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quinta-feira, 17 de maio de 2012

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"Deus é magia, e os santos também. Os anjos são magia. E os espíritos, se realmente são aparições de almas que um dia viveram na terra, também são magia. Não estou dizendo que todos esses elementos mágicos são iguais. O que estou dizendo é que o que eles têm em comum é o fato de estarem apartados da matéria, afastados da terra e da carne. É claro que interagem com a matéria. Interagem com a carne. Mas pertencem ao reino da pura espiritualidade onde poderiam existir outras leis diferentes das nossas leis terrenas do mundo físico."

David Talbot. Talamasca

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Yoko D'Holbachie

Conheci recentemente a incrível obra desta artista plástica japonesa, Yoko D'Holbachie, que vale muito ser compartilhada. Visite a galeria online de Yoko D'Holbachie.













terça-feira, 27 de março de 2012

Conveniente...


— Sua observação, disse o dono da casa sorrindo, traz o sabor do chocolate que o senhor bebeu naturalmente esta manhã antes de sair para a caça. Presumo que é rico. Na abastança é impossível compreender as lutas da miséria, e a máxima de que todo o homem pode, com esforço, chegar ao mesmo brilhante resultado, há de sempre parecer uma grande verdade à pessoa que estiver trinchando um peru... Pois não é assim. (Machado de Assis, Helena, 1876)


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terça-feira, 20 de março de 2012

CREDENCIALISMO


O crescimento do credencialismo - isto é, a exigência de credenciais (qualificações) mais altas para os mesmos empregos - e o conhecido processo da inflação de rótulos de emprego e autopromoção ocupacional, podem criar a impressão, inteiramente errônea, de crescimento de uma sociedade mais “culta” (Kumar 1978: 2011-9).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Diário de um demônio


[...] ele gostava das pessoas. Era um grande defeito num demônio.
Ah, ele dera o melhor de si para infernizar as vidas deles, porque esse era seu trabalho, mas nada que ele pudesse pensar era metade do que eles pensavam por conta própria. Pareciam ter um talento para isso. Estava embutido no projeto da criação deles de algum modo. Nasceram num mundo que era contra eles em um milhão de coisinhas, e então dedicavam a maior parte de suas energias a torná-lo pior. Ao longo dos anos, Crowley achara cada vez mais difícil encontrar algo de demoníaco a fazer que se destacasse contra o plano de fundo natural da maldade generalizada. No decorrer do último milênio, houve momentos em que sentiu vontade de enviar uma mensagem lá para Baixo dizendo: escutem, que tal a gente desistir de tudo agora, fechar Dis e o Pandemônio e todo o resto e nos mudarmos para cá? Não há nada que possamos fazer a eles que eles já não façam por conta própria, e eles fazem coisas que nós sequer pensamos, freqüentemente envolvendo eletrodos. Eles têm o que não temos. Eles têm imaginação. E eletricidade, é claro. 



[GAIMAN; PRATCHETT. Belas Mandições, 1990]  

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Malditas bruxas!

- Não acho que sair queimando gente seja permitido - disse Adam. - Senão as pessoas estariam fazendo isso a todo instante.
- Tudo bem se você for religioso - disse Brian com segurança. - E isso impede que as bruxas vão para o inferno, então acho que elas até ficariam bastante agradecidas se entendessem isso direito.

- Gangue do pirulito -

[GAIMAN; PRATCHETT. Belas Mandições, 1990]  

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Deus: jogador de pôker em nível olímpico...


Deus age de formas extremamente misteriosas, para não dizer tortuosas. Deus não joga dados com o universo; Ele joga um jogo inefável de sua própria criação, que poderia ser comparado, na perspectiva de qualquer um dos outros jogadores [todos os dois], a estar envolvido numa obscura e complexa versão de pôquer numa sala completamente escura, com cartas em branco, por apostas infinitas, com um crupiê que não lhe diz quais são as regras, e que sorri o tempo todo. [GAIMAN; PRATCHETT. Belas Mandições, 1990] 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

You're fucking crazy!


Like - Taproot

You look like me
I'm sorry for you
You talk like me
I cant understand you
You think like me
You're fucking crazy
You want to be me
But that's ok because

You remind me of me
Someway
But only the good
Cause I'm just me

Hanging by a thread for your honor
Just helps me to see inside myself
Hanging by a thread for your honor
Just helps me to see…

You act like me
Cause you're embarrassing
You talk to me
But don't listen
You think like me
You're so damn crazy
You want to be me
But that's ok because…

You remind me of me
Someway
But only the good
Cause I'm just me

Hanging by a thread for your honor
Just helps me to see inside myself
Hanging by a thread for your honor
Just helps me too see…

When these memories become liquid dreams just like fantasies
And like fallen leaves I guess all I need is to find my desires and set out to acquire them

You look like me
I'm sorry for you
You think like me
But that's ok because…

Hanging by a thread for your honor
Just helps me to see inside myself
Hanging by a thread for your honor
Just helps me to see inside myself



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cadafalso


Bem, grandes sistemas dão conforto, e quando nos sentirmos entrando em desespero, devemos conceber grandes esquemas a partir do nada que nos cerca, e aí não escorregaremos, mas ficaremos pendurados num cadafalso criado por nós, tão sem sentido quanto o nada, mas muito detalhado para ser descartado com tanta facilidade. [RICE, 2000]

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Como nasce um paradigma

Essa historinha é meio velha, mas vale a pena relembrar para renovar nosso olhar sobre o mundo que nos cerca:

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa  jaula, em cujo centro puseram  uma escada e, sobre ela, um cacho de  bananas. 
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. 
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de porradas. 
Passado mais algum tempo, nenhum macaco  subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. 
Então,  os cientistas substituíram um dos cinco macacos. 
A primeira coisa  que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado  pelos outros, que o encheram de porradas. 
Depois de algumas surras, o novo  integrante do grupo não mais subia a escada. 
Um segundo foi  substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto  participado, com entusiasmo, da surra ao novato. 
Um terceiro foi  trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos  veteranos foi substituído. 
Os cientistas ficaram, então, com um  grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio,  continuavam batendo naquele que tentasse chegar às  bananas. 
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam  em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não  sei, as coisas sempre foram assim por aqui..." 



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Século XX-XXI

   [...] as pessoas mais simples desta época se orientavam por uma vigorosa moralidade secular tão forte quanto qualquer moralidade religiosa que eu já conhecera. Os intelectuais carregavam as bandeiras. Mas pessoas inteiramente comuns em toda a América se preocupavam apaixonadamente com a “paz”, os “pobres” e “o planeta”, como se estivessem possuídas por um zelo místico.
   Tencionavam acabar com a fome neste século. Erradicariam as doenças a qualquer preço. Questionavam ferozmente a pena de morte e o aborto. E combatiam as ameaças da “poluição ambiental” e da “guerra de holocausto”, com tanta violência quanto em épocas passadas combateram a bruxaria e a heresia.
   Quanto à sexualidade, já não era mais uma questão de superstição e medo. Ela estava sendo despojada dos últimos traços de religiosidade. Era por isso que as pessoas andavam meio nuas. Era por isso que se beijavam e se abraçavam nas ruas. Agora conversavam sobre ética, responsabilidade e beleza do corpo. A procriação e as doenças venéreas estavam sob controle.
   Ah, o século XX. Ah, o giro da grande roda. Superara os sonhos mais desvairados este futuro. Transformara em tolos os profetas sinistros de épocas passadas.
   Eu pensava muito nessa inocente moralidade secular, nesse otimismo. Neste mundo brilhantemente iluminado onde o valor da vida humana era maior do que havia sido antes.


Lestat

[RICE, 1984]

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Envergo, mas não quebro - Lenine


Se por acaso pareço
Que agora já não padeço
De um mau pedaço na vida

Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida

Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em um sofrimento infindo

Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mas volto depois sorrindo

Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibro e requebro

É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambu, taquara
Eu envergo mais não quebro

Eu envergo mas não quebro

Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem

Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia vai e vem

Quando é mar a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto nem queixo

E tal qual um barco solto
Salto do alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo

E em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro

Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro

Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro
Eu envergo mas não quebro


...

Então não há nada que resista a essa carga de morte constante e implacável que o tempo despeja em nossa vida? [...] O presente, como tal, é apenas a soma do ultra-instantâneo de cada momento isolado, que se converte de não nascido em já morto. Mas então onde é que está a vida nisso tudo? Então ela é apenas uma quantidade de coisas mortas acumuladas - pensamentos, palavras, homens e cachorros, mulheres e livros, tudo morto, ultrapassado? Esmagado? Então a gente vive mesmo ruminando o que não existe, mastigando coisa morta, apodrecida?

(Carta de Fernando Sabino para Otto Lara. In: Sabino, 2002)


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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Idealismo frouxo crônico

Parece tão contraditório e de uma ironia tão macabra, que a partir de uma realidade tão tosca, tão cruel e mesquinha, surjam textos tão lindos, tão justos e de um idealismo realmente mítico. Seria tudo tão bom, tudo tão belo e justo, tão digno, se a beleza e a pureza expressas tantas vezes no papel - que, coitado, aceita tudo - pudessem de fato tornarem-se reais. Infelizmente, há algo no caminho, há um obstáculo, uma lacuna que não permite nunca tal realização. Desconfio cada vez mais, e com imenso pesar devo dizer, que esse abismo no caminho seja o ser humano, ao mesmo tempo idealizador e impedidor de um mundo bom, de um mundo melhor.  Profanador, deturpador, perverso. Um demagogo e hipócrita, por natureza.

Declaração dos Direitos do trabalhador
24 de fevereiro de 1947 (Argentina)

I - DIREITO DE TRABALHAR

O trabalho é o meio indispensável para satisfazer as necessidades espirituais e materiais do indivíduo e da comunidade, a causa de todas as conquistas da civilização e o fundamento da prosperidade geral; daí que, o direito de trabalhar, deve ser protegido pela sociedade considerando-se com a dignidade que merece e promovendo ocupação a quem necessite.

II - DIREITO A UMA RETRIBUIÇÃO JUSTA

Sendo a riqueza, a renda e o interesse do capital frutos exclusivos do trabalho humano, a comunidade deve organizar e reativar as fontes de produção na forma de possibilitar e garantir ao trabalhador uma retribuição moral e material que satisfaça suas necessidades vitais e seja compensatória do rendimento obtido e do esforço realizado.

IV - DIREITO A CONDIÇÕES DIGNAS DE TRABALHO

A consideração devida ao ser humano, a importância que o trabalho reveste como função social e o respeito recíproco entre os fatores concorrentes da produção consagram o direito dos indivíduos a exigir condições dignas e justas para o desenvolvimento de sua atividade e a obrigação da sociedade em velar pela estrita observância dos preceitos que as instituem e regulamentam.


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terça-feira, 6 de setembro de 2011

quisera...

“Quisera ter fé religiosa ou acreditar firmemente em alguma doutrina política... Mas tinha uma incapacidade absoluta para se enquadrar em partidos ou seitas. Reconhecia, com certa má vontade, que era indispensável uma fé firme para realizar grandes coisas. Se ele tivesse essa fé num deus ou numa idéia, haveria de orientar seus livros no sentido dessa fé política ou religiosa, não porque achasse que a arte deve ter uma coloração sectária, mas porque reconhecia estar o mundo vivendo um momento excepcional em que a ninguém é lícito ficar indiferente. O mundo estava doente. Era necessário curá-lo para que depois as criaturas humanas pudessem entregar-se à bela e simples tarefa de viver, de prosseguir na sua busca de beleza e de bondade. Mas... e se não houvesse cura possível? Se o homem, por uma lei inelutável, tivesse de ser sempre o lobo do homem?” (VERÍSSIMO, 1943)


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terça-feira, 9 de agosto de 2011

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Sob a casca dura de cinismo que alimentara com tanto amor durante tanto tempo, ela evidentemente guardava, como qualquer pobre diabo do mundo, a esperança de que era diferente e que viveria para sempre. [KOONTZ, 1993]


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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Que maçada!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, à vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o Diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havermos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Álvaro de Campos

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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Estudo de Planejamento Político 23

Lendo um material para a faculdade, deparei-me com tal absurdo que sucede. É um trecho do Estudo de Planejamento Político 23 [EPP 23], elaborado em 1948, pelo Departamento de Estado dos EUA, redigido pelo então encarregado George Kennan. Na verdade é absurdo, mas nem tanto. Nem tanto, porque a gente já sabe bem como funcionam as coisas por trás dos panos, e ficar chocado não é exatamente a reação.
Esse documento foi concebido como ultra secreto, mais como um diálogo entre os estrategistas americanos do pós-guerra, que objetivavam claramente a hegemonia e monopólio da economia mundial. Essa história dos EUA dominar o mundo parece meio clichê já, mas é interessante perceber como eles realmente estavam articulados no sentido de elaboração de metas e estratégias de dominação, no sentido de ações concretas, para que a gente saia um pouco daquele plano de idéias vagas de conspiração.

Segue um trecho:

Precisamos parar de falar de vagos e irreais objetivos, tais como direitos humanos, elevação do padrão de vida e democratização. Não está longe o dia em que teremos de lidar com conceitos de poder direto. Então, quanto menos impedidos formos por slogans idealistas, melhor. 

"Seguindo essas mesmas linhas, numa reunião de embaixadores americanos na América Latina, em 1950, Kennan observou que a maior preocupação da política externa norte-americana devia ser 'a proteção das nossas (isto é, da América Latina) matérias-primas. Devemos combater a perigosa heresia que, segundo informava a Inteligência americana, estava se espalhando pela América Latina: “A idéia de que o governo tem responsabilidade direta pelo bem do povo'. Os estrategistas americanos chamam esta idéia de comunismo. [...] se elas apóiam tal heresia, elas são comunistas."




Referência:

CHOMSKY, Noam. O que o Tio Sam realmente quer. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1999. 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Reflexões pertinentes...

As crises não constituem anomalias do capitalismo, mas são uma das suas características mais fundamentais.

IHU On-Line - Se Marx previu a natureza da economia mundial no início do século XXI, com base na análise da “sociedade burguesa”, 150 anos antes, que espécie de previsões podemos fazer para nossa economia a partir da sociedade que temos hoje, baseada em valores consumistas e na autonomia?

Claus Magno Germer - Marx foi um cientista, não um profeta. Elaborou uma representação teórica do capitalismo. Se a teoria de um fenômeno o representa adequadamente, ela permite antecipar a ocorrência das principais características do desenvolvimento do fenômeno. A teoria de Marx sobre o capitalismo é uma teoria deste tipo, motivo pelo qual lhe permitiu não só explicar a natureza do capitalismo e do seu funcionamento, como ainda antecipar características que só se tornaram visíveis mais tarde. Além do seu pioneirismo na admissão e explicação teórica das crises, Marx explicou e antecipou o processo geral de centralização do capital que está na base da fase monopolista do capitalismo, inaugurada no final do século XIX; explicou a tendência, amplamente comprovada, de queda cíclica da taxa média de lucro; antecipou e fundamentou teoricamente a existência permanente do desemprego no capitalismo; antecipou o processo de proletarização crescente da população, que pode ser ilustrado pelo crescimento contínuo da proporção do proletariado industrial na população, que passou de apenas cerca de 5% da população mundial no início do século XX para mais de 30% no início do século XXI; antecipou o processo de aumento da polarização entre uma minoria de ricos e uma maioria de pobres, que é ilustrada cotidianamente nos meios de comunicação pelas estatísticas da pobreza e da miséria em escala continental, abarcando pelo menos dois terços da população mundial atual. Estes dados ilustram a antecipação mais importante que decorre da teoria de Marx: de que a intensificação progressiva, embora cíclica, da contradição entre a socialização crescente do trabalho e da produção, isto é, da riqueza, e a privatização crescente desta riqueza e sua concentração nas mãos de uma minoria cada vez mais diminuta, representa o crescimento das potências transformadoras inerentes ao capitalismo e conducentes ao seu fim. Esta contradição se resolverá, por imposição das circunstâncias, através da abolição da propriedade privada dos meios de produção e a instituição da propriedade social, e da conseqüente abolição do motivo egoísta do lucro como base da regulação do trabalho e da produção social e sua substituição pelo critério do atendimento das necessidades da coletividade, em uma palavra, através do socialismo.
Portanto, embora não se possa fazer previsões precisas, dada a complexidade do processo histórico, o que se pode dizer com base na teoria de Marx é que o capitalismo continuará apresentando uma seqüência de expansões e crises, ao longo das quais as contradições enumeradas acima se acentuarão, também de modo cíclico, ampliando a instabilidade global do sistema.

IHU On-Line - Qual a importância do Estado e da regulação dos mercados para recuperação da ordem financeira internacional?
Claus Magno Germer - O marxismo não é ingênuo em relação à natureza e funções do Estado. O Estado e o mercado são, juntamente com a economia, componentes do sistema integrado que é a sociedade capitalista. O Estado é um órgão do capital, isto é, de representação dos interesses da classe capitalista. Conseqüentemente, os instrumentos de regulação que utiliza destinam-se a preservar os interesses e o domínio desta classe e do processo de acumulação de capital. Nas crises, a ação do Estado consiste em socializar os custos, isto é, “sanear” a contabilidade de bancos e empresas mais atingidos, lançando o passivo sobre a sociedade, especialmente sobre os trabalhadores e pobres em geral. É o que está ocorrendo atualmente: os dois ou três trilhões de dólares das operações de salvamento articuladas até este momento pelos governos dos países capitalistas centrais destinam-se a salvar instituições financeiras, mas nada ou muito pouco se diz sobre o destino dos devedores não-capitalistas e dos trabalhadores lançados no desemprego, ou sobre a origem destes recursos.



Referência: Entrevista do economista Claus Germer à Revista on line do IHU, em 2008.
Leia a entrevista na íntegra em Revista IHU on line

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A síndrome dos 20 e tantos

Então... recebi este texto via e-mail. Me identifiquei com muitas coisas, quase todas, exceto que hoje já estou casada e com a certeza aquela que o texto menciona - ainda é novidade, então deixa eu me aparecer... rs rs.
Também vem ao encontro de uma anterior postagem minha [Crise dos 25: http://t.co/MyHXTaN]. Enfim, o texto contém muitas verdades.


A chamam de ‘crise do quarto de vida’.
Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.
Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorada(o) etc..
E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco.
As multidões já não são ‘tão divertidas’...
E as vezes até lhe incomodam.
E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.
Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.
Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.
Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.
Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal.
Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor.
Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar.
Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado(a) para se comprometer pelo resto da vida.
Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbada(o) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido.
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.
Olha para o seu trabalho e, talvez, nao esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.
Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer.
Suas opiniões se tornam mais fortes.
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é.
Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso(a).
De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.
Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.
E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse textos nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes.
Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça…
Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de
aproveitá-la por causa dos nossos medos…
Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro.
Parece que foi ontem que tínhamos 16…
Então, amanha teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?!

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[Autor desconhecido]