terça-feira, 19 de abril de 2011

Eloqüente, mas furado!

Os discursos inflamados, que pregam as revoluções, que clamam por mudanças. Discursos que volta e meia pipocam febrilmente num modismo vazio ao longo da história. Esses discursos muito pouco ou quase nunca saem da boca daqueles que são propriamente o objeto da fala. Talvez por isso, esses discursos nunca encetem ou inspirem mudanças verdadeiras e permanentes. Não são genuínos e obedecem, via de regra, mais a uma tendência sazonal do indivíduo do que a um desejo coletivo de superação. Nunca querem desbestializar os bestializados. É preciso que a besta continue existindo, alimentando os discursos pomposos de uma elite burguesa que nada sabe da vida para além das teorias livrescas. Esses discursos alheios da realidade nunca chegam ao cerne de qualquer questão. São adereços que figuram na prateleira, junto das roupas que encarnam o personagem preocupado, estiloso e, sobretudo, descolado, - bem ao lado daquilo que conhecemos como hipocrisia.



[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Beleza comprada

A profusão absurda, em nossos dias, de centros de beleza, estéticas e afins, fala muito mais do que gostaríamos de admitir sobre as preocupações e prioridades de nosso tempo.







[Por mim mesma, K.]

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Manifesto da solidariedade privada:


A minha solidariedade é finita e condicional. Sem falsos altruísmos, sem hipócritas filantropias, sem  qualquer generosidade egoísta. A minha solidariedade não se submete a insensatezes alheias, nem a qualquer estupidez torpe e medíocre. Também não está para ações bestiais infundadas, ou atitudes pouco ou nada refletidas. Minha humanidade se reserva para os espíritos verdadeiramente humanos, para aqueles que não se curvam aos boçais instintos animais, sejam eles os primitivos primevos ou os neo-primitivos mascarados por uma modernidade decadente. Não, minha solidariedade é minha, e faço dela o que bem quiser, ou não faço nada. Distribuo a quem eu quiser, e considerar merecer, podendo ser nas formas mais variadas, emotivas ou físicas, anônimas ou declaradas. Minha solidariedade é minha e não deve demagogas satisfações à ninguém.


[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobre os casais de plástico

Há casais famintos por alcançar datas de aniversário do relacionamento. Usam-nas numa tentativa desesperada de renovar esperanças que já não mais existem, há tempos. Geralmente as expressam por meio de trocas de presentes, desprovidas de qualquer sentido mais profundo. Há ainda aqueles que 'saem' pra fazer 'algo especial' no intuito de sublinhar a ocasião. Saem, comem, mostram-se, exibem-se para os outros num desfile curioso, num arremedo competitivo e velado. Esforçam-se por fazer saber aos outros que estão juntos ainda - e felizes, muito felizes. 'Viu, como deu certo?' ‘Viu? Consegui!’. A passagem numérica do tempo é o único argumento que encontram para explicar uma felicidade obrigatória que, no fim de contas, não está lá. O tempo é o único poder de legitimação desse amor vazio de sentido.
Não estou aqui falando de todos os casais, nem mesmo da maioria talvez, mas tenho visto por aí alguns exemplos claros de pessoas que não têm absolutamente mérito ou sentimento nenhum em manter um relacionamento. Dão-me a impressão de que em qualquer pessoa que se tivessem escorado, ali permaneceriam até o fim de suas vidas, sem muito esforço, vítimas de uma carência desmedida e pobres de auto-estima. Reitero e complemento um velho ditado: antes só do que mal amado, ou do que mal amante.
Dessa insistência teimosa e despropositada, advêm as traições, as insatisfações, as frustrações, e toda essa balela que a gente já está careca de saber, de homem é assim, mulher é assado.  
As pessoas fazem tudo, mas é sobre muito pouco - ou quase nada - do que fazem que se perguntam sobre os verdadeiros sentidos e desejos. Perpetuam hábitos e costumes que nem mesmo refletem a si mesmos, se é que algum dia refletiram...


[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 5 de abril de 2011

A morta

[...] 
Não havia lua! Que noite! Sentia medo, um medo horrível, nesses caminhos estreitos entre duas filas de túmulos! Túmulos! Túmulos! Túmulos. Sempre túmulos! À direita, à esquerda, à frente, à minha volta, por toda parte, túmulos! Sentei-me num deles, pois não podia mais caminhar, de tal forma meus joelhos se dobravam. Ouvia meu coração bater! E também ouvia outra coisa! O quê? Um rumor confuso, indefinível! Viria esse ruído do meu cérebro desvairado, da noite impenetrável, ou da terra misteriosa, da terra semeada de cadáveres humanos? Olhei à minha volta!
Quanto tempo fiquei ali? Não sei. Estava paralisado de terror, alucinado de pavor, prestes a gritar, prestes a morrer.
E, de súbito, tive a impressão de que a laje de mármore onde estava sentado se movia. Realmente, ela se movia, como se a estivessem levantando. Com um salto, precipitei-me para o túmulo vizinho e vi, sim, vi erguer-se verticalmente a laje que acabara de deixar; e o morto apareceu, um esqueleto nu que empurrava a lápide com as costas encurvadas. Eu via, via muito bem, embora a escuridão fosse profunda. Pude ler sobre a cruz:
"Aqui jaz Jacques Olivant, morto aos cinqüenta e um anos de idade. Amava os seus, foi honesto e bom, e morreu na paz do Senhor."
O morto também lia o que estava escrito no seu túmulo. Depois, apanhou uma pedra no chão, uma pedrinha pontiaguda, e começou a raspar cuidadosamente o que lá estava. Apagou tudo, lentamente, contemplando com seus olhos vazios o lugar onde ainda há pouco existiam letras gravadas; e, com a ponta do osso que fora seu indicador, escreveu com letras luminosas, como essas linhas que traçamos com a ponta de um fósforo:
"Aqui jaz Jacques Olivant, morto aos cinqüenta e um anos de idade. Apressou com maus tratos a morte do pai de quem desejava herdar, torturou a mulher, atormentou os filhos, enganou os vizinhos, roubou sempre que pode e morreu miseravelmente."
Quando acabou de escrever, o morto contemplou sua obra, imóvel. E, voltando-me, notei que todos os túmulos estavam abertos, que todos os cadáveres os tinham abandonado, que todos tinham apagado as mentiras inscritas pelos parentes na pedra funerária, para aí restabelecerem a verdade.
E eu via que todos tinham sido carrascos dos parentes, vingativos, desonestos, hipócritas, mentirosos, pérfidos,caluniadores, invejosos, que tinham roubado, enganado, cometido todos os atos vergonhosos, abomináveis, esses bons pais, essas esposas fiéis, esses filhos devotados, essas moças castas, esses comerciantes probos, esses homens e mulheres ditos irrepreensíveis.
Escreviam todos ao mesmo tempo, no limiar da sua morada eterna, a cruel, terrível e santa verdade que todo mundo ignora ou finge ignorar nesta Terra. 
[...]

Trecho de "A morta" de Guy de Maupassant.

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terça-feira, 29 de março de 2011

Crise dos 25...

Em meados dos 20 chegam as crises, as verdadeiras, mais profundas e mais estruturais crises. Adolescência... pois é... período complicado também, mas cheio de convicção, coisa que se arrefece com o tempo. Lá pelos 25, finalmente percebemos, in ou conscientemente que não vamos mudar o mundo, que não vamos ser estrelas do rock, que nossas vidas não são assistidas pelo resto do mundo, como num reality show. Que estamos no micro e não no macro. Aquela vaga impressão de protagonizar qualquer coisa vai desvanecendo.
Aprendemos a contemplar a simplicidade da vida, a simplicidade da flor. Nesse tempo já juntamos tanta informação, na ansiedade típica da idade, que já nem sabemos mais em que acreditar, nem o que proclamar como filosofia de vida.
Somos então, astros desconhecidos, celebridades anônimas, em luta por um significado, por uma atribuição de sentido, por uma explicação para tudo isso aqui...
E a motivação da vida se torna uma insidiosa expectativa por uma revelação súbita, que nos dê respostas, que nos dê sentidos...

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quarta-feira, 23 de março de 2011

Amor com torradas...

- Mas vocês não vão viver só de amor né?!

- Não, claro que não. Planejamos comer torradas também.




Ps.: E assim os desapaixonados vêem os apaixonados. E vice-versa, e versa-vice.

terça-feira, 15 de março de 2011

Estranhos heróis temos nós...

Vasco então disse que achava essas histórias de farroupilhismos e bravatas e gauchismos muito engraçadas e ridículas. Respondi que não havia nada de engraçado nem ridículo e que os meninos precisavam conhecer a História da sua terra. Eu devia ter ficado calada, porque Vasco se pôs sério de repente e começou a falar, a falar, a falar, despejando um verdadeiro discurso em cima de mim. Demos mais de dez voltas ao redor da praça e o Gato do Mato, sempre falando. Disse que era muito malfeito ensinar às crianças que guerras e revoluções são coisas bonitas, que os heróis são só os generais e os soldados que matam. Disse que enquanto nós professoras ensinarmos na escola que foram os brasileiros que ganharam a batalha do Passo do Rosário, que o Brasil é mais corajoso, mais belo e mais adiantado que a Argentina ou do que o Chile – não poderá haver paz. Disse mais que as crianças vão se criando acostumadas a ouvir elogios à guerra e aos guerreiros e acabam achando que matar é a coisa mais natural e necessária deste mundo.
Quando ele parou um instante para tomar fôlego, eu aproveitei a pausa e disse que os meninos deviam aprender a amar a Pátria. Quando falei em Pátria, Vasco ficou aceso de novo e disse que essa idéia de pátria que nós temos é uma bobagem, que todos os homens são irmãos, são iguais e que por falarem línguas diferentes, terem olhos e cabelos de cor diversa não quer dizer que devam andar se estripando em guerras. [...] Disse que as guerras que nós pensamos que rebentam por causa do famoso patriotismo, são geralmente provocadas pelos vendedores de armamentos e por outros grandes negociantes que podem irar partido das bagunças internacionais. p. 202


[VERÍSSIMO, Érico. Clarissa. 38ª edição. São Paulo: Globo, 1995. 240 p.]



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quinta-feira, 10 de março de 2011

Solipsismo

>> Corrente filosófica que determina que exista apenas um Eu que comanda o Mundo, ou seja, o mundo é controlado consciente ou inconscientemente pelo Ser. Devido a isso, a única certeza de existência é o pensamento, instância psíquica que controla a vontade. O mundo ao redor é apenas um esboço virtual do que o Ser imagina. Como também as pessoas, acreditando que são resultados de uma experiência mental. Além disso, também pode-se considerar o corpo do próprio Ser como algo virtual, como diz a corrente solipsista, tudo é uma reprodução, uma vez que não se pode ter confiança nem nos sentidos que são experimentados, e apenas nos pensamentos, como fonte de certeza de existência. O Solipsismo é basicamente a idéia de que o Ser controla o mundo. É uma crença filosófica que além de nós e nossas experiências, nada existe. É a ideia de que a única realidade cognoscível é o Eu.

Fonte: Wikipedia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O labirinto invisível.

Não sei se tenho o talento, mas a alma mortificada do poeta tenho.
Ainda não sei de que me vale essa alma em farrapos, torturada pela frieza bagunçada do mundo,
Mas farejo a saída. Um dia saio, ou morro tentando.
Um dia, talvez, sinta que saí, mesmo não saindo.
Talvez sinta simplesmente que passei sob o arco da porta e respire a plenos pulmões o ar puro da rua, da liberdade.
O que fica, sempre, é o sentir.
A vida é somada em sentires.
A liberdade está cá dentro e não lá fora.
As paredes do imenso labirinto são nossos medos mais sombrios.
Boa pena a vida ser mestra em mostrar que não há verdades absolutas,
Há, e aos montes, verdades transitórias... provisórias.
Aquelas com mera funcionalidade ornamental.
Essa, por talvez, seja a verdade mais sigilosa e óbvia da existência do homem.




[Por mim mesma, K.]

O sobrevivente

O sobrevivente
Carlos Drummond de Andrade


Impossível compor um poema a essa altura da
evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema - uma linha que
seja - de verdadeira poesia.

O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as
necessidades mais simples.

Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.

Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema.)
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

[A] gnose

     Quando cheguei à maturidade intelectual e comecei a perguntar-me se era ateu, teísta ou panteísta, materialista ou idealista, cristão ou livre-pensador, percebi que quanto mais aprendia e refletia menos fácil era a resposta, até que por fim cheguei à conclusão de que nada tinha a ver com nenhuma dessas definições, com exceção da última. A única coisa em que todas essas excelentes pessoas estavam de acordo era a única coisa em que eu discordava delas. Estavam bastante seguras de que tinham atingido uma certa ‘gnose’ – haviam, com maior ou menor sucesso, resolvido o problema da existência, enquanto eu estava bastante seguro do contrário e possuía uma convicção razoavelmente forte de que o problema era insolúvel. [...] Portanto, meditei e inventei o que me parece ser um rótulo adequado: ‘agnóstico’. Pensei nele como uma antítese sugestiva dos gnósticos da história da Igreja, que professavam conhecer coisas em que eu era ignorante.

[Henry Huxley – biólogo; 'inventor' do termo agnóstico em meados do século XIX; avô de Aldous Huxley, escritor]


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um poema bonito...

Compartilho um belo poema que fala muito sobre meu espírito, e, faço fé, sobre os de muitos outros...


ELEVAÇÃO
Charles Baudelaire

Por sobre os pantanais, os vales orvalhados,
Por sobre o éter e o mar, por sobre o bosque e o monte,
E muito além dos confins dos tetos estrelados,

Meu espírito, vais, com toda a agilidade,
Como um bom nadador deleitado na onda,
Sulcas alegremente a imensidão redonda,
Levado por indizível voluptuosidade.

Bem longe deves voar destes miasmas tão baços;
Vai te purificar por um ar superior,
E bebe, como um puro e divino licor,
O claro fogo que enche os límpidos espaços.

E por trás do pesar e dos tédios terrenos
Que gravam de seu peso a existência dolorosa,
Feliz este que pode de asa vigorosa
Lançar-se para os céus lúcidos e serenos!

Aquele cujo pensar, como a andorinha veloz
Rumo ao céu da manhã em vôo ascencional,
Que plana sobre a vida a entender afinal
A linguagem da flor e da matéria sem voz.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Enter

Paradoxo é logar pra dizer que vai se afastar da internet. Toda a satisfação que negamos ferrenhamente durante anos de rebeldia aos nossos pais e familiares, hoje damos à internet. Muitas vezes, ela (a internet) sabe mais sobre nós mesmos, ou sobre quem pretendemos ser, do que nossa família. Perdemos tempo em auto-definições analíticas para poder elaborar um perfil na rede, mas não nos dispomos a sentar e ter uma conversa sincera com a avó, com o pai, com o irmão. Despendemos longas horas em frenesi virtual, querendo dizer tudo a todos, e muitas vezes mal conhecemos pessoas que convivem ou vivem conosco.


[Por mim mesma, K.]

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

♥

- Eu preciso saber se é realmente possível que duas pessoas fiquem juntas para sempre, apaixonadas.

- O melhor que se pode fazer é encontrar alguém que a ame pelo que você é. De bom humor, de mau humor, bonita, feia, o que for. A pessoa certa continuará vendo raios de sol saindo da sua bunda. Esse é o tipo de pessoa com a qual vale a pena ficar.

[Filme Juno, 2007]

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fanatismo bestial futebolístico

           Sei que esse texto vai doer em muita gente. Paciência. Os incomodados que se incomodem. Eles têm o direito de gostar de futebol, assim como eu tenho o direito de expressar o que penso. 
          Mas o mais [in]crível de toda a imbecilidade futebolística ainda não é os jogadores ganharem milhões verdadeiramente absurdos – o que em si já é uma total e bizarra desvalorização do trabalho e inteligência humanos. Também não é o fato dos fanáticos idolatrarem não mais do que um uniforme, uma combinação de cores – já que o “amor à camisa” virou literalmente amor à camisa apenas. Técnicos duram o tempo de um campeonato e ou são massacrados pela torcida – no caso da derrota – ou abandonam o time por um salário maior – no caso da vitória. Com os jogadores se passa o mesmo. Querem mesmo é prestígio pessoal e, claro, dinheiro, muito dinheiro, quantias monumentais de dinheiro. Mas não cometamos a injustiça de culpá-los por isso, quem não quer não é mesmo? Tudo se resume a uma pura dinâmica administrativa. Por isso, não critico aqui o esporte futebol, que inclusive acho legal como tantos outros esportes, critico o negócio futebol, mascarado de esporte.
            Enfim, o mais [in]crível e irônico mesmo, na minha opinião, é que a esmagadora maioria de torcedores de futebol sequer pratica o esporte. Mas... pão e circo ao povo! Digo, cerveja e futebol!


[Por mim mesma, K.]
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Breve receita de “sucesso” no mundo pós-moderno.

Finja felicidade,
Finja tristeza,
Finja interesse,
Finja indiferença.
Finja ser forte, finja ser fraco.
Finja simpatia, finja hostilidade.
Finja saber, finja ter, finja ser.
Finja ignorância.
Pareça cruel, pareça bonzinho.
E o mais importante: nunca deixe sua alma
escapar através de seus olhos,
ela pode acabar com seus planos,
e certamente o fará.
Denunciará sua real fragilidade humana,
e buscará a sinceridade das coisas.

[Por mim mesma, K.]
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Um amor urbano

É todo dia um novo começo,
um recomeço de tudo de novo,
de tudo de velho.
A música no ouvido, no coração.
O pulsar pulsante e estático.
O movimento imóvel
e o farfalhar do aço.
A ansiedade da partida,
a ansiedade da chegada.
A estada que se faz breve, breve demais.
O repousar noturno e os sonhos intranqüilos.
O sono que é pouco.
É todo dia um amontoado de sucedidos,
aos quais não nego sua devida importância,
os reconheço e os desejo.
Mas como podem esses tantos sucedidos
competir com a ternura do teu olhar?
O tudo parece nada.
Tu és o meu ninho, meu verdadeiro repouso,
e a simplicidade do nosso silêncio me é tudo.
E é como se esses tantos sucedidos
fossem uma contagem regressiva para meu retorno à ti.
E então, minha vida passa do sépia ao pleno colorido do amor.


[Por mim mesma, K.]

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O processo da revolução

     Buenas. Eu não quero me perder aqui em debates teóricos nem nada do tipo. Meu intuito é trazer ao olho algo que está aí pra ser visto, mas que nem sempre percebemos de maneira sensível. A idéia me veio a partir do último filme que vi, "Danton: O processo da revolução". Também havia estudado o período no semestre retrasado, aí decidi fazer a conexão entre os dois e compartilhar.
     Todos sabem e citam a Revolução Francesa - 1789. Realmente foi algo de uma dimensão incrível e que mudou para sempre os rumos das relações políticas no mundo todo. Abriu caminho para uma série de transformações, sem dúvida. Contudo, teve sua índole corrompida. Na chamada fase do Terror (1793) - e ao longo de todo o processo, mas mais acentuadamente nessa fase - a revolução vira uma verdadeira tirania, e cabeças rolam por toda a França, nas guilhotinas, que encarnam verdadeiros símbolos de opressão e ameaça. Robespierre, principal líder do período, estava mais para uma Rainha de Copas: - Cortem-lhe a cabeça! O novo sistema deve se manter a qualquer custo! E todos que discordarem são acusados de crime contra a pátria, de atos contra-revolucionários.
     E não longe dali, depois de uma série de desacertos, alterações convenientes e contraditórias no ideário revolucionário e atos que desvirtuaram completamente o espírito da revolução, logo ali, em 1799, a monarquia retorna a França, sob uma forma militar e violenta, na figura de Napoleão Bonaparte. Repito: a monarquia retorna a França. Em 1799.
    O que quero com esse modesto e breve comentário acerca de um assunto tão complexo, é, simplesmente, mostrar que as coisas não são lineares como nos colocam, nem compartimentadas, fragmentadas. O buraco é muito mais embaixo. As mudanças demandam processos infinitamente complexos e longos, e isso é natural. É preciso que olhemos tendo em vista um horizonte mais amplo, e um pensamento mais crítico e inquisitivo.
     A seguir, coloco algumas passagens da primeira versão da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. Lendo-as, entenderão o que eu quis dizer.


I - Os homens  nascem e permanecem livres e iguais em direitos; as distinções sociais não podem ser fundadas senão sobre a utilidade comum.

II - O objetivo de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem; esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão.

III - O princípio de toda a soberania reside essencialmente na razão; nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane diretamente.

IV - A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique a outrem. Assim, o exercício dos direitos naturais do homem não tem limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo desses mesmos direitos; seus limites não podem ser determinados senão pela lei.

V - A lei não tem o direito de impedir senão as ações nocivas à sociedade. Tudo o que não é negado pela lei não pode ser impedido e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordenar.

VI - A lei é a expressão da vontade geral; todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou por seus representantes, à sua formação; ela deve ser a mesma para todos, seja protegendo, seja punindo. Todos os cidadãos, sendo iguais a seus olhos, são igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo sua capacidade e sem outras distinções que as de suas virtudes e de seus talentos.


XI - A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem; todo o cidadão pode, pois, falar, escrever e imprimir livremente; salvo a responsabilidade do abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei.

XII - A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública; essa força é então instituída para vantagem de todos e não para a utilidade particular daqueles a quem ela for confiada.


XV - A sociedade tem o direito de pedir contas de sua administração a todos os agentes do poder público.



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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sua inveja faz minha fama...

     Esse post é para aqueles por aí, que perdem tempo vivendo a vida dos outros. E o pior, nem vivendo literalmente, mas virtualmente, pelo canal da inveja e do despeito. E vejam bem, que seja um conselho, um bom conselho. Eu, particularmente nem me importo que fuçem, visitem, investiguem, persigam, seja lá o que for, meus perfis virtuais. Sempre digo, quem quer privacidade absoluta que não os faça, simples. Os perfis virtuais não são pra quem quer privacidade. Mesmo assim, hoje já existem meios de restringir acesso à algumas informações. 
     Algumas pessoas fazem até uma cena do tipo "cuide da sua vida" e coisas afins, mostrando-se quase que ofendidas. Acho ridículo. Sinceramente e secretamente até sinto uma pontinha de vaidade por despertar interesses alheios. E meu santo é tão forte que foda-se o olho gordo, ele bate e volta. Esses tempos alguém se deu o tamanho trabalho de criar uma conta de e-mail e um perfil no orkut, só para, através do convite de amizade, - repito e enfatizo: através do convite de amizade - poder me desaforar em meia dúzia de palavras baixas. Me senti honrada! E depois, as palavras apesar de serem horríveis, falaram muito mais sobre a pessoa que as escreveu, e de onde eu doía nela, do que de mim. Acho incrível uma pessoa não se dar conta de uma coisa tão tola e inócua - talvez ela tivesse a vã esperança de me destruir através daquilo. Pffffu!
     Mas enfim. Isso não é um texto criticando essas pessoas. Honestamente, quero dar um conselho positivo a essas pessoas, porque meu espírito é nobre e minha modéstia é pouca: Não perca um tempo precioso da sua vida, vivendo a vida dos outros, secando a vida dos outros. Isso não faz bem pra você. Use esse tempo cuidando da sua vida, de verdade, investindo em você mesmo, crescendo como pessoa, se aprimorando, buscando a sua felicidade. Vá ler um livro, vá ver um filme, reflita sobre o próximo presente que você dará a si mesmo. SEJA FELIZ, de forma saudável, e não através de uma constante esperança de ver a INfelicidade alheia.

[Por mim mesma, K.]


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Animal I have become

Eu já postei tanta coisa aqui, que nos últimos tempos por duas ou mais vezes fiquei com dúvida se já o tinha feito...
Em todo caso acho que não postei essa. Uma música que, de certo modo, fala de uma lado que todos nós possuímos e que, intermitentemente, deixamos vir à tona, na maioria das vezes sem nem mesmo perceber...
A música é Animal I have become, de uma das minhas bandas favoritas, Three Days Grace. Tradução livre, por mim mesma, K.

Ouça a música aqui: http://www.youtube.com/watch?v=C8UBRBYBW6U



I can't escape this hell
Eu não consigo escapar deste inferno 
So many times i've tried
Tantas vezes eu tentei 
But I'm still caged inside
Mas ainda estou preso aqui dentro 
Somebody get me through this nightmare
Alguém me tire deste pesadelo
I can't control myself
Eu não consigo controlar a mim mesmo

So what if you can see the darkest side of me?
E daí que você consegue ver o meu lado negro? 
No one would ever change this animal I have become
Ninguém mudaria essa animal que me tornei
Help me believe it's not the real me
Me ajude a acreditar que esse não é meu eu real 
Somebody help me tame this animal
Alguém me ajude a domar este animal

I can't escape myself
Eu não consigo escapar de mim mesmo 
So many times I've lied
Tantas vezes eu tenho mentido
But there's still rage inside
Mas a raiva ainda está aqui dentro 
Somebody get me through this nightmare
Alguém me tire deste pesadelo
I can't control myself
Eu não consigo controlar a mim mesmo

So what if you can see the darkest side of me?
E daí que você consegue ver o meu lado negro? 
No one would ever change this animal I have become
Ninguém mudaria essa animal que me tornei 
Help me believe it's not the real me
Me ajude a acreditar que esse não é meu eu real 
Somebody help me tame this animal I have become
Alguém me ajude a domar este animal que me tornei

Help me believe it's not the real me
Me ajude a acreditar que esse não é meu eu real 
Somebody help me tame this animal
Alguém me ajude a domar este animal

Somebody help me through this nightmare
Alguém me ajude a sair deste pesadelo 
I can't control myself
Eu não consigo controlar a mim mesmo
Somebody wake me from this nightmare
Alguém me acorde deste pesadelo 
I can't escape this hell
Eu não consigo escapar deste inferno

So what if you can see the darkest side of me?
e daí que você consegue ver o meu lado negro? 
No one will ever change this animal I have become
Ninguém vai mudar essa animal que me tornei

Help me believe it's not the real me
Me ajude a acreditar que essa não é meu eu real 
Somebody help me tame this animal I have become
Alguém me ajuda a domar esse animal que me tornei


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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Inocente TV

     Eu tento não ver. Juro. Tento não ver unicórnios em lugares supostamente comuns. Hoje em dia tento mesmo. A coisa andava a tal ponto que faltava pouco para que eu moldasse um chapéu de alumínio para impedir qualquer dark one de ler meus pensamentos. Mas enfim, teorias do passado.
     Contudo, alguns absurdos são indiscutíveis. Um deles é a evidente campanha midiática para enburrecer as pessoas. Durante minhas férias pude olhar um pouco de televisão e realmente fiquei apavorada. Já nem chama a atenção porque as pessoas nem se dão conta, tão tomadas pela rotina que já estão, lobotomizadas.
Frases soltas nas novelas e programas, mensagens imperceptíveis, mas repetidas infinitamente. E às vezes nem tão imperceptíveis assim, há aquelas que se deixam bastante claras, como um soco na cara.
Olhava eu a Tv Globinho, um programa onde passam desenhos infantis nas manhãs da Globo e eis que surgem duas frases que me estarreceram:

- pra quê se preocupar com a lição de casa quando se pode salvar o mundo - um dos personagens principais, pré-adolescentes, não lembro o nome do desenho;

- perdi meu melhor amigo, mas também, por que se importar com isso se eu tenho uma roupa nova? - Homem Aranha em O espetacular homem aranha;

     Não vou entrar nas questões de dublagem, pois pode muito bem ser que o idioma original nem diga isso. De qualquer forma é o português que nos interessa. Quero deixar claro que isso não é necessariamente um ataque aos desenhos em si.

     Sem dúvida que para alguns, prováveis telespectadores assíduos da caixa eletrônica, parecererão frases inocentes, inseridas na temática do desenho. Eu, por meu lado, percebi de cara um certo tom adestrador e, o pior, em programas dirigidos ao público infantil, numa fase fundamental para a formação de caráter. Essas foram duas frases que me chamaram atenção durante a mesma manhã, em pouco tempo olhando tv. Mas conteúdos similares são metralhados em direção à nossos cérebros durante todo o tempo, e não só através da televisão, de seus programas e propagandas, mas através de todos os canais de comunicação possíveis. É informação utilizada com o claro intuito de manipulação, manipulação esta que é dirigida para fins alheios. Esses fins me parecem claros, a manutenção do consumismo desenfreado, da letargia intelectual, da não indagação e reflexão.
     É como se fôssemos animais irracionais. Somos atraídos pelo brilhante, pelo colorido, atraídos e distraídos. E é uma situação tão cômoda para todos nós que quando de qualquer vislumbre do lado cinza, para além da cortina psicodélica, da coxia decadente e pedante, nós imediatamente nos retraímos e corremos para nossos mundinhos coloridos novamente, tetando nos convencer que nada disso acontece, que não existem más intenções, exceto dos bandidos e assassinos que são mostrados no show de horrores do Datena.
     Com isso tudo não pretendo a extinção da TV e de nenhum meio de comunicação, não pretendo crucificar esses veículos que na realidade constituem uma bênção para a comunicação e integração da humanidade. Não. Não quero mais uma vez repetir o erro de culpar coisas inanimadas ou a "natureza raivosa". Quero apenas alimentar uma esperança de que a cada dia que passa mais e mais pessoas se tornam conscientes disso, mais e mais pessoas se tornem capazes de julgar por si próprias sobre o que concordam ou não, mais e mais pessoas - e esse é o primeiro movimento da mente - se questionem sobre o que vêem, sobre o que escutam, sobre o que lêem, e sobretudo, sobre o que querem para o mundo em que vivem e que é de todos nós.



[Por mim mesma, K.]

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Filmes

Tenho olhado muitos filmes, muitos. Decidi fazer uma listinha de indicações dos melhores que vi nos últimos dias para quem estiver interessado em alguma dica. Aí vai:

O ÚLTIMO TANGO EM PARIS(1972)
PAPILLON (1973)
FOME DE VIVER (1983)
COISAS PRA SE FAZER EM DENVER QUANDO VOCÊ ESTÁ MORTO (1995 )
PSICOSE (1998)
MAR ADENTRO (2004)
A VIDA DOS OUTROS (2006)
INTO THE WILD (2007)
OS FALSÁRIOS (2007)
A ONDA (2008)
ABRAÇOS PARTIDOS (2009)
THE WOLFMAN (2010)

O site que segue é sobre cinema e é ótimo pra saber mais detalhes dos filmes:

http://www.imdb.pt/title/tt0155975/


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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Motoristas de merda...

     Tenho ressalvas quanto aos sinais de trânsito, os luminosos em particular. Sempre confio mais em mim, na minha atenção. Olho para todos os lados, todas as direções possíveis. Ando muito pela rua, em Porto Alegre ainda, cidade de trânsito maluco, de motoristas malucos. Antes de atravessar sempre confirmo meu passo acertado. Vejo cada absurdo por essas ruas - mais ainda depois que comecei a dirigir - que não poderia agir diferente. Vemos todos os dias verdadeiras selvagerias no trânsito, o que vai em total prejuízo de qualquer pretensa civilidade que nós humanos queiramos professar.
     Tenho que dizer, contudo, que talvez o que mais me motive a ter atenção redobrada seja a recusa absoluta de ser morta por um imbecil qualquer, por uma estupidez alheia. Me resigno a morrer por erro próprio, mas morrer por causa de uma besta irracional? Não, me recuso. Morrer por causa de alguém que nem sequer respeita o meio em que vive? Nem sequer respeita a vida que corre nas veias urbanas? Me recuso a morrer assim, morrerei sob mil outras circunstâncias, mas não sob esta. Me recuso!


[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Peripécias de Luíza Lopes

          Aos 17 anos Karina ganhou uma irmã. Filha única até então, não haveria de poder conceber quão forte é o laço entre irmãos. Concebeu-o então, sentiu-o então. E chorou no hospital ao pegar aquela coisinha minúscula, com perninhas compridas e finas e cabeleira negra e generosa.
            Não imaginava, Karina, que com tanto amor, também viessem tantas dúvidas, principalmente no tocante à criação e desenvolvimento de uma criança. E não imaginava também, Karina, o quanto isso a preocuparia de forma latente.
          A pequena Luíza - que é como se chama a coisinha aquela do hospital – está às vésperas de completar 8 anos de idade. É uma pessoinha, pois, em construção, mas já uma pessoinha.
            Explica-me ao telefone, como estará ocupada no final de semana, que será cheio de festinhas de amiguinhas, e de passeios do colégio, e que por conta da agenda atribulada não poderá visitar a irmã mais velha, Karina. A irmã mais velha entende, mas não consegue deixar de sentir certa fisgada no peito, um certo despeito talvez, por ser preterida.
            Mas a despeito de qualquer despeito burro e mesquinho – inerente a todos os humanos – Karina sentiu algo mais. Percebeu de fato a pessoinha Luíza, construindo sua vidinha, suas relações, sua rede de contatos e experiências, e se viu, subitamente, relegada a um plano secundário.
            E isso é bom. Isso é incrivelmente bom. Karina se sente presenciando o construir de uma vida. E tudo bem que não é mais a heroína da irmã, tudo bem. Karina se sente feliz. É como se Luíza deixasse de habitar um único plano virtual, no qual ela é parte de algo, para desenvolver um plano só dela, feito por ela.
            Karina enruga a testa quando Luíza pede um cd do Justin Bieber e se vê numa encruzilhada. Não quer magoar a pequena com argumentos egoístas que a pobrezinha nem mesmo ainda pode articular. Não quer gastar o pouco tempo de que dispõe ao lado da irmã amada tentando convencê-la, numa teimosia inócua e tola, de que o Justin Bieber é um grande bobalhão. Ela não vai concordar. É Karina contra um arsenal televisivo e cultural gigantesco. O que acontecerá, sim, é aquele olhar triste, magoado, pidão e envergonhado. E causar isso é crueldade, das mais injustificadas!
            Karina lembra que em outros tempos já gostou do “É o tchan”, e se dá conta que isso não foi fator relevante na construção da sua personalidade adulta. Decide então por gravar os CDs. Gravados os CDs do Justin Bieber, – que, pasmem, já são dois – Karina os leva para Luíza, na expectativa de ver os olhinhos dela brilharem quando os vir. Inevitavelmente é o que ocorre. E os olhos de Karina também brilham ao ver a irmã tão feliz. E nada mais tem a ver com Justin Bieber, com cultura de massa, com má influência. Tem a ver unicamente com o amor fraterno e com o desejo sincero de felicidade do outro, no caso, da pequena Luíza.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

bons tempos em que os meus desodorantes eram microfones...

        Pensando por esses dias percebi, uma vez mais, como a gente cresce sem notar, ou melhor, como a gente muda sem notar. A gente muda, assim, tão lentamente que é capaz de afirmar categoricamente que nunca vai mudar. Mas sempre chega um momento, por mais que se teime, em que se admite mudar, se admite e se fica feliz por mudar. Mudanças mudas, sorrateiras e profundas, a todo o momento estão acontecendo dentro de cada um de nós. É como a renovação das células mortas do nosso corpo, é como os fios de cabelo que não fazem barulho algum ao se espicharem em nossas cabeças. 
      Assim, num dia qualquer, simplesmente percebemos que já não cantamos mais na frente do espelho com o desodorante fazendo vezes de microfone, dublando loucamente aquela música preferida. Simplesmente já não nos lembramos de o fazer, simplesmente já não nos interessa mais, simplesmente já não nos sobra tempo para o fazer, ou se sobra, o dispendemos em outras coisas que nos interessam mais no momento - No momento... no momento... momento...


[Por mim mesma, K.]

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Amor.

Existem três fontes de atração
No amor dos seres humanos;
São elas o espírito, a mente e o corpo.

A mútua atração dos espíritos
Gera a amizade.

A mútua atração das mentes
Gera o respeito.

A mútua atração dos corpos
Gera o desejo.

E a combinação das três
Gera o amor.

[Verso indiano dos Upanixades. Em: VASSILCHENKO, 1977]

Em consonância com seu uso da teoria geral dos sistemas, Vassilchenko definiu o amor como "um sistema dinâmico complexo, baseado na intelectualidade, emoções e no poder do desejo", e observou que o mesmo consiste de uma multidão de variáveis. Em contraste aos sentimentos temporários de desejo, os sentimentos profundos do "verdadeiro" amor permitem que o relacionamento seja de realização e de totalidade. No "verdadeiro" amor, o indivíduo freqüentemente nega as necessidades do ego pessoal e transforma-se através da união com o outro. [Em KRIPPNER, 1980]

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mais uma linda canção...



How can i pretend that i dont see what you hide so carelessly
Como posso fingir que eu não vejo o que você esconde tão descuidadamente

I saw her bleed
Eu a vi sangrar
You heard me breathe
Você me ouviu respirar
And i froze inside myself
E eu congelei dentro de mim
and turned away
e afastei-me

I must be dreaming
Eu devo estar sonhando

We all live...
Nós todos vivemos
We all die...
Nós todos morremos
That does not begin to justify you
Isso não começa a justificá-lo

It's not what it seems
Não é o que parece
Not what you think
Não é o que você pensa

No i must be dreaming
Não, eu devo estar sonhando
It's only in my mind
É apenas em minha mente
Not real life
Não é a vida real
No i must be dreaming 
Não, eu devo estar sonhando

Help you know i've got to tell someone
Ajude, você sabe que eu tenho que contar a alguém
Tell them what i know you've done
Contar a eles o que eu sei que você fez

I fear you but spoken fears can come true
Eu temo você, mas os medos falados podem se tornar verdade

We all live...
Todos nós vivemos
We all die...
Todos nós morremos
That does not begin to justify you
Isso não começa a justificá-lo

It's not what it seems
Não é o que parece
Not what you think
Não é o que você pensa
No I must be dreaming
Não, eu devo estar sonhando
It's only in my mind
É apenas em minha mente
Not real life
Não é a vida real
No I must be dreaming 
Não, eu devo estar sonhando...


[Untitled - Evanescence. Tradução livre por mim mesma, K.]



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

no mentiroso mundo das aparências...

fazer piadinhas sobre características físicas das pessoas não é apontar um problema no outro, mas mostrar o seu próprio problema...


[Por mim mesma, K.]

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A sincronia dos pássaros me apavora...

       É só olhar para aquele passarinho engaiolado ali do lado para se ter uma boa noção do sadismo humano. Há algo de tremendamente errado nesse hábito de enjaular pássaros. Aliás, de enjaular qualquer coisa. Mas esse, especificamente, de enjaular/engaiolar/aprisionar pássaros é uma das mais cruéis expressões do egoísmo do homem. Algo do tipo: “eu não posso voar, então vou te prender passarinho, aqui nessa jaulinha bem minúscula, e eu sei que tu poderias estar galgando imensas distâncias pelos céus resplandecentes e azuis, mas não vais, entendeu? não vais, porque te acho bonitinho aqui, nessa jaulinha, bem pequenininha!”.
         O pior ainda é ouvir aqueles discursos: “tem passarinhos que existem para viver em gaiolas (do tipo uma linha de produção só para o bel prazer do querido e amável ser humano), que são ‘domésticos’”, ou ainda, “ahh, mas se soltar agora ele morre”.
          - Atenção pessoas!
           Um ato de vaidade, de egoísmo, de arrogância diante da natureza. Um ato asqueroso. Eu mesma, devo confessar, já pensei em ter um passarinho, e pra quê? Pra sei lá, inventar mais um algo pra fazer (como se já não tivesse sido inventado o suficiente), para despistar algum instinto maternal, para me sentir importante e útil, para ter o controle de uma forma de vida, sei lá.
           Se fala em grandes atos heróicos de salvação, se fala de um monte de merda humanitária, e blás e blás infinitos. Mas quer saber, é nessas pequenas coisas que o ser humano mostra sua face verdadeira. E o mais apavorante é saber que absurdos cotidianos como esse são encarados como normalidade pura. Isso é o mais assustador!

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[Por mim mesma, K.]

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...pensando se saio, bebo e fumo, ou se fico em casa, leio e durmo...


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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre o livre arbítrio

           Ao poder do qual o homem supostamente seria dotado, sob determinadas circunstâncias, de agir sem motivos outros que não a própria ação, é dado o nome de livre arbítrio. A existência de tal faculdade nos seres humanos foi - e ainda é - motivo de muita celeuma nos mais variados níveis. Seja como for, é senso comum que a liberdade de escolha está na razão direta das possibilidades daquele que escolhe; não sendo possível admitir-se um "total livre arbítrio". Por exemplo, vivemos num país onde uma maioria de indivíduos possui um número tão reduzido de possibilidades, que nos é possível prever, com nível razoável de acerto, qual será o "destino" desta ou daquela pessoa. (KRIPPNER, 1980)



não discordo, não concordo... mas reflito...

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The Way that I Choose...

Posto essa música aqui, simplesmente porque ela é demais. Linda demais! E a letra dela fala por mim, de certo jeito.


The Way I Choose

Bad Company



I live my life the way that i choose

Eu vivo a minha vida do jeito que eu escolho

I'm satisfied nothing to lose

Eu estou satisfeito, nada a perder

I dont ask no favor i dont know the reason why

Eu não peço favor, eu não sei o por quê

If i dont ask no questions i dont get no lies

Se eu não faço perguntas eu não tenho mentiras


Now you give your love tenderly

Agora você dá seu amor ternamente

Every way that you move is closer to me

Todo os seus movimentos lhe aproximam de mim

I dont need nobody to tell me the reason why

Eu não preciso de ninguém para me dizer o por quê

If i love only you baby

Se eu amo somente você baby


I'll be satisfied

Eu estarei satisfeito

Baby answer my questions

Baby, responda minhas perguntas

If you want say hello

Se você quer dizer olá

Baby dont say goodbye

Baby, não diga adeus


[Tradução livre por mim mesma, K.]






sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Mulher de câncer!

Não posso dizer que sou lá essas coisas ligada em astrologia, ou que creio sem reservas, mas tenho que reconhecer que essa descrição sobre meu signo é mais que perfeita.

Ela é meio doida, qualquer coisa triste e surpreendementemente sábia. Não são extremistas como as geminianas, mas certamente sofrem, regularmente, de uma variação de humor pelo fato de que se ressentem fácil com as coisas. No entanto, se tem uma coisa que não muda na mulher de câncer é o seu senso de economia. São conhecidas no zodíaco pelo porquinho de segurança onde colocam moedas, convictas e determinadas. Escondem seu tesouro debaixo do colchão e ninguém nem desconfia que tem alguma coisa lá, tamanha é a modéstia dessas meninas. E é bem provável que a especulação monetária e o valor do câmbio sejam alguns de seus assuntos preferidos.
Mas não ache que por isso precisa lhe dar presentes caros. Pelo contrário, ela achará isso um exagero. A mulher de Câncer definitivamente não precisa de um homem de posses, só precisa que ele seja capaz de adquiri-las. Ajudará a consegui-lo, mas lhe deixará sozinho se tiver que gastá-lo. Boa notícia! O cartão de crédito não poderia estar em mãos menos perigosas que as delas.
Leve-a para ver o mar, a lua. Isso faz bem as nativas desse signo. Câncer é um signo lunar. Então esse cenário mexe seriamente com essas mulheres (algumas chegam a mudar de acordo com as fases da lua). É ali, num lugar que é delas e só delas (mesmo que seja tão grande quanto o mar), onde se desfazem da carapaça do caranguejo e a imensa infinidade de seus sentimentos respiram aliviados. E ai você vê como, apesar da aparente rigidez, a canceriana é inteiramente feita de água salgada. Pode ser de mar, pode ser de lágrima. Câncer é o signo mais emocional do zodíaco. A racionalidade de suas economias nada mais é que uma resposta ao seu desejo de segurança.
Das duas uma: quando elas estão apaixonadas ou são tão tímidas que parecem desinteressadas ou se insinuam de jeito delicado, feminino e enlouquecedoramente suave. Mas dificilmente serão elas que tomarão a iniciativa. O caranguejo só anda para os lados. Até porque as cancerianas temem muito serem rejeitadas e aceitam sempre muito bem repetidas confirmações de afeto.
São donas de um conceito de amor muito raro e é realmente muita sacanagem brincar com o sentimentos dela que já são tão afetáveis. Esteja certo: uma vez que ela se sinta magoada e decepcionada, veste decidida a sua carapaça e você não sabe mais quem está do seu lado (isso se ela não está trancada na carapaça do quarto dela e só Deus sabe quando ela vai sair de lá). Magoá-la é extremamente fácil. Até se você disser que ela está bonita hoje, pode ser coisa ruim (sim, porque isso significa que ela estava feia ontem).

Cancerianas são assim. Dispostas a enfrentar o que for se você expressar sinceramente que está lá com ela e que ela é importante. Amarão alguém de um jeito dedicado, forte e profundo como o oceano dentro delas. Te fará rir, lhe oferecerá sergurança, bem como estará disposta a sair do caminho de casa e ver onde vai dar aquela estradinha de terra. Basta que você esteja lá.


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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A minha Shakira morreu...

     Lembro-me de quando era bem adolescentizinha, 13, 14 anos. Naqueles anos a gente ouvia fitinhas cassetes e não cds. Meu pai havia me presenteado, após longa importunação minha, com uma fitinha da Shakira, do álbum Pies Descalzos. Eu ouvia sem parar aquela fitinha, e era muito engraçado (olhando do lugar de hoje) pois eu havia fixado em duas músicas, Quiero e Antologia, e como queria ouvi-las continuamente, cada vez que acabavam eu tinha que rebobinar a fita, esperar até o ponto e apertar o play novamente, para curtir de novo a canção. Bons tempos! Minhas únicas preocupações consistiam em rebobinar fitas, e estudar para provas...
      Saudosismos à parte, aquela Shakira de quem eu era fã morreu, e morreu ali mesmo, naquele álbum. Hoje virou mais uma loira rebolativa com pouco ou nenhum conteúdo musical. As pessoas mudam, todos mudam, mas nem sempre pra melhor. No caso dela, acredito que financeiramente tenha mudado para melhor, engordou as contas bancárias, se globalizou, aprendeu a falar inglês, etc.
      Mas enfim, não estou aqui para falar mal da Shakira. Quiero, pelo contrário, trazer à tona essa cálida lembrança da minha adolescência, e compartilhar com aqueles que me lerão um álbum musical de muita qualidade, com belíssimas canções...


Quero

Que eu passe minha vida devorando
Cada pensamento seu, cada passo
Que se apaguem tuas pintas e apareçam em substituição
Desenhados no seu corpo cada beijo, cada abraço

E agora que você está aqui
Eu de novo sou feliz
Posso entender que você foi feito para mim

Deixa-me te querer tanto que você se seque com meu pranto
Que escureça todo o céu e que chova até fazer poças
Deixe-me te beijar tanto até que fique sem hálito
E te abraçar com tanta força que quebre até teus ossos

E agora que você está aqui
Eu de novo sou feliz
Posso entender que você foi feito para mim

Quero me exceder, te perseguir, te cortejar
Quero amar você noite e dia
Quero gastar a minha vida
Quero amarrar você aos meu sessenta de cintura
Levar-te como tatuagem
Quero perder o senso


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A corporação, 2003

CINEASTA: MARK ACHBAR, JENNIFER ABBOTT
GÊNERO: DOCUMENTÁRIO/HISTÓRICO
ORIGEM: CANADÁ
Esse documentário deveria ser obrigatório! É realmente fantástico. Ele trata, evidentemente da "corporação", essa instituição que causa tanta controvérsia e polêmica nos dias de hoje. Mas o que é exatamente "a corporação", qual sua natureza, qual sua função? Em que medida ela foi desvirtuada com o passar dos anos?
Baseado no livro homônimo de Mark Achbar, o documentário consegue expandir vertinosamente alguns conceitos chaves para compreensão do mundo em que vivemos e, sobretudo, da economia em que vivemos.

Disponibilizo o link para o download do documentário:

Créditos para o link de download: