou para a simples inércia perene, rsrs. Aqui vai...


Eu me lembro claramente do meu primeiro dia de aula. Tinha 6 anos de idade e me sentia perdida no meio de toda aquela confusão de pais procurando as salas de seus filhos. Com minha mãe não era diferente, e ela me carregava de um lado para outro naquela turba maluca. Enfim encontramos a sala. Entretanto, eu, que durante todo o verão estive ansiosíssima pelo início das aulas, perguntando todos os dias à minha mãe quanto tempo faltava para o começo, comecei a chorar amedrontada pela idéia de ficar sozinha com toda aquela gente estranha. A professora deixou que minha mãe ficasse à porta um pouco, até que eu me entrosasse nas atividades. Logo, já nem me lembrava mais daquela sensação desagradável de abandono e me entreguei facilmente às atividades. Daquele dia em diante, era uma alegria ir à escola.
É claro que minha vida escolar não foi só alegria, entretanto, acredito que esse sentimento relacionado à escola só começou a mudar nas minhas pré-adolescência e adolescência, quando um turbilhão de coisas se passa conosco. Até então você adora ir para a aula, ver seus “coleguinhas”, brincar no recreio, fazer novos e importantes aprendizados.
O que me lembro, até a 5ª série, é de vínculos mais profundos com as professoras, uma relação de respeito mais forte, como se realmente elas fossem quase que uma referência maternal, e eram. Admiração, observação e dedicação marcaram esse meu período escolar. Eu gostava de estudar, gostava de ir bem nas aulas, e também de ajudar os colegas com dificuldade. Algo que me marcou deveras, era uma espécie de sentimento solidário que eu tinha, porque o ambiente de certa forma era egoísta. Cada um tinha suas coisas, com seus nomes e etc. Comigo não era diferente, mas via muitos coleguinhas que não emprestavam nada dizendo que suas mães haviam os orientado para tal, e eu achava muito estranho isso, e sempre acabava emprestando minhas coisas, porque afinal também achava natural que eu pudesse pedir algo emprestado, um lápis de uma cor diferente, uma régua quando havia esquecido a minha em casa. Esse aspecto, de qualquer forma, me marcou bastante.
Também havia uma sensação de segregação, como durante toda a vida escolar, na verdade. Sempre havia aqueles colegas mais humildes ou simples, muitas vezes com problemas em casa. As professoras muitas vezes se envolviam para tentar ajudar, mas em meio à turma esses colegas eram sempre rechaçados de alguma forma. Não falavam com eles da mesma maneira, não emprestavam coisas, não havia, em suma, um espírito de cooperação. Sinto que essa situação vinha das coisas que os colegas aprendiam em casa e nada tinham a ver com o que a professora ensinava em sala de aula. Eram marcas que as crianças traziam de seus pais. E uma coisa corrente era que esses colegas que sofriam preconceitos sempre paravam de estudar ao longo do ano, e isso, como já disse, se estendeu, durante toda minha vida escolar.
Recordo-me que na 2ª série, a professora, Márcia, nos colocava de castigo em pé, virados para a parede, até o fim da aula, mas não me lembro exatamente dos motivos. Muitas vezes eu fiquei, mas não consigo me lembrar das coisas que teria feito para tal.
Depois da 5º série, as coisas mudaram um bocado. Seja pela efervescência que nos traz a idade, ou seja pela mudança da vida escolar. Além de trocar de escola, a rotina escolar também mudou radicalmente, e a partir daí eu tinha não apenas um professor, mas vários, e matérias novas, estranhas, e só conseguia associar isso tudo ao fator da mudança de idade. Agora somos grandes, podemos usar canetas, podemos usar cadernos grandes, e temos até professores homens. Tinha provas mais “raladas”, riscos mais críticos de repetir de ano.
Com a diversificação das matérias, vieram os professores que nada entendiam delas. Lembro-me bem que matérias como artes, religião, ou até mesmo as mais tradicionais, eram dadas muitas vezes por professores que não haviam estudado para isso. E assim, era uma baita enrolação. Os professores ficavam tão colados aos livros didáticos, que as provas eram perguntas, que já havíamos estudado, e das quais as respostas eram parágrafos prontos, completos dos livros, nada mais. Era um mecanismo de decorar bem simples. E tenho pra mim, que devido a isso pouca coisa me lembro dos conteúdos da escola. Não fosse assim, não haveria necessidade de cursinho pré-vestibular não é mesmo? Ao menos nos casos em que os candidatos recém saíram da escola. Não deveríamos estar aptos em tais conhecimentos? Não é isso que ficamos estudando durante 11 ou 12 anos? Sinto falta de ter entendido as coisas, exercitado a minha interpretação. No caso das guerras históricas, por exemplo, nós não entendíamos o porquê, apenas tínhamos que decorar os países de cada lado, as datas, os nomes, as causas, e tudo ficava vazio e virava nada numa frase decorada.
Quanto à sociabilidade na escola, as coisas também mudaram. Formaram-se as “panelas”, os grupos. E você precisava ter um grupo! Do contrário você era um estranho! Eu comecei a ter dificuldade nesse aspecto. Primeiro porque trocava muito de colégio devido à situação instável dos meus pais, segundo porque simplesmente adolescentes são cruéis. Acabei amadurecendo muito precocemente, e achava tudo aquilo uma chatice. Procurando outras coisas com as quais me preocupar não tinha os mesmos assuntos que as colegas, não sabia falar sobre roupas, namoricos. Minhas roupas eram diferentes e não me importava com o quanto tinham custado, e isso no segundo grau é fundamental, porque não interessa o que você escreve no seu caderno, importa que caderno você tem. Não escutava as mesmas músicas, não ia aos mesmos lugares, não tinha os mesmos pensamentos. Isso eu creio que me atrapalhou um pouco, não porque eu não fosse tolerante com essas diferenças, mas porque os outros não o eram. De qualquer forma não foi o fim do mundo. Mas isso acabou afetando minha relação com a escola, o significado dela na minha vida. É impossível você não a associar com toda essa situação.
No segundo grau tive um professor que me marcou muito, professor Gerson Severo, de história, não por acaso. Até então pensava em fazer jornalismo ou história na faculdade, foi então que me decidi por história. Tinha uma relação ótima com este professor, não só em relação aos conteúdos, mas em geral, e ele curtia rock’n roll!!! Identificava-me muito com ele, foi realmente uma referência para mim. Lembro de um dia em que ele chegou no grupo em que eu estava e disse o seguinte: “Gente, é simples, quanto maior o envolvimento, maior o conhecimento, quanto menor o envolvimento, menor o conhecimento”. Aquilo ficou gravado na minha cabeça desde então.
Posso dizer que sempre fui muito bem na escola, exceto no último ano do segundo grau, no qual tive uma crise por não saber o que esperar da vida. Não tinha condições de pagar uma faculdade depois que terminasse, então, passado tanto tempo no colégio, não conseguia entender a vida sem ele nela. Pensava “e daí”? O que vai ser? Acabei reprovando em Literatura, quase uma piada. Não por ir mal, mas por simplesmente não ir à aula, pois em certo tempo eu estava decidida a realmente reprovar, para continuar na escola. Caindo em mim, acabei passando no provão do verão.
Mesmo tendo um bom histórico escolar, em termos de notas, entendo que isso não quer dizer nada, posto o que já aludi anteriormente, sobre não entendermos realmente sobre o que estamos aprendendo, e por que estamos. Há alguma coisa tremendamente errada na educação, talvez uma questão de cultura. Nossa cultura não valoriza realmente o conhecimento. Valoriza sim, o estudo, o “status” que esse proporciona e o que isso significa em termos econômicos na vida de uma pessoa. Penso até hoje sobre porque eu aprendi “fórmula de báskara”, eu nem mesmo aprendi a aplicá-la numa situação real. Essa é a questão.
Acho que é essa pode ser considerada uma breve narrativa da minha vida e sentimento escolares. Gostaria que algumas coisas tivessem sido diferentes, mas quem não o quer? Contudo, pretendo tomar como base minhas experiências para uma prática docente da qual eu teria me orgulhado de ter tido, e através da qual eu possa contribuir com a o crescimento e desenvolvimento reais da sociedade. Espero ter êxito e felicidade neste caminho.




Por hoje é só pessoal...


[Por mim mesma, K.]