Mostrando postagens com marcador Por mim mesma K. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Por mim mesma K. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Ser mãe, so far...

     Apesar de ter sido criada quase sempre pela minha avó, passei algum tempo com minha mãe, e logo nos primeiros anos de vida, com as duas. Minha mãe é do tipo super protetora, e quando digo super protetora, é super protetora mesmo. Do tipo que não me deixava nem tomar banho de chuva. 
Não dá bem pra saber se eu fui uma criança cheia de problemas de saúde por destino, ou porque minha mãe me isolou demais. Então, era asma, renite, sinusite, garganta, anemia (isso que eu era obrigada a tomar suco de beterraba), e por aí vai... O lance é que sempre ri muito dela, lembrando das vezes em que eu acordei com a mão dela no meu nariz pra ver se eu estava respirando. "Coisa de mãe". Ou então, ela me acordava pra ver se eu estava só dormindo. É, a coisa é meio doida assim mesmo. 
      O fato é que de certa maneira hoje chego a compreender essas pequenas atitudes dela. Meu filho completa um mês amanhã - 22/10. Agora posso dizer que o "pior" - ou o não tão bom - já passou. Digo isso porque esse início foi muito complicado. É uma fase de adaptação, e tu tá tão confusa e atabalhoada, em parte por uma questão hormonal, em parte porque não consegue dormir e por isso não consegue mais pensar nas coisas com a mesma clareza, e em parte, claro, porque é uma PUTA mudança na tua vida, afinal chegou um serzinho que depende inteiramente de ti. Trocando em miúdos, a partir de agora, até mijar é supérfulo, porque tu só vai ao banheiro quando dá. Li um post sobre maternidade que falava em uma sensação de refém da situação, e realmente é. Tua auto-estima está abalada, teus hormônios estão desvairados e tua rotina de ponta cabeça. Por isso tudo é que é um momento muito difícil esse início, ao menos pra mim foi. Tu te questiona se está sendo uma boa mãe, se vai conseguir ser uma boa mãe, enfim, muitas neuras e micro-fases. 
     Agora eu estou mais senhora da situação e estou conseguindo curtir meu picorrucho muito mais e melhor. É cansativo, por vezes estressante, outras assustador, mas ser mãe é maravilhoso e indescritível. 
     Não sou, nem quero ser super protetora como minha mãe, mas hoje eu não consigo ficar muito tempo sem dar uma conferida se o Caio está respirando, nem que seja de longe, pelo prendedor do biquinho que sobe e desce. Sofro junto com ele cada cólica, cada careta, desejando que fosse eu a sentir dor. Comemoro cada peidinho que ele consegue dar, cada boa cagada que traz aquele olhar de alívio ao rostinho dele. 
     É, desculpe se esse post não é daqueles que narram a maternidade só com palavras bonitas. Mas tudo isso que expus, pra mim, manifesta com perfeição o sentimento de ser mãe nesse alvorecer da minha maternidade.


...

domingo, 10 de março de 2013

O grande príncipe...



Vinha eu no ônibus esses dias. Um pouco contrariada, outro pouco tristonha, outro pouco indignada, e muito cabisbaixa. Algo acontecera no trabalho naquele dia. Umas palavras ríspidas e despropositadas. De certo modo, desrespeitosas, porque tudo que fere é desrespeitoso, as pessoas se esquecem disso. Tudo é justificável pelas demandas da grande máquina, mas não, não são, as pessoas também se esquecem disso. Um dos motivos pelo qual gosto tanto de ler, é que o ato da leitura me transporta para um outro mundo e me impede de ficar 'caraminholando' coisas na minha cachola, remoendo coisas que me incomodaram. 
Bem, o fato é que nesse dia, vinha eu em vias de caraminholar, quando resolvi escolher o próximo livro que ia ler. Tinha acabado o 'A escolha dos três' na viagem de ida. Resolvi então abrir o Pequeno Príncipe, livro que há tempos estava em meus 'vou ler', mas nunca era o escolhido da vez. Era curtinho, um livro de uma viagem só. 
Eu acredito muito na sincronicidade da vida. Muitas coisas acontecem, com todos nós, basta que estejamos alertas para percebê-las. A prática da leitura já me provou muito dessa sincronicidade da qual estou falando.  Por exemplo, não adianta termos determinadas certas leituras, às vezes é preciso abraçar o que nos cai nos braços como um sinal. Cada coisa tem seu momento propício de acontecer, para que possa somar com outras experiências de forma adequada. 
Então, eis que do nada decido pelo Pequeno Príncipe. Fui lendo, e me espantei no riso. Tudo, então parecia tão bobo, e eu olhei para os acontecidos com outros olhos. 
É uma leitura infantil, mas me tocou de uma maneira tão única. Não porque fosse o 'Pequeno Príncipe', livro famoso, popular e quase 'obrigatório'. Não. Me tocou fundo porque aquele era o exato momento em que eu precisava lê-lo.
Eu sou assim. Sou de caráter, sou educada, sou preocupada com os outros, não gosto de falar grosso com ninguém, de mandar em ninguém, de humilhar ninguém, ainda muito menos para me promover, para construir uma imagem de respeito. Não, essa não sou eu. Então, quando um chefe vem e grita comigo, sem motivo para tal, pois não há motivo no mundo que justifique a falta de respeito entre o seres humanos, então, não. Eu vou observar. Não vou acatar, mas vou silenciar, pois me recuso a entrar nesse jogo ridículo de relações de trabalho. Talvez até ache cômico, como na maioria das vezes o acho. Naquele dia, estava fragilizada, talvez, por algum motivo que não chego a conhecer. Por isso, fiquei mais abalada.
E no fim, não é um abalo pessoal não. Não é uma medíocre sensação de vergonha ou ego ferido, não. Não sou afeita a dar importância pessoal a essas acontecimentos. Meu abalo é antropológico. É uma tristeza e um desânimo pelo ser humano. Por perceber quão baixo as pessoas chegam para estar no 'alto', para se sentirem melhores, mesmo que à noite, sobre o travesseiro, não passem de uma poço de amargura, de despeito e de inveja. É triste, muito triste ver que o ser humano não se respeita como ser humano. Se comporta de acordo com uma teia venenosa de relações e simbolismos efêmeros e banais, sem valor nenhum.  

Mas, digredi. Vim aqui pra escrever sobre como ler o 'Pequeno Príncipe' salvou meu dia abrindo meus olhos para a real situação. Melhor, me lembrando sobre o olhar certo sobre tal situação. 
Não, não fico nem mais um segundo aperreada com essas mesquinharias das pessoas do mundo real. Porque afinal, eu chego em casa e tenho um travesseiro gostoso sobre o qual durmo o sono dos justos, tranquila, sem remorsos, sem culpas, com uma sensação gostosa de integridade moral. Não essa integridade comprada na esquina, alimentada por monólogos egocêntricos e vazios. Não, não esse tipo de integridade moral tão comum nos dias de hoje. Mas a verdadeira integridade moral, de quem não sacrifica seus princípios por uma promoção, ou por uma oportunidade, ou mesmo por um tal respeito de mentirinha, máscara do medo.   

Há muito tempo que cheguei a conclusão que não sou uma mulher séria. Sou uma mulher feliz. 

Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!
[Antonie de Saint-Exupery - O Pequeno Príncipe, 1943]

domingo, 7 de outubro de 2012

Um coverzinho matutino...

Acordei inspirada, com muita vontade tocar, e fazia muito tempo que eu não pegava a viola. Saiu isso, uma das músicas que eu mais gosto do Evanescence, não é muito conhecida, é bem lado B, precede a discografia oficial, mas é realmente muito linda e eu gosto muito de tocá-la.




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

In the dust...


É estranho como algumas pessoas passam por nossas vidas e acabam ficando na poeira do caminho. É realmente muito estranho pensar, recordar aqueles que foram realmente íntimos de nossas almas em tempos passados, e que hoje não nos são mais nada, senão uma vaga lembrança, uma sensação. Um estranho que passa do outro lado da rua. 

Dependendo dos ventos que apartaram os laços, muitas vezes deixam uma situação desconfortável, aquela do estranho-conhecido. Aquela na qual abaixamos os olhos ao cruzar na rua, naquele rompimento cúmplice e calado. Sem um por que, ou uma explicação clara. Muitas vezes, essa é a exata sensação, de algo perdido na poeira do caminho. A lógica nos fica devendo. A incompreensão prepondera, e colocamos o assunto no fundo de uma gaveta esquecida, em meio às teias de aranha que procuramos esquecer.

Volta e meia lembramos coisa e outra. Uma canção, um filme, um lugar. Sem melancolia ou saudade as imagens nos surgem na memória apenas como uma constatação, e mais uma vez nos fazemos a pergunta muda, não formulada, mas sentida: "como?". Às vezes chegamos a retrilhar mentalmente o caminho, tentando achar a falha, o erro, ou o exato momento da ramificação dos caminhos, mas a resposta é o nada, o eco de uma sala vazia: a realidade. Porque ao final, essas divagações emocionais não fazem qualquer diferença, não mudam ou agem sobre a realidade. Não nos inspira à nenhuma atitude nobre de resgate. Apenas nos habitam como fantasmas que vão chegando ao longo de nossas vidas. As poeiras do caminho.

Há alguns anos atrás - 8 talvez - eu ouvi essa música pela primeira vez. Ao som de um vinil na casa de um grande amigo. Tudo novo pra mim, Smiths e a degustação do Vinil. Foi um momento que nunca vou esquecer, ainda que esse amigo já não faça mais parte da minha vida, por razões que eu sinceramente incompreendo. Mais um grão perdido na poeira do caminho.

Essa semana, voltando de ônibus pra casa, o randômico do meu mp3 tocou Cemetery Gates e me transportou pra'quele momento, com muito melancolia, devo confessar...











sábado, 4 de agosto de 2012

Cats, cats, cats!




Então. Sempre fui uma criança meio adoentada. Sofri desde cedo com renite e sinusite, sem falar nos ataques de asma que me metiam no hospital vez que outra. Por esse motivo sempre tive que ficar afastada de animais domésticos, principalmente dos gatos, pois o pêlo deles parecia ser uma verdadeira arma química para o meu sistema respiratório. Entrava numa casa com gato e pronto, já começava a ficar ruim. Na verdade, sofri muito tempo com a alergia. Há pouco mais de um ano é que achei um remedinho de vovó - no caso, de sogra -, que me fez melhorar milagrosamente, o óleo de rícino. Aliás, indico muito para quem tem esses problemas respiratórios. É só tomar 7 cotinhas todos os dias junto do café. Pode ser em água, ou em suco, ou numa colher mesmo, o óleo puro.
Mas, dicas de saúde à parte, sempre achei os gatos animais lindos e interessantes, mas nunca pude criar um gatinho. Quando comecei a ficar bem das minhas alergias, comecei a amadurecer a ideia de adotar um gato. No momento pensei "ah, azar, se começar me atacar eu toco antialérgico - nem que isso signifique quantidades absurdas de antialérgico".
Daí que eu convenci todo mundo, meu marido e minha vó, que por sinal não é lá muito fã de animais. Fomos eu e o Roger a cata de bichano para adotar. O Roger sabia de um lugar onde tinha - em plena sexta-feira às 18:30, porque a ânsia era grande -, e fomos lá dar uma olhada.
Acabou que chegamos lá e tinha vários filhotinhos sem lar engaiolados, e nós ficamos com um nó no peito de ter que escolher apenas um. A louca dos gatos que mora dentro de mim aqui pensou: agora eu entendo porque algumas pessoas têm tantos gatos.
Adotamos 2 bichinhos, um guri e uma guria. A guria não se adaptou conosco. Passamos momentos muitos sofridos com ela. Ela recém tinha chegado na Pet, e tinham encontrado ela no mato. Ela estava completamente arisca. Se escondia pelos cantos e ficava mais de dia sem sair pra comer. A gente começou a ficar doente de preocupação. E como passamos pouco tempo em casa, não tivemos o tempo necessário para dar atenção a ela. Talvez se tivéssemos esperado mais, ela teria sossegado, mas a gente não 'guentou' o tranco, até porque achávamos que estávamos traumatizando mais ainda a gatinha. Moral da história: levamos ela de volta para a Pet, para que outra pessoa adotasse, e outra pessoa adotou, como a moça nos contou depois. a gatinha chegou a ficar 4 dias sem comer nesse novo lar, e demorou 2 semanas para sossegar. Mas eram pessoas que dispunham de mais tempo.
Ficamos triste em devolvê-la. Mas na nossa inexperiência, a gente achou que estava até fazendo mal pra gatinha, que ela ia acabar ficando doente sem comer, dormindo pelos cantos, embaixo de estante, atrás de geladeira.
Meus sogros tentaram ajudar, ficaram um tempo com ela pra tentar amansar, meu cunhado também, até conseguiu tratar um pouco dela. Enfim... não deu.
Na época, ouvi comentários do tipo "ah, fica com o bichinho e devolve porque não quer cuidar". Gente que não sabia da merda que estava falando, mas eu perdoo essas mesquinhezas, até porque meu espírito é nobre e minha modéstia é pouca.

Acabamos ficando apenas com o pequeno Dexter. Um mês depois o levamos para vacinar, e lá estava ela, bonita e sensual, uma gata! Já estava grande, o que dificultava a adoção, pois o pessoal quer filhotinho quase sempre. Um dengo só, e os molengas aqui não aguentaram, levaram junto. E aí deu tudo mais que certo. Os dois se adaptaram super bem, hoje não se desgrudam.

Passamos por um momento tenso semana retrasada, na castração da Valkíria, foi uma semana muito preocupante. Tínhamos medo que desse alguma complicação, porque a apesar de enfaixada, ela não parava quieta, gatos né. No meio da semana a faixa desceu e começou a aparecer um pontinho, e ficamos desesperados - de novo a inexperiência - fizemos um curativo por cima, e nos saímos muito bem, em fim de contas. Sexta passada, fomos tirar os pontos e estava tudo ótimo, super bem cicatrizado. E ela já está serelepe e faceira, 'aprontando altas confusões' lá em casa.

Os dois, são verdadeiras bênçãos em nossas vidas. Até mesmo minha vó está apaixonada por eles, que vão, de vez em quando, lá pra debaixo das cobertas dela.

Quis compartilhar esse relato, porque foi um verdadeiro marco na minha vida. Só quem tem esse sentimento por esses seres tão carinhosos e sinceros, é que entende o porque dessa emoção ser tão forte. São genuínos membros da família.

E não me ataquei da alergia nenhuma vez ainda! E as duas bolinhas de pêlo dormem conosco. Aliás, até andei lendo umas reportagens médicas, que já dizem o contrário. Que até é bom o contato com os bichanos, nem que no início seja mais complicado, e principalmente no caso de crianças, pois ajuda o organismo a criar anticorpos.

As figurinhas:




quarta-feira, 4 de abril de 2012

Parecer nenhum sobre nada.

A dúvida. Nada tem ela que ver com um tal de deus, ou deuses. Não, não se trata disto. Quanto a ele - ou eles -, meus pareceres permanecem bem certos, ou seja, continuam sem certeza alguma, em absoluto. Porém, sempre acompanhados de um tanto de olhar enviesado, e outro tanto de desconfiança. A esperança, se existe, é esmagada todos os dias pelo quadro social ao qual somos tortuosamente obrigados a assistir.

Contudo, e por isso mesmo - não podendo ser em nada diferente por condição obrigatória de natureza -, nós, românticos eternos, românticos eternos e etéreos, necessitamos fundamentalmente da crença na existência de um outro mundo dentro desse mesmo mundo de onde falo agora. Um outro mundo nesse mesmo mundo, onde existam coisas tremendamente misteriosas e fascinantes, segredos perpetuamente inescrutáveis. Nós, românticos eternos e etéreos, mais do que necessitar, queremos esse mundo outro, esse outro mundo. Esse mundo dos vivos do qual se gabam com tanta pompa não nos satisfaz.

E ainda que nossa razão racional, dura de pedra e sensata, ainda que toda essa mobília garbosa que carregamos em nossas mentes, nomeada de conhecimento científico, mesmo que tudo isso nos atrase as ilusões coloridas, desmentindo-as acertadamente, mesmo assim  nós as invocamos diariamente, sagradamente e irrevogavelmente, todos os dias. "Graduamos a imaginação em consciência", porque somos os românticos eternos e etéreos.

"Além desta terra e além da espécie humana há um mundo invisível e um reino de espíritos; esse mundo está à nossa volta, pois está por toda parte." (Charlotte Brontë em Jane Eyre)

"Pareceu-me - que os céus nos ajudem, como sabemos pouco sobre tudo! - que uma cena daquele tipo seria capaz de deixar a sua marca no cerne oculto da natureza." (Margaret Oliphant em A porta aberta)

...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Em fim de contas

Em fim de contas, o problema todo é essa espécie de maucaratismo crônico do ser humano. É a vaidade mascarada de preocupação. É o egocentrismo travestido de humildade. A hipocrisia com ares de luta legítima. É o comodismo pervertido em empenho. O consumismo desesperado apregoado como personalidade.
Meus caros e caras. A personalidade, seja ela como for; a essência, seja ela como for; a alma, seja ela como for. Estão todas muito, mas muito além, muito mais no fundo, no profundo ser de cada um. Está bem lá no fundo, sendo sufocada, esmagada, oprimida, definhando e morrendo. Muito abaixo dessas tantas camadas de tralhas e trapos que nos propomos a usar, não só fisicamente, mas também aquelas do eterno baile de máscaras invisíveis no qual nos obrigamos a representar.
Representar falas que não pensamos, sentimentos que não sentimos, vontades que não temos, sonhos que não são nossos, um personagem estranho a nós mesmos.

...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sopa de abobrinha.

É tremendamente ridículo o que está se passando. Transcende a barreira do racional, do aceitável, do razoável, do fazível. É obsceno!
O que está acontecendo nessa porra?!
Todos já sabemos que toda essa operação opressiva dos EUA em relação ao compartilhamento de arquivos na internet não tem nada a ver com a defesa de direitos autorais, da propriedade intelectual, ou mesmo que tenha alguma mínima intenção (minimíssima que seja) que não possua raízes no estado de podridão em que se encontra o caráter humano. 
Poderiam ao menos  ter se dignado a forjar uma argumentação mais convincente. A insinceridade desse circo chega a ser assustadora. A audácia desses malandros é ultrajante!

Mas não nos preocupemos à toa não... não. O primeiro e melhor absurdo dessa história toda, é que é IMPOSSÍVEL parar com essa prática! IMPOSSÍVEL! Os downloaders que não se atordoem, deem tempo ao tempo. Qualquer pirralho de 12 anos consegue fazer estripulias na rede, um site, etc. Já eras! Tá dominado! É como querer colocar pasta de dente de volta no tubo.

Claro que fodeu com muito conteúdo, mas não tá morto quem peleia, e a internet está cada vez mais rápida e poderosa!

Isso tudo é um atentado a liberdade, e sobretudo à igualdade. Afinal, o grande problema dessa "prática criminosa" é que democratizou e socializou demais o conhecimento e a cultura. O grande e verdadeiro problema é que esses malditos pobres estão tendo acesso demais aos indicadores culturais de riqueza e poder. Está ficando  cada vez mais difícil manter os pobres como eles devem ser, ignorantes. Hoje, qualquer um que tenha o espírito curioso e intelecto sedento vai conhecer o cinema francês, a música clássica, aquele filme super underground, ou aquela banda que faz um som muito diferente.  Vai conhecer um mundo totalmente novo. Vai conhecer o mundo sem filtros: o mundo em cores.

Nossa sorte é que eles não previram isso. Estavam tão ávidos pelo dinheirão que as grandes corporações do mundo virtual vinham gerando, que não anteviram o que se operava como plano de fundo: a democratização do conhecimento. E isso não pode, isso dá medo. Isso não pode ser...  Mas vai ser!



.
.
.




segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Competição mundial de seres-humanos.

   Cada vez mais me convenço de que ninguém tá aí pra porra nenhuma, exceto para seu próprio umbigo, para seu próprio ego gigantesco. Qualquer ação que façam em nome de um suposto altruísmo também entra nessa sistemática de alimentação a esse ego monstruoso que já conseguiu deformar qualquer tentativa de redenção da humanidade.
   As pessoas não conseguem conversar, debater, olhar o outro com respeito e positividade, tentar extrair algo de bom, por mínimo que seja. Tudo que querem é uma guerra de opiniões radicais, sem nenhuma reflexão. Ou tu é contra ou tu é a favor.
   Dois casos em pouco tempo, realmente me desconsertaram. Um, sobre Belo Monte, de um indivíduo que queria uma zumbilândia de assinaturas no movimento Gota D'água, não interessando nenhum debate e contrapontos de idéias. O que interessava era o número. Foda-se se as pessoas estão realmente sabendo o que estão fazendo. Preguiça típica, e corrosivamente crônica do brasileiro. Outro, sobre o vegetarianismo, que foi pior do que falar sobre deus com um evangélico. Aquele estereótipo de vegetariano que consegue transformar em piada o vegetarianismo e tira qualquer credibilidade.
    O negócio virou um "foda-se o outro, o que interessa é a minha opinião, e ela é que é a certa!"
   Enfim, eis aqui apenas um desabafo público, pois estou cada vez mais incomodada com essa palhaçada, com esse mar de merda que só aumenta a cada dia, com essa competição mundial de seres-humanos totalmente sem sentido! E que, lamentavelmente, só cresce tornando cada vez mais minúsculo o espírito humano.
    Como já postei em outra oportunidade:

eu não tenho mais a mesma paciência pra me explicar, 
quem entender, entendeu... 
quem não entender, faz o favor de pensar mais uma vez, ou de largar de mão...
duelo entre egos intelectuais não me instiga mais...
eu quero construir e trocar idéias...
mas percebo que algumas pessoas olham, lêem, analisam, querendo, já por premissa, derrubar...
enfim... não tenho mais paciência...



Conceito de Alteridade:

1. Alteridade (e/ou outridade) é a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende de outros indivíduos. Assim, como muitos antropólogos e cientistas sociais afirmam, a existência do "eu-individual" só é permitida mediante um contato com o outro (que em uma visão expandida se torna o Outro - a própria sociedade diferente do indivíduo);

2. É a capacidade de se colocar no lugar do outro na relação interpessoal (relação com grupos, família, trabalho, lazer é a relação que temos com os outros), com consideração, identificação e dialogar com o outro.



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sobre Belo Monte

Então, assinei a campanha do Movimento Gota D'água na semana passada. Mas não sem antes dar um boa pesquisada sobre o tema, principalmente pelo fato de serem atores globais. Afinal, sabemos, cá pra nós, que os atores globais não têm nenhuma autonomia, e só fazem o que a Globo lhes permite. Sabemos também que a Globo é suja até o fundo, e também que está fortemente comprometida em ferrar com o governo populista que se constrói no Brasil desde a "Era Lula".
Procurei então sobre o tema, para realmente saber se concordava ou não, e para saber mais informações sobre energia hidroelétrica, afinal, não sou nenhuma engenheira ambiental, e não vejo muito mais além do óbvio nessas questões.
O fato é, que mesmo que os motivos da campanha não sejam lá os mais nobres e estejam ligados a razões mascaradas da Rede Globo, mesmo assim, e independente disto, eu concordo com ela. Sou contra a construção, sim.
Daí, veio toda uma corja criticar a campanha, dizendo que é antipatriótica, pois a usina vai favorecer o crescimento econômico do Brasil, vai levá-lo ao status de grande potência: 



Ah, daí já é outra história né! Sou absolutamente contra essa prisão econômica que o homem se impôs. Toda a vida está condicionada agora a um crescimento econômico que é bom mesmo, e sempre, apenas para os ricos. Que perde cada vez mais o sentido, e que é cada vez mais absurdamente contraditório com as questões humanitárias. Nos dias de hoje, é quase impossível se preocupar com o mundo e não acabar sendo hipócrita. 
É preciso pôr um fim nessa lógica porca [ambição utópica], baseada num crescimento indefinido de números e indicadores econômicos que à nós, reles seres das camadas de baixo, nem é permito entender. Números e fórmulas frios e distantes que determinam nossas vidas todos os dias!

É importante que ao menos mostremos que estamos entendendo o que está acontecendo, que sabemos da gravidade da situação e o que representam tais acontecimentos.

A apatia da indiferença é que é perigosa!


Afinal, como diria o sábio Galeano:

"Onde se recebe a renda per capita? Tem muito morto de fome querendo  saber. Em nossas terras, os numerozinhos têm melhor sorte que as pessoas. Quantos  vão bem quando a economia vai bem? Quantos se desenvolvem com o desenvolvimento?"


Vídeo bastante esclarecedor:


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Minha pequena ladra de carros...

       Toda vez que minha irmã (Luíza, 8 anos) vai lá em casa, ela se acaba jogando playstation, com bem maior entusiasmo e dedicação quando se trata do jogo Grand Theft Auto. No início gerou muitos debates familiares. Minha mãe achava um absurdo, e defendia que acabaria influenciando minha irmã a ser violenta. Meu pai só ria, sem saber muito bem o que dizer. Minha vó também achava muito violento. 
       Enfim, eu sempre achei que isso não tem grandes coisas a ver não. Primeiro porque sempre joguei coisas bizarras quando era criança e nem por isso saí assassinando ninguém. Segundo, porque, há uma geração atrás de criminosos, a maioria deles nem teve contato com essas coisas. 
       Em suma, a educação e o caráter são, sim, algo que se relaciona com o exemplo prático e não com discursos vazios, moralistas e demagogos. Minha família é muito honesta, de caráter muito sólido. Simples e humilde, mas limpinha e honrada. Tudo isso no dia-a-dia, na prática cotidiana, no que realmente interessa. Meus pais não dizem a Lu pra agir de determinada forma que julgam ser a certa enquanto eles próprios fazem o total contrário. Talvez more aí o segredo de uma boa educação. Ou não, posso estar completamente errada. Enfim, de qualquer forma a prova cabal de tudo, que nos calou a todos sobre a questão foi a seguinte situação:

(Luíza matando uma prostituta no jogo para conseguir o dinheiro dela)

Luíza: Morre, morre!

Eu: Ô Lu, como é que faz pra conseguir dinheiro? (pescando, né?)

L: Na vida real ou no jogo?

Eu: No jogo.

L: A gente tem que assaltar e matar as pessoas na rua.

Eu: E na vida real?

L: Na vida real a gente tem que estudar e trabalhar.


Sem mais perguntas meritíssimo. 


.
.
.

   


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Idealismo frouxo crônico

Parece tão contraditório e de uma ironia tão macabra, que a partir de uma realidade tão tosca, tão cruel e mesquinha, surjam textos tão lindos, tão justos e de um idealismo realmente mítico. Seria tudo tão bom, tudo tão belo e justo, tão digno, se a beleza e a pureza expressas tantas vezes no papel - que, coitado, aceita tudo - pudessem de fato tornarem-se reais. Infelizmente, há algo no caminho, há um obstáculo, uma lacuna que não permite nunca tal realização. Desconfio cada vez mais, e com imenso pesar devo dizer, que esse abismo no caminho seja o ser humano, ao mesmo tempo idealizador e impedidor de um mundo bom, de um mundo melhor.  Profanador, deturpador, perverso. Um demagogo e hipócrita, por natureza.

Declaração dos Direitos do trabalhador
24 de fevereiro de 1947 (Argentina)

I - DIREITO DE TRABALHAR

O trabalho é o meio indispensável para satisfazer as necessidades espirituais e materiais do indivíduo e da comunidade, a causa de todas as conquistas da civilização e o fundamento da prosperidade geral; daí que, o direito de trabalhar, deve ser protegido pela sociedade considerando-se com a dignidade que merece e promovendo ocupação a quem necessite.

II - DIREITO A UMA RETRIBUIÇÃO JUSTA

Sendo a riqueza, a renda e o interesse do capital frutos exclusivos do trabalho humano, a comunidade deve organizar e reativar as fontes de produção na forma de possibilitar e garantir ao trabalhador uma retribuição moral e material que satisfaça suas necessidades vitais e seja compensatória do rendimento obtido e do esforço realizado.

IV - DIREITO A CONDIÇÕES DIGNAS DE TRABALHO

A consideração devida ao ser humano, a importância que o trabalho reveste como função social e o respeito recíproco entre os fatores concorrentes da produção consagram o direito dos indivíduos a exigir condições dignas e justas para o desenvolvimento de sua atividade e a obrigação da sociedade em velar pela estrita observância dos preceitos que as instituem e regulamentam.


...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sobre a Claudia Leite

Então. Resolvi me manifestar sobre o assunto. Normalmente não dou muita atenção a essas polêmicas da moda, mas achei bastante válido que me pronunciasse, já que minha opinião incorre contra a maré.
Concordo plenamente com a Claudia Leite. Achei de extrema sobriedade as palavras dela e concordo com 100% do que ela falou. Sinceramente me surpreendeu alguns de seus posicionamentos, e de forma positiva.

Primeiro. A programação do Rock in Rio é disponível a qualquer um, especialmente aos interessados em ir ao evento. Então, quem estava lá fez a escolha consciente de se submeter a estar lá durante o show da Claudia Leite e não tem nada que vaiar. É impossível exigir que num festival tão diversificado alguém vá gostar de todos os artistas que passarem pelo palco. Sem contar que ela estava dentro de uma programação nacional bastante coerente, que não era nada do tipo Claudia leite entre Metallica e Slipknot.

Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…

Daí os rockeirinhos ficaram ofendidos porque ela fez a analogia com o Hitler. Mas em contrapartida acham justificável vaiar um artista só porque seu som é diferente ou não é de seu agrado. Realmente, muitos "rockeiros" se acham melhor sim, superiores às outras pessoas. Prova mais do que absoluta disso é a indignação e ignorância com que viram o posicionamento da cantora. Qualquer pessoa razoável e sensata pode perceber que ela está em perfeita razão.

Não interessa se o estilo destoa da origem do festival de 500 mil anos atrás, ele, hoje, assume uma proposta mais ampla, pronto. Quem se propõe a ir ao festival que aceite. Aos rockeirinhos de plantão, que querem levantar a bandeira do fundamentalismo musical apenas digo: Cresçam!

Respeito. Eu não gosto do trabalho artístico da Claudia Leite, detesto axé. Mas é uma questão de respeito tu não vaiar um artista, ainda mais tu estando na platéia por própria escolha. Ah! Por favor! A infantilidade das pessoas realmente me decepciona.

Quem ainda levanta a bandeira desbotada do rock para o festival tem um sério problema de alienação e deve ter perdido em algum momento o contato com a realidade.

O que me parece, no fim de contas, é que a Claudia Leite merece muito mais respeito do que muitos rockeiros por aí. E certamente, depois dessas palavras, ela ganhou o meu.

Artistas internacionais vêm pra cá, mostram a bunda, atrasam-se por 2 horas pq estão dando uma festinha no camarim, não conseguem conciliar a respiração com o canto, não preparam espetáculos para o nosso povo, desafinam, enfim, pouco se importam conosco, querem beijar na boca, ir à praia e tomar nossa cachaça, e nós, que pagamos caro para assistir aos seus “espetáculos” em nossa terra, aplaudimos a tudo isso. Ah! É Rock! É Pop! É bom!

O desrespeito é mais fácil de ser tolerado porque é uma atitude Rock and Roll? Não seria isso alienação? Liberdade é respeitar. Liberdade é conviver com as diferenças. Liberdade é ter opinião própria. Tudo o que representa o oposto disso não cheira bem.



Fonte: http://www.blogdaclaudinha.com.br/

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

um improviso nirvanístico...

Então... em memória aos velhos tempos [e para celebrar os novos, claro], aos primeiros sabores musicais,  posto aqui um improviso doméstico. Saiu assim, fruto de um domingo cinzento, sem pensar muito, sem ensaio, quase uma releitura... então, please, sejam bonzinhos comigo... hehe.

Something in the way...






...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

.Morte.

Na vida real, a morte é bem mais prática e bem menos romântica. Talvez por isso mesmo demore certo tempo para que nos demos conta da perda, do que ela de fato significa. É preciso chamar funerária, agendar horários, conseguir documentos que atestem a morte. O encapuzado de negro, com a foice na mão, não dá as caras, mas paira no ar, como uma cruel presença ostensiva, opressiva. Comprime nosso coração e o espreme até sair o suco salgado dos nossos olhos. Estupra nossa alma, nossa consciência, nos esgota com infinitas lembranças, infinitos remorsos irrevogáveis.
Mas... a morte, se não deixa boca para sorrir, também não deixa olhos para chorar. Talvez por isso meu primeiro sentimento tenha sido de franco alívio pelo fim do sofrimento que afligia cruelmente minha vó nos últimos anos.
Demorou certo tempo para que eu entendesse. Só mesmo quando me dirigia ao velório é que as lágrimas começaram a rolar, e a impotência em segurá-las causava uma raiva muda, uma angústia amarga.
Chegando próximo ao caixão me escondi atrás de meus pais, numa atitude quase inconsciente de protelação. Mas quando vi a imagem tão conhecida de minha vó, agora naquele corpo sem nenhuma vida ou expressão, senti o chão me faltar, e um vazio muito grande abriu espaço no meu peito. Um vazio sobre a vida, sobre qualquer sentido. Uma falta de qualquer coisa. Um sentimento de confusão absoluta.
Toquei a mão gelada de morte, mas não senti minha vó. Minha vó já estava em qualquer outro lugar, ou em lugar nenhum, mas não mais ali...
A dúvida sobre tudo isso aqui gritava mais do que nunca dentro da minha cabeça...
Contudo, um consolo ecoava... a morte, se não deixa boca para sorrir, também não deixa olhos para chorar, e minha vó já tinha sofrido demais...

_______________________________________________________

.
.
.

Agradeço vó, por tudo.
Pelas sopas, pelo feijão com farinha de mandioca e  pelos ovos cozidos.
Por me enganar na contagem das colheradas - nunca me dei conta de que o dez sempre coincidia com a última colherada do prato.
Obrigada, vó, pelas noites rezando terços, por me deixar controlar as contas do rosário e por me ensinar todas as orações, minhas primeiras leituras. Te agradeço por me ensinar a beleza poética da religião que sem nenhuma dúvida ajudou na formação do meu caráter.
Te agradeço, vó, por confiar em mim e deixar eu cortar teu cabelo quando ainda era criança, me senti tão importante.
Obrigada vó, por me comprar os vestidos de prenda, os chapéus de palha com rendinhas coloridas para andar no sol.
Obrigada por me ensinar que sentar na pedra fria faz mal pra bexiga e que a cor do xixi diz muito sobre a saúde da gente.
Obrigada por me trazer um flan, um todinho ou uma “teta-de-nega” em todos os finais de tarde de um pedaço grande da minha infância.
Por sentar no sol comigo, comendo laranja ou bergamota, e contar tantas histórias sobre a vida.
Te agradeço por narrar, ainda à luz da vela, naquela casinha de madeira, histórias de mistério que tanto me fascinaram.

E sei cá comigo, no fundo, que deveria ter dito isso tudo pra ti em vida. Mas não deu, não fiz. Talvez o tenha feito em gestos, mas nunca tão explícitos quanto podem ser as palavras claras. Deixo aqui esse sincero agradecimento, talvez muito mais para lembrar a mim mesma das tantas coisas boas que vivi e que aprendi contigo, do que para fazer um arremedo de agradecimento, um remendo na vida. Ainda assim, essas poucas palavras deixam ver apenas uma fina fresta de luz da importância que tiveste na minha vida.

Esteja em paz minha vó.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mulher moderna


Isso. Vamos empinar nossas bundinhas. Remexer nossos traseiros. Rebolar em cadência sensual exibindo nossas ancas de boa fêmea reprodutora. Sim. Vamos espremer nossos seios para exibi-los melhor. Vamos nos rebocar até quase perder nossa fisionomia natural. Se empoleirar num salto também ajuda. Vamos nos vestir como nos dizem que deve ser, como todas as outras fêmeas estão vestidas. Poucas diferenças na verdade, quase nada, apenas para imprimir um falso caráter de autenticidade, mas nada que destoe muito, perigoso. Vamos mutilar as pontas dos dedos toda semana para ficarmos mais belas. Vamos nos enlouquecer em busca de liquidações e chegar em casa cheia de sacolas, porque afinal nós somos mulheres e, por algum motivo, precisamos de muitas roupas, muitos sapatos, muitas bolsas, muita alegoria!
Vamos tagarelar sem parar na presença de outras fêmeas, falar de homens, claro, e de nossos métodos de agarrá-los, conquistá-los, seduzi-los. Falemos sobre nossas melhores transas, de nossos melhores machos. Falemos muito sobre nossa sexualidade, pois é natural, e a mulher moderna deve se conhecer (e fazer com que todos conheçam), suas preferências sexuais, suas posições e lugares preferidos.
Afinal, nós somos mulheres modernas, independentes, lindas, vitaminadas e poderosas!
Sim, poder. Temos um poder imensurável e determinante. Um poder que não mora numa transformação profunda dos valores da sociedade, como muito se confunde por aí. Não, não um poder desses, novo e conquistado. Não. Nada novo, na verdade, bem velho, um poder conhecido de todos nós, bem velho, nada novo: O PODER DA XEXECA!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um oco cheio de tudo...

Quando eu sair das sombras,
minha face a refletir com toda força a luz do ser que não és...
tuas pupilas estarão dilatas,
tua mente acelerada e teu espírito muito longe da terra firme,
Enfrentarás uma vertiginosa viagem às profundezas do mistério
sentirás com dor a imensidão do nada
e com despeito a imensidão do tudo,
saberás da profecia que não existe,
do vazio em que flutuas,
chorarás de desconsolo...
chorarás de desespero...
até quando de teus olhos emergirem lágrimas secas...
lágrimas mudas...
estarás pronto, então,  para aceitar...
- e até mesmo ver a beleza,
da caótica inexistência de qualquer sentido...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

.pretensa consciência social.

A mim parece que todos esse protestos verbais da população em geral, do tipo comentários no twitter, mobilizações virtuais, frases de indignado desabafo no almoço de domingo, que todas estas manifestações, por natureza fugazes e efêmeras - pois moram no interesse individual e não no coletivo - são pequenos escapes, pelos quais de maneira vagarosa e insignificante escoa uma energia que em forma de avalanche repentina poderia verdadeiramente provocar mudanças profundas.
Esses protestos são previstos pelo sistema, e até incentivados. A falta de liberdade de expressão tem relação direta com os movimentos genuinamente revoltados e ansiosos por transformações...
Hoje cada um se contenta em poder criticar, em poder dar a sua magnânima opinião sobre tudo, exercendo assim uma liberdade conquistada com muito suor por gerações que já se esvanecem.
Não há mais explosões ideológicas, há pequenos inchaços aqui e acolá que logo são suprimidos, escondidos, esquecidos, pela forma mais estúpida e vergonhosa, - muito mais do que a opressão autoritária dos militares de outrora - a distração, o desvio de atenção.
E assim vamos seguindo, reclamando do aumento salarial dos políticos, da ciclovia que não foi feita, do escândalo do Detran, lamentando o terremoto ali, o bombardeio acolá. Muito mais preocupados em emitir opinião, em mostrar uma preocupação, que de fato não existe, não é sincera. Em última análise, uma preocupação com a própria alma.

E reconheço que talvez em nada se diferencie essa minha declaração daquelas que são o objeto dela...

[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 24 de maio de 2011

Anos 80

           Esses dias, em algum lugar na internet, li algo do tipo ‘é, realmente, os anos 80 é a idade das trevas da música’. Bah! Minha primeira reação foi de revolta e indignação. Depois refleti um pouco, analisei, e percebi quão ignorante era o comentário. Primeiro, por fazer referência à idéia - que hoje pra qualquer pessoa esclarecida é no mínimo ingênua, pra não dizer superficial - de que a Idade das Trevas [Idade Média] realmente tenha sido um momento estéril culturalmente. Pensamento que durante muito tempo foi alimentado por uma atitude preconceituosa que nos dias de hoje é motivo de vergonha para os estudiosos ressentidos de outrora.
            Depois pensei: poxa vida, a pessoa prefere gastar tempo, energia e espaço, para depreciar uma arte admirada por outras pessoas, e que tem seu valor patente e inconteste. Por que não gastou esse mesmo tempo, essa mesma energia e espaço para falar bem de algo que gosta. Ou então que vá falar mal de coisa ruim mesmo, do tipo dessas bandas coloridas de hoje em dia, que nem de longe é uma questão de gosto, mas de mercado. Quem gosta e compreende mesmo o que representa a música, entende que o respeito é algo que independe de tu gostar ou não. Eu não sou muito do rock clássico, por exemplo. Mas respeito pra caramba, sei da importância, e, sobretudo, aprecio o valor artístico desses caras. O que muitos metidos a críticos de música por aí não entendem é que conhecimento musical é uma coisa e sensibilidade musical é outra bem diferente.
            Essas pessoas me parecem todas papagaios de pirata, me dão a impressão clara de sequer conhecerem realmente o som dos anos 80. São ridículas a prepotência e a arrogância de simplesmente ignorar, diminuir ou desvalorizar a arte de pessoas como Martin L. Gore, Dave Gahan, Vince Clarke, Robert Smith, Morrisey, Roland Orzabal, pra mencionar os mais conhecidos. Estão muito menos empenhadas em descobrir coisas belas, do que em perpetuar preconceitos burros e infantis. Um conselho a estas pessoas: Cresça e decida por si mesmo sobre o que gosta ou não, e, mais importante, respeite o que merece ser respeitado. Do contrário, você não passa de um fã de merda, fundamentalista, preconceituoso e burro, que acha que entende alguma coisa de música!
           
Concluo com uma música de uma das minhas bandas preferidas - de todos os tempos e de TODAS as semanas, hehe -, Depeche Mode, a qual devoto admiração que só cresce. A música é interpretada pelo Martin Gore, e é absolutamente linda.

Macro
Depeche Mode


Overflowing senses
Sentidos abundantes
Heightened awareness
Atenção aumentada
I hear my blood flow
Eu ouço o meu sangue fluir
I feel its caress
Eu sinto o carinho
Whispering cosmos
Cosmos sussurrante
Talking right to me
Falando comigo
Unlimited, endless
Ilimitado, infinito
God breathing through me
Deus respirando através de mim


See the microcosm
Veja o microcosmo
In macrovision
Pela macrovisão
Our bodies moving
Nossos corpos se movendo
With pure precision
Com pura precisão
One universal celebration
Uma celebração universal
One evolution, one creation
Uma evolução, uma criação


Thundering rhythm
Ritmo fulminante
Pounding within me
Triturando por dentro de mim
Driving me onwards
Dirigindo-me para frente
Forcing me to see
Forçando-me a ver
Clear and enlightening
Claro e esclarecedor
Right there before me
Bem à minha frente
Brilliantly shining
Reluzindo brilhantemente
Intricate beauty
Beleza intricada

Letra e tradução: http://www.vagalume.com.br/








quinta-feira, 5 de maio de 2011

CREOLINA

A creolina espanta o indesejado bicho homem,
desinfeta e afeta o outro bicho homem,
que como bicho já não se vê.
Pingos negros pelo chão, cantos pútridos a cada esquina.
As ruas encardidas de uma sujeira incivilzada.
O público é de ninguém, e como de ninguém é tratado.

E a solidão mora na multidão apressada, descompassada.
Multidão que não enxerga nada, mas que acredita em tudo.
E para muitos, a vida passa encarnada num eterno desfile de modas...
E, sendo assim, desfilam estes nas calçadas, mijadas e imundas,
num espetáculo grotesco e pedante.

Anda rápido se dando importância,
tira fotos, sorri, fala alto.
Encena a vida - todos nós, aliás.
À noite, se conecta e fica a carregar fotos,
numa ânsia de mostrar à todos quão feliz é sua vida.
Mais que convencer à todos, quer é convencer a si mesmo
de uma felicidade artificialmente colorida.

Alguns, porém, deveras sentem aquilo que encenam,
deveras desejam aquilo que buscam.
Poucos, é verdade, cada vez menos... mas, ainda assim, alguns...


.
.
.