quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A corporação, 2003

CINEASTA: MARK ACHBAR, JENNIFER ABBOTT
GÊNERO: DOCUMENTÁRIO/HISTÓRICO
ORIGEM: CANADÁ
Esse documentário deveria ser obrigatório! É realmente fantástico. Ele trata, evidentemente da "corporação", essa instituição que causa tanta controvérsia e polêmica nos dias de hoje. Mas o que é exatamente "a corporação", qual sua natureza, qual sua função? Em que medida ela foi desvirtuada com o passar dos anos?
Baseado no livro homônimo de Mark Achbar, o documentário consegue expandir vertinosamente alguns conceitos chaves para compreensão do mundo em que vivemos e, sobretudo, da economia em que vivemos.

Disponibilizo o link para o download do documentário:

Créditos para o link de download: 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um conto com ratos...

Eu andava por um corredor estreito, entre paredes altas de concreto. Não enxergava meus pés, não enxergava o chão, só via e sentia uma neblina densa e rasteira. 
Escuridão. 
Sentia volumes sob meus pés, mas não podia ver... não podia ver...
Cheguei, enfim, a uma abertura no meu lado esquerdo. Lá estava claro, claro de uma luz desmaiada e fraca. Era um jardim. Um jardim de flores mortas, secas e escuras. No chão, ratos, muitos ratos. Ratos sujos do que parecia ser sangue. Ratos vivos, mas podres. 
Eu gritei. 
Não um grito de pânico ou de medo, mas um grito vibrante que espantou alguns daqueles seres asquerosos, como se os varresse. Alguns ficaram no caminho, e eu simplesmente catei algo do chão para atirar neles. Apertei sob meus dedos e lancei, lancei com toda força e raiva de que era capaz. 
Foi então que olhei para minha mão e ela estava suja. Ensangüentada e pútrida. 
Aterrorizada percebi: aquilo que havia jogado era outro rato, morto e podre. 
Vi a peste se espalhando sobre meu corpo, me consumindo, me apodrecendo, e de repente o chão ficou fofo e lamacento sob meus pés e me engoliu.
Uma queda vertiginosa me fez querer gritar, mas a lama sufocava minha garganta, me sufocava. Numa escuridão total e apavorante eu senti minha vida escapando entre os dedos. 
E do que parecia ser meu último respiro desesperado veio a luz da manhã invadindo minha retina, me acordando num susto...
Respirei fundo olhando para o teto...
um sonho...
um péssimo sonho...




[Agosto de 2010. Por mim mesma, K.]


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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um dia amaldiçoado pelos deuses

            Hoje, em Porto Alegre, menos vale uma sombrinha do que um par de esquis na Bahia. Mas a história começa um pouco antes. O dia se me apresentava como um pedaço de chocolate branco recheado de negresco. Carona do namorado até a estação São Leopoldo. Um ônibus a menos na incrível jornada à Porto Alegre. Beijos, Bom trabalho, Fica bem, Até mais tarde. Mal sabia eu o que o dia me reservava para além daquela plataforma de trem de todo dia.
            Na estação Esteio o trem parou. Lá veio a voz do maquinista “Senhores usuários, devido a problemas técnicos, este trem ficará parado por alguns instantes”. Instantes que somaram quase meia hora. Finalmente o trem deu partida vagarosamente, e dali para adiante ficou parado de 3 a 5 minutos em cada estação. Foi uma angústia sem fim. Todos aflitos, ligando para seus empregos, se explicando, etc. Minha sorte foi ter comigo, como de costume, um livro. Assim eu li a viagem inteira e tornei menos drástico aquele sentimento de ansiedade. Júlio Verne, A volta ao mundo em 80 dias. Moral da história: saí da estação São Leopoldo às 6:10, cheguei em Porto Alegre às 7:45.
            Chegando à estação Mercado me dei conta de que havia esquecido meu cartão tri no bolso do outro casaco. Fui trabalhar a semana inteira com aquele casaco, hoje tinha decidido colocar outro. É verdade também que não tenho o hábito de deixar o cartão nos bolsos, sempre colocando ele de volta dentro da mochila. Mas o acaso é a sorte do azar. Ontem eu tinha depositado todos os meus pilas no banco, que eram 16, estava, pois, sem um tostão na algibeira. Então pensei, vou ter de passar no caixa eletrônico para pegar dinheiro para pagar a passagem do ônibus de Porto Alegre. Há, ou havia, um caixa desses 24 horas ali dentro da própria estação Mercado, onde eu sempre sacava dinheiro. Mas hoje, quando eu cheguei lá, o caixa simplesmente havia desaparecido! Sumiu, escafedeu-se. Justo hoje! Aliás, NADA justo nisto.
            Tudo bem, vamos lá. Ainda não havia esmorecido. Passo no Banco do Brasil ali da Rua Uruguai. Quando subi as escadas e tentei abrir minha sombrinha ela decidiu que só queria abrir para fora. Foi uma peleia, mas consegui. Tão logo alcancei a rua percebi que a coisa não tava boa. Ventão forte! Achei que a sombrinha ia quebrar, e a chuva vinha de todos os lados, e até de baixo me parecia. E aquilo tudo parecia um campo cheio de micro batalhas, todos em firme briga com suas sombrinhas que por sua vez brigavam com o vento. Vento não. Ventão.
            Ao atravessar para a Uruguai eu já estava mais que molhada. Cheguei até o banco, com não pouco esforço. Me senti numa missão militar, tendo que atravessar impossíveis terrenos, com visibilidade escassa ou nula. Saquei 5 pila, e tomei o caminho de volta, subindo pela Borges de Medeiros até a Salgado Filho para pegar o ônibus. Bem na esquina uma verdadeira corredeira, acho que algum cano havia estourado. Mas já resignada, e muito encharcada é verdade, não me atucanei com mais aquela água que entrava nos meus tênis. Logo encostou um 398 Pinheiro que pude pegar. Passei na roleta, entreguei os 5 para o cobrador, recebi o troco e fui me sentar, com ares de vencida. Conferi o troco e percebi que, por ato in ou voluntário o cobrador me havia logrado com 5 centavos no troco. Não tinha forças para reivindicar aqueles 5 centavos. Não tinha.
            Descendo na Bento, tentei dar ares de normalidade ao meu dia, atravessei a rua e fui a padaria comprar dois pastéis, dos quais me considerei merecedora naquela circunstância. Saí, esperei na beira da rua para atravessar e um carro filho da puta, melhor, um motorista filho da puta passou em disparada numa poça de água no canto da rua. Nem preciso dizer que a água foi toda para mim. Mas, como disse, nessas alturas já havia encarnado um espírito de resignação.
            Cheguei finalmente ao trabalho, num estado de ânimo que parecia surreal. Tirei minhas roupas, meia, tênis. Os coloquei junto com a mochila, também encharcada, em frente a um ventilador numa sala a parte. Coloquei o uniforme. Liguei o aquecedor nos meus pés, que estão descalços. Servi um café quente e fui comer os meus pastéis. 

Pontos positivos:

Meu tênis ficou limpo;
Os pastéis e o café nunca pareceram tão saborosos;
Agora estou sã e salva da selva de pedra molhada.

Pontos negativos:

Todo o resto.

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Corvus Corax - Ballade De Mercy

Muito bom!!!

Porque blá!

Veja bem, blá blá blá. Porque blá blá blá. Então blá blá blá e blá. Entendeu? :

Às vezes é melhor, necessário e mais digno que digamos simplesmente 'Não sei'.

Portishead - Roads

As músicas do Portshead podem ser classificadas em ótimas e menos ótimas...

Automatizações

Seja olhando um filme legendado por programas automáticos, ou letras traduzidas na internet, também por programas automáticos. Chega a ser bom pensar que, ao menos no que diz respeito as ciências humanas, o ser humano ainda não é facilmente substituível por automatizações.



[Por mim mesma, K.]

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$

Quando você olha para uma pessoa e julga aspectos interessantes por indicarem que ela tem dinheiro. Quando você associa esses aspectos interessantes necessariamente com coisas caras e que representam $, então, meu amigo... sinto lhe informar, mas você não é NADA interessante...


[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 28 de setembro de 2010

?

E me perguntei: se Deus existe, por que fica de fora? Não será Deus ateu?
(GALEANO, 1989)
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MUJERES LIBRES!

Mulher, ama sobre todas as coisas. Antes, porém, aprende o Bom Amor. No Bom Amor pesa tanto o alto como o baixo, o Pensamento como a carne, a Doçura como o Desejo, e é incompleto se lhe falta qualquer uma dessas coisas. [...] Para ele, é necessário plena liberdade, porém, capacidade plena também [...]. Só se é livre quando se pode tomar uma decisão entre todas aquelas que a ocasião oferece; quando se pode escolher um caminho depois de haver reconhecidos todos os outros, avaliando seus valores e aceitando suas conseqüências [...]. Se não te capacitas, mulher, serás um ser de instintos, serás uma carne simples, monótona e limitada, fechada em ti mesma e por ti mesma abolida.

(Elogio do Amor Livre por Amparo Posh y Gascón/ Revista Mujeres Libres, nº 3/Espanha, 1936)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

...

eu não tenho mais a mesma paciência pra me explicar, 
quem entender, entendeu... 
quem não entender, faz o favor de pensar mais uma vez, ou de largar de mão...
duelo entre egos intelectuais não me instiga mais...
eu quero construir e trocar idéias...
mas percebo que algumas pessoas olham, lêem, analisam, querendo, já por premissa, derrubar...
enfim... não tenho mais paciência...




[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

...

Algumas coisas que acontecem em nossas vidas se fazem difíceis de crer, fazem com que criemos barreiras que nos impedem a entrega total...
Não obstante a magia e o brilho intensos, são reais, estão ali, ao nosso alcance, nos esperando de braços abertos para que nos entreguemos de corpo e alma, para que acreditemos e vivamos...
E quando nos livramos de todo o medo que o maravilhoso nos impõe, atingimos uma felicidade pura e transcendente... 


[Por mim mesma, K.]

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

de um ponto a outro sem sair do lugar...

e vou eu, nesse trem, a pensar em ti, a sonhar-te...
te admirando com os olhares do pensamento...
te sentindo com o tato da memória...
com teu nome atravessado na minha garganta...
que saudade bandida essa que me aperta a alma 
e faz de mim esse ser imaginador de amor...


[Por mim mesma, K.]

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Somebody - Depeche Mode

Bem, aqui vai mais uma belíssima canção do Depeche Mode, mais uma vez, interpretada por Marin Gore. No fim posto o vídeo ao vivo desta música. Muito lindo, só piano e voz.



I want somebody to share, share the rest of my life
eu quero alguém para compartilhar, compartilhar o resto da minha vida
share my innermost thoughts, know my intimate details
compartilhar meus mais íntimos pensamentos, conhecer meus mais íntimos detalhes
someone who'll stand by my side and give me support
alguém que vai estar bem do meu lado e me dar apoio
and in return she'll get my support
e em retorno ela terá o meu apoio
she will listen to me when I want to speak
ela me escutará, quando eu quiser falar
about the world we live in and life in general
sobre o mundo em que vivemos e sobre a vida em geral
though my views may be wrong, they may even be perverted
embora meus pontos de vista possam estar errados, e mesmo serem pervertidos
she'll hear me out and won't easily be converted to my way of thinking
ela me ouvirá, e não será convertida facilmente para meu modo de pensar
in fact she'll often disagree but at the end of it all she will understand me
na verdade, ela discordará freqüentemente, mas ao término de tudo ela me entenderá
I want somebody who cares for me passionately, with every thought and with every breath
eu quero alguém que se importe comigo apaixonadamente, com cada pensamento e com cada respiração
someone who'll help me see things in a different light
alguém que me ajudará a ver as coisas sob uma luz diferente
all the things I detest I will almost like
todas as coisas que eu detesto eu quase gostarei
I don't want to be tied to anyone's strings
eu não quero ser amarrado às rédeas de alguém
I'm carefully trying to stay clear of those things
e estou tentando cuidadosamente ficar afastado essas coisas
and when I'm asleep I want somebody
e quando eu estiver dormindo, eu quero alguém
who will put their arms around me and kiss me tenderly
alguém que coloque seus braços ao meus redor e me beije com ternura
though things like this make me sick, in a case like this, I'll get away with it
 embora coisas como essas me deixem doente, nesse caso, eu arcarei com isso...




Tradução livre por mim mesma, K.







quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cada vez mais surge "modinhas". O que acha que isso mostra: que a juventade ta cada vez mais perdida, ou que por ter hoje em dia tudo tão fácil, as pessoas estão virando sedentárias idiotas?

Eu acho que é uma convergência social, um processo quase antropológico. É uma geração praticamente perdida. Principalmente pelo contexto sócio-econômico e tecnológico. A gente vive um momento onde a mídia não tem nenhum escrúpulo, e onde os jovens não têm nada pra fazer, nada pra pensar (até teria, mas tudo que é difícil não vale a pena, vivemos numa época imediatista). São cabeças vazias à mercê da propaganda. E quando me refiro à propaganda me refiro à todas as esferas onde ela está inserida nos dias de hoje, ou seja, em todas, ela é quase onipresente, se é que não o é realmente. E é um ciclo vicioso, e se torna cada vez mais difícil sair desse ciclo. E também entra a questão de valores. Vivemos numa sociedade extremamente, hoje mais do que nunca, baseada na estética, na aparência. Onde parecer ser/ter é muito mais importante do que ser. Onde a opinião alheia é fundamental, mas também muito vazia. Onde se valoriza o medíocre, o raso, o superficial. Se conhece cada vez menos de cada vez mais. Uma poluição cultural com poucos ou nenhum critério. 

Contudo, eu acredito e vejo isso como um processo da evolução social humana, uma transformação, e que com certeza vai nos levar a um outro lugar. Se esse lugar vai ser melhor ou pior não sei, mas sei que vai ser diferente.
Esses "sedentários idiotas" subjugados por modinhas são subprodutos do sistema em que vivemos, são meras peças. Tenho pena desse tipo de gente na real, por que percebo o quão limitadas e vazias elas são, o quão sem significado são suas vidas.

Enfim, esses são meus achismos... hehe

=)

Tendo em vista a precariedade do sistema prisional, tu és a favor da redução da maioridade penal para 16 anos?

Olha, pra ser sincera não é um assunto que eu tenha refletido muito. Então qualquer opinião que eu proferir vai acabar por ser rasa. Mas, na minha opinião, entram muitos aspectos sociais em jogo. Se analisar por esse lado, de que o sistema prisional está superlotado, que está ruindo, realmente tu te pergunta se realmente é viável diminuir a maioridade. Mas por outro lado não concordo em basear novas situações em erros. Porque daí se está fazendo uma coisa não porque se acha realmente que é o melhor, mas porque não se quer corrigir um erro anterior. Então talvez devêssemos primeiro pensar no próprio sistema carcerário atual, e não como uma esfera isolada, mas como um sintoma de que algo vai mal (muito mal) na sociedade. Portanto, sendo objetiva, acho que se um adolescente de 16 anos tem condições de votar nas eleições que, por excelência, é a maior e mais importante expressão da democracia, então com certeza tem plenas condições de ser punido como "adulto", por um instrumento, que, para todos os efeitos, também é fruto da democracia. Mas considerando as circunstâncias, para chegar a tal ponto, é preciso primeiro que aconteçam mudanças profundas na estrutura social, para além dos muros e das grades, no próprio caminho que é trilhado antes de se chegar lá. Utópico, sim, mas nem por isso impossível.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Se a ciência assumir que existe uma tal Inteligência Espiritual, não estaria ela a subsidiar, de algum modo, a mediunidade?

Eu encaro o sobrenatural, não como algum tipo de delírio, mas como um mundo a ser descoberto. Eu não acredito que a ciência humana já explicou tudo que existe, ou mesmo que ela já tenha chegado na lógica básica ou fundamental sobre a existência. Penso que qualquer dado novo pode nos deixar totalmente perdidos. Por exemplo (pra citar o Arquivo X ¬¬), vai que daqui a pouco topamos com uma forma de vida baseada em silício, mudaria totalmente nossos parâmetros.
Contudo, o conceito "inteligência espiritual" precisa ser definido. Numa "inteligência", no sentido de lógica, eu acredito e não vejo nenhuma implicação maior. Mas "consciência espiritual" é que é o problema, às vezes as pessoas confundem. A questão da "consciência espiritual" já penso que é muito mais uma projeção cultural/psicológica humana.
Então, pra concluir, em relação a mediunidade, eu analiso a possibilidade desta dentro da própria ciência, e não fora dela. Neste sentido, a ciência não estaria "assumindo", mas explicando, pois a ciência, por definição, diz respeito ao que é provado com base em procedimentos e evidências científicas. Ela não pode simplesmente decidir acreditar ou defender algo. Portanto, acho que em algum momento a ciência pode vir a chegar ao ponto de explicar fenômenos mediúnicos, colocá-los num nível do natural.



[Por mim mesma, K.]

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Considerações de um ônibus...

Alguns-muitos-todos sentem o intenso desejo de dar algum sentido a sua vida, de deixar, de alguma forma, algo atrás de si, de fazer a diferença sob algum aspecto. Talvez deste intenso e inerente desejo, é que nasçam as coleções de tudo que se possa imaginar, ou os recordes, as façanhas, a eterna busca de superação. Talvez muito do homem nasça desse sentimento tão íntimo, dessa agonia, dessa ânsia por dar algum sentido a existência, individual ou mais ampla.
Felizes aqueles que conseguem justificar sua existência na cotidiana e despretensiosa prática de viver.


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[Por mim mesma, K.]



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Como o ser humano poderia se redimir perante si próprio após tantas gerações de individualidade?

Eu vejo que o ser humano em geral, tem a mania de inventar entidades onde possa descarregar toda a culpa sobre tudo. Assim foi com o Diabo, assim foi com o “sistema”, o “capitalismo”, etc. E assim, evidentemente, me refiro ao tal de “individualismo”, que na verdade é uma ausência total de coletividade, uma indiferença ao próximo, uma “ruindade” incipiente do homem. Ou seja, a maldade e perversidade do ser humano. Eu posso dizer que sou individualista, na medida em que não gosto de depender de ninguém, na medida em que não quero dividir todas as minhas coisas, gosto de ter minhas coisas, meu canto, meus segredos. Então não vou ser hipócrita e gritar: abaixo ao individualismo! Mas eu tenho um senso de coletividade muito forte, nas pequenas coisas, naquelas que realmente importam, do dia-a-dia. Eu penso no meu próximo, quando ando na rua. Quando leio rápido um livro pra devolver logo pra que outra pessoa possa ler, quando dou meus livros (BONS) pra biblioteca pública municipal pra que outras pessoas possam ter acesso a eles. Quando respeito o pensamento das outras pessoas, quando não as julgo pela roupa ou aparência, quando percebo que a vida é mais do que o simples agora, do que o efêmero tempo de minha geração. Isso está na minha esfera de possibilidade. Eu não sou uma pessoa de grandes atos heróicos, que quer salvar a humanidade. Principalmente porque ela não quer ser salva. Eu não sou essa pessoa, e nem serei pra meramente seguir uma tendência. Respeito muito quem se dedica a isso, mas isso não é pra mim. O que não quer dizer que não me importe, que seja uma desalmada egoísta. Esse tipo de maldade é o pior de todos, fazer o “bem” pra criticar quem não o faz, ou pra jogar na cara de todos que o faz, ou ainda pior, pra comprar sua entrada no céu. Enfim, acho que desvirtuei a resposta, mas era isso que tinha pra dizer no momento. ¬¬

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Como você define a vida?

Nossa! Lembro de já ter falado sobre isso pessoalmente contigo. Buenas, bora lá. Antes de tudo, e muito importante, eu acredito, hoje mais do que nunca, que nossas definições sobre o que é a vida são muito dinâmicas, mutáveis e particulares. Elas têm muito mais a ver com os conhecimentos e as experiências que agregamos ao logo de nossos caminhos pessoais do que com qualquer verdade absoluta. Então eu posso dizer que qualquer que seja o meu discorrer sobre o assunto nesse momento, ele vai estar impregnado do que eu sou agora, quase como um reflexo no meu estágio evolutivo. Mas enfim, hoje, para mim, a vida é uma oportunidade de crescimento pessoal, espiritual e humano. Pra MIM, é como EU quero aproveitá-la.
Lembrei-me de um trecho da Rice que, apesar de ingênuo, reflete MUITO meu estado de ânimo sobre o assunto atualmente.

- Só existe um propósito na vida: dar testemunho de e compreender o máximo possível a complexidade do mundo – sua beleza, seus mistérios, seus enigmas. Quanto mais você compreende, quanto mais você olha, mais você aproveita a vida e mais você se sente em paz. É simples assim. Todo o resto são prazeres e jogos. Se uma atividade não tiver como base “amar” ou “aprender”, ela não tem valor. [RICE, 1996]

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Galeano

Mas provoca-me engulhos, confesso, ler alguns trabalhos valiosos de certos sociólogos, politicólogos, economistas ou historiadores que escrevem em código. A linguagem hermética nem sempre é o preço inevitável da profundidade. Em alguns casos pode estar simplesmente escondendo uma incapacidade de comunicação, elevando-a à categoria de virtude intelectual. Suspeito que o fastio serve, dessa forma, para bendizer a ordem estabelecida: confirma que o conhecimento é um privilégio das elites. [GALEANO, 1971]

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Conselhos para a madrugada

Primeiramente, uma coisa banal, mas que precisa ser dita. Se você, em algum momento, sentir que está bêbado demais, que passou do nível de dignidade pública, por favor, não tente flertar com ninguém, não vai ser legal para você mesmo.
Segundamente. Se você, em algum momento, sentir que está  realmente interessado em alguém numa festa e, com "realmente interessado" quero dizer que você realmente pensa que aquela pessoa pode acrescentar à sua vida, que aquela pessoa pode ser "aquela pessoa". Enfim, se sentir que seu interesse vai além da atração física e de qualquer superficialidade noturna corriqueira. Bom, então, eu dou um conselho simples: não comece um diálogo com essa pessoa dizendo como você acha ela bonita!
Primeiro, se ela gostar desse elogio, é porque ela é egocêntrica e valoriza a aparência, coisa que, na minha humilde opinião, não é muito interessante. Segundo que se ela ficar com você, só por isso, só porque você a acha bonita e massageou um pouco o ego dela, então é cabível de você se perguntar: é com esse tipo de pessoa medíocre e rasa que eu quero estar durante a minha vida?
Claro que eu estou falando sobre uma situação específica, partindo de um pressuposto de que você esteja realmente interessado em alguém, e com "realmente interessado" quero dizer aquilo que já disse lá em cima.
É claro que entre uma situação e outra existem N variáveis, e etc. Só quis dar minha opinião sobre algumas situações pelas quais já passei, ou pelas quais já vi amigos passarem. Mas cada um busca sua felicidade do jeito que melhor lhe apetece.
Obs.: Me refiro aqui aos dois gêneros, homens e mulheres, usei 'ela' porque me referi sempre ao termo 'pessoa'.


[Por mim mesma, K.]

quarta-feira, 28 de julho de 2010

.um oco nada.

- Costumava acreditar que superaria isto. Que quando a dor por tudo que aconteceu o deixasse, voltaria a ter calor e se encheria de amor, e se encheria daquela curiosidade feroz e insaciável que demonstrou em nosso primeiro encontro, aquela consciência inveterada e aquela sede de saber que o levou à Paris e à minha cela. Pensei que fizessem parte de você e não pudessem morrer. [...] E acreditei que o atrairia e o prenderia a mim. E teríamos muito tempo, seríamos professor um do outro. Todas as coisas que lhe trouxessem felicidade também me trariam, e eu seria o guardião de sua dor. Meu poder seria o seu poder. Minha força também. Mas você está morto por dentro, é frio e está fora de meu alcance! É como se eu não estivesse aqui, a seu lado. E sem estar com você, tenho a terrível sensação de que simplesmente não existo. E você é tão insensível e distante quanto estas estranhas pinturas modernas de linhas e formas brutas que não posso amar ou compreender, tão enigmático quanto as esculturas mecânicas atuais, que não têm forma humana. Tremo quando estou próximo de você. Olho em seus olhos e não encontro meu reflexo...


(Armand)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Blue Dress - Depeche Mode

Decidi postar essa música porque ela tem sido muito especial, e muito ouvida, quase que obsessivamente...
não porque eu tenha um vestido azul, ou porque se traduza de alguma forma na minha vida. Mas simplesmente porque essa música é absurdamente linda... e eu tenho vontade de chorar quando escuto ela. Sinto um amor muito impregnado nesta letra e nessa melodia, e talvez, pensando melhor, se reflita na minha vida na forma do desejo de viver um sentimento assim... enfim... enjoy... 

Ps.: Ah, e ao contrário do que é fácil pensar, não é o Dave Gahan que canta essa música, mas o Martin L. Gore, guitarrista, vocalista e multi-instrumentista da banda. Ele tem uma voz incrivelmente parecida com a do Dave, embora exista algo fundamentalmente diferente, que é quase impossível de identificar. Acabei descobrindo que as minhas músicas preferidas do Depeche Mode são cantadas pelo Martin, um acaso nem tão casual.

ou 

Put it on
And don't say a word
Put it on
The one that I prefer
Put it on
And stand before my eyes
Put it on
Please don't question why

Can you believe

Something so simple
Something so trivial
Makes me a happy man
Can't you understand
Say you believe
Just how easy
It is to please me

Because when you learn

You'll know what makes the world turn

Put it on

I can feel so much
Put it on
I don't need to touch
Put it on
Here before my eyes
Put it on
Because you realise
And you believe

Something so worthless

Serves a purpose
It makes me a happy man
Can't you understand
Say you believe
Just how easy
It is to please me

Because when you learn

You'll know what makes the world turn

sexta-feira, 9 de julho de 2010

"Será a vida um túnel entre duas vagas claridades ou uma claridade entre dois triângulos escuros?" - Pablo Neruda

analisando sob uma ótica de nível de conhecimento humano acerca dos limites naturais da vida e, assim, considerando que não sabemos muito sobre de onde viemos e nem sobre pra onde vamos, creio que é a segunda opção...

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terça-feira, 6 de julho de 2010

...

pensando esse dias...
cheguei a conclusão de que pra ser 'alguém' na vida, 
eu precisaria abrir mão do alguém que eu realmente sou...
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[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Uma pergunta simples: como podemos (efetivamente) mudar o mundo, fazer com que ele seja bom para todos?

Bah, essa pergunta não exatamente simples, mas enfim...
Acho que o mais efetivo é vivermos nós, no nosso cotidiano da maneira mais humana e coletiva possível, nos enxergarmos, cada um de nós, como parte de um todo. E isso eu digo nos mínimos detalhes: não atropelar as pessoas ao entrar ou sair do trem, não bater nas pessoas na rua, respeitar o outro, a vida em si. Princípios básicos de humanidade e coletividade.
É no que acredito, e é o que está ao meu alcance, como pessoa. Conforme vamos deixando a responsabilidade para grandes atos heróicos, cada vez mais a esfera de mudança se distancia de nós.

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago...


“(...) afinal a ausência é também uma morte, a única e importante diferença é a esperança”. 
(SARAMAGO, 1991) 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

música, para quê te quero...



— Bem, na minha opinião não há nenhum sentido em falar-se a respeito de música. Nunca falo sobre isto. Que responder, então, às suas observações eruditas e judiciosas? O senhor tem toda a razão naquilo que afirma. Mas, veja, eu sou um músico, não um erudito, e no que diz respeito à música acho que não há a menor importância em estar alguém com a razão. A música não depende de estarmos com razão, de termos bom gosto ou erudição musical e tudo o mais.
— Ah, não? E de que depende então?
— De se fazer música, Sr. Haller, de se fazer música tão boa e tão abundante quanto possível e com toda a intensidade de que alguém é capaz. Aí é que está a coisa, Monsieur. Ainda que eu tivesse na memória toda a obra de Bach e de Haydn e pudesse dizer as coisas mais admiráveis a respeito delas, isto não teria a menor utilidade para os outros. Mas quando tomo meu instrumento e toco um shitnmy bem movimentado, seja este bom ou mau, há de causar alegria a alguém, entrará pelas pernas e até chegará ao sangue. Isto e somente isto é o que importa. Observe a fisionomia dos pares num salão de dança no momento em que a música volta a tocar após uma pausa prolongada, observe como os olhos brilham, como as pernas se movem e os rostos começam a sorrir. É por isso que se faz música.
— Muito bem, Sr. Pablo. Mas não é só a música sensual que existe, existe também a espiritual. Além daquela música que se executa no momento, existe a música imortal que sobrevive mesmo quando já não é interpretada. Pode estar uma pessoa sozinha deitada e vir lhe ao pensamento um trecho da Flauta Mágica ou da Paixão Segundo Mateus, então a música se faz realidade sem que alguém precise de soprar a flauta ou de arranhar o violino.
— Sem dúvida, Sr. Haller. Também o Yearning e Valencia são reproduzidos cada noite por muitas pessoas solitárias e sonhadoras; até a mais humilde datilografa tem na cabeça, quando está no escritório, os ritmos do último one-step e acompanha no teclado o seu compasso. O senhor tem razão. A todas essas pessoas solitárias eu concedo a música muda, seja ela o Yearning, seja a Flauta Mágica ou Valencia. Mas, de onde recebem, porém, esses homens a música solitária e muda? Recebem-na de nós, dos músicos, pois primeiro ela tem de ser executada e ouvida e penetrar no sangue, antes que alguém possa pensar nela sozinho em seu quarto e com ela sonhar.
— De acordo — disse friamente. — No entanto, não se pode colocar no mesmo plano a música de Mozart e o último foxtrote. E não é a mesma coisa servir ao público música divina e eterna ou música barata e efêmera.
Quando Pablo percebeu a excitação de minha voz, assumiu a expressão facial mais amável, tocou-me o braço e falou com incrível doçura:
— Ah! meu caro senhor, nisto dos planos pode ser que o senhor tenha toda a razão.
Nada tenho a objetar que coloque Mozart, Haydn e Valentia no plano que melhor lhe agrade. A mim pouco importa. Nada tenho de decidir sobre tais planos, nunca me perguntaram nada sobre eles. É possível que continuem a executar Mozart daqui a cem anos e talvez daqui a dois anos já nenhuma orquestra toqueValencia, mas isso podemos deixar tranqüilamente nas mãos de Deus. Ele é justo e tem em suas mãos a duração da vida de todos nós, até mesmo de cada valsa e de cada foxtrote. Ele saberá fazer o que é justo. Mas nós os músicos temos de fazer a nossa parte, o que é nosso dever e nosso ofício: devemos tocar o que o público pede no momento e devemos fazê-lo bem e de maneira bela e tocar com todo o entusiasmo possível.
Suspirando, assenti também a isto. Não havia jeito de enquadrar o homem. (HESSE, 1927)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Carta...


Você tem razão. Foi desprezível o modo que o deixei. Pior, foi covardia. Prometo que, quando nos encontrarmos novamente, vou deixá-lo dizer tudo que tem a dizer.
Eu tenho uma teoria sobre Rembrandt. Passei muitas horas estudando seus quadros em todas as partes do mundo – em Amsterdã, Chicago, Nova York, nos lugares em que eles estão – e como eu disse, acredito que tantas almas tão perfeitas não poderiam ter existido como Rembrandt nos quer fazer acreditar.
Esta é a minha teoria e por favor, quando ler esta carta, lembre-se de que ela acomoda todos os elementos envolvidos. E essa acomodação era outrora a medida da elegância das teorias... antes da palavra “ciência” passar a significar o que significa hoje.
Acredito que Rembrandt vendeu a alma ao demônio quando era jovem. Foi um negócio simples. O demônio prometeu que ele seria o pintor mais famoso do seu tempo. O demônio enviou milhares de mortais para que Rembrandt os retratasse. Deu riqueza a Rembrandt, uma casa encantadora em Amsterdã, uma esposa e mais tarde uma amante, porque estava certo de que teria sua alma, no fim.
Mas o encontro com o demônio provocou uma mudança em Rembrandt. Depois de ver a prova inegável do mal, passou a ser atormentado pela seguinte pergunta. O que é o bem? Procurava nos rostos dos seus modelos a divindade interior e com surpresa viu que era capaz de encontrar uma fagulha dessa divindade nos homens mais desprezíveis.
Seu talento era tal que – e por favor, compreenda, o demônio não conferiu a Rembrandt nenhuma habilidade artística; ele possuía naturalmente esse talento – não só podia ver a bondade, como também podia reproduzi-la na tela, podia fazer com que seu conhecimento e sua fé nessa bondade impregnasse o todo.
A cada retrato ele compreendia mais profundamente a graça e a bondade que existiam nos homens. Compreendia a potencialidade de compaixão e de sabedoria que existe em cada alma humana. Sua arte foi se aperfeiçoando à medida que trabalhava; o vislumbre do infinito tornava-se cada vez mais sutil, a pessoa cada vez mais particular e mais grandioso e mais sereno o todo.
Finalmente, os rostos pintados por Rembrandt não eram mais rostos de carne e osso. Eram expressões espirituais, retratos do que havia no interior do corpo do homem ou da mulher, visões do que cada pessoa era no seu momento de maior grandeza, do que cada um havia se tornado a partir daquele momento.
Por isso os homens da associação dos mercadores de tecidos parecem todos com os mais antigos e mais sábios santos de Deus.
Porém em nenhum outro lugar essa intensidade espiritual manifesta-se com maior clareza do que nos auto-retratos de Rembrandt. E certamente você sabe que ele nos deixou nada menos do que vinte e dois.
Por que acha que Rembrandt fez tantos auto-retratos? Eram uma súplica para que Deus notasse o progresso deste homem que, observando outros iguais a ele, sofrera uma intensa transformação religiosa. “Esta é a minha visão do homem”, disse Rembrandt a Deus.
Quando Rembrandt chegava ao fim da sua vida, o demônio começou a ter suspeitas. Não queria que seu escravo criasse obras tão magníficas, tão repletas de calor e bondade. Acreditava que o povo holandês era materialista, portanto voltado para as coisas terrenas. E ali, nos quadros onde apareciam ricas roupas e objetos de valor, cintilava a prova inegável de que os seres humanos são completamente diferentes de qualquer outro animal do cosmo – são uma combinação preciosa de carne e chama imortal.
Bem, Rembrandt suportou todos os tormentos inventados pelo demônio. Perdeu a bela casa na Jodenbreestraat. Perdeu a amante e, por fim, até o filho. Contudo continuou a pintar, sem nenhuma demonstração de amargura ou de perversidade, continuou a infundir o amor nas suas obras.
Finalmente estava no seu leito de morte. O demônio cabriolava de alegria, pronto para apanhar a alma de Rembrandt e apertá-la entre os dedos do mal. Mas os anjos e os santos imploraram a intervenção de Deus.
“No mundo inteiro, quem conhece melhor a bondade?” Eles perguntaram, apontando para Rembrandt que agonizava. “Quem mostrou mais do que este pintor? Olhamos para seus retratos quando queremos saber o que há de divino no homem.”
Então Deus desfez o acordo entre Rembrandt e o demônio. Tomou para si a alma do pintor e o demônio, recentemente roubado da alma de Fausto pela mesma razão, ficou louco de raiva.
Bem, ele enterraria na obscuridade a vida de Rembrandt. Providenciaria para que todos os bens pessoais daquele homem e todos os registros sobre sua vida fossem engolidos pela corrente do tempo. Por isso pouco sabemos sobre a verdadeira vida de Rembrandt, ou que tipo de homem ele era.
Mas o demônio  não pôde controlar o destino dos seus quadros. Por mais que tentasse, não conseguiu fazer com que fossem queimados, jogados fora ou postos de lado para dar lugar aos artistas mais novos. Na verdade, aconteceu uma coisa muito curiosa, aparentemente de origem desconhecida. Rembrandt tornou-se o mais admirado pintor que já existiu. Rembrandt veio a ser o maior pintor de todos os tempos.
Essa é a minha teoria sobre Rembrandt e aqueles rostos.
Agora, se eu fosse mortal, escreveria um romance sobre Rembrandt com esse tema. Mas não sou mortal. Não posso salvar a minha alma através da arte ou de Boas Obras. Sou uma criatura igual ao demônio, com uma diferença. Eu amo os quadros de Rembrandt!
Mas olhar para eles me parte o coração. Meu coração se partiu quando vi você no museu. E tem razão quando diz que não há vampiros com rostos iguais aos dos santos da associação dos mercadores de tecidos.
Por isso eu o deixei daquele modo no museu. Não foi com a raiva do demônio. Apenas com mágoa.
Outra vez prometo que, no nosso próximo encontro, eu o deixarei dizer tudo que tem para dizer.



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Lestat
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

"[...] Maquiavel conclui, através do estudo dos antigos e da intimidade com os potentados da época, que os homens são todos egoístas e ambiciosos, só recuando da prática do mal quando coagidos pela força da lei [...]". Concorda? Essa lei seria a re

Olha, eu acredito que o ser humano é complexo demais para reduzir tudo a bem e mal... Maquiavel escreveu há quase 500 anos atrás, escreveu com base numa realidade diversa. Ele mesmo diz que atitudes tidas como "más" podem se mostrar boas em relação a "bons" resultados na administração e manutenção de uma ordem...
em relação aos homens recuarem apenas pela força da lei, penso que realmente não funciona assim, vivemos hoje uma crise que encarna justamente o contrário disso... a lei já não consegue coibir problemas sociais e psicológicos seríssimos... então, não concordo...

mas enfim, sem querer discorrer em mais construções teóricas pseudo analíticas, eu acredito que a vida seja muito mais colorida do que a simples dicotomia entre bem e mal... ou que a natureza do ser humano é essa, ou aquela... existem muitas nuances e situações a serem consideradas...

blá, blá...

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Arranques teus olhos soberbos que não te deixam ver!

Tu realmente não vês...
Não encostas mais no meu terno coração...
Mesmo com todas tuas firulas fulas, medianas e baratas...
Tão mundanas...
Só te servem de bengala... para te auto-impressionar...
Quanto esforço empreendes tu para te mostrar...
Num eterno desfile... numa comédia trágica e pedante...
Um ato que inventas e encenas como protagonista...
Comédia tosca que orgulhosamente tu chamas de vida...
E tu fazes um esforço tão exagerado e tolo...
Tudo para parecer frio e distante... indiferente...
Um esforço que só me inspira pena...
Pena esta que te figura como vestígios de amor e simpatia...
Pois teu ego é grande e voraz... engole a ti mesmo...
Entendes, meu caro! De uma vez para sempre!
Se minhas palavras são tão doces e minha voz tão suave,
É somente por ser meu coração seco e gelado para contigo...
Mas tu não vês...
Afogado num mar de aplausos imaginários...
Tu...
Fique contigo e tua eterna e mascarada solidão...


[Por mim mesma, K., nov/2009]

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ser Poeta - Florbela Espanca

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Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!


É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!


É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!


E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

sem criatividade para títulos...


Dizem que o melhor da festa é esperar por ela.
Este momento, talvez seja um dos únicos que ritualizo na minha vida.
Nada decidido, de comum acordo entre meu coração e minha consciência.
- Estranha essa separação né? Coração x Consciência. Ou ainda, Emoção x Razão.
Quão tolo o ser humano é acreditando nessa tolice.
Mas, não fosse essa tolice, talvez não houvesse arte, de qualquer tipo, no sentido emocional, passional da coisa. Se o ser humano se acreditasse puramente um mecanismo complexo, seria o fim da arte.-
Enfim, continuando...
Ritualizo a espera, sim. Sou vítima involuntária da ansiedade.
O ansioso vislumbra a festa em seus detalhes, cria mundos paralelos, diferenciados por pequenas borboletas pisadas e pisoteadas...
É impossível que as expectativas imaginadas não inundem a realidade no decorrer dos fatos... tanto para mais, quanto para menos...
Mas se pudesse escolher... ainda assim, permaneceria ansiosa...
Melhor! Quereria um conta-gotas de ansiedade para temperar meus batimentos cardíacos... minha fome de vida...
Mas não gostaria, a troco de nada nessa vida, de descolorir meus sonhos acordados...

[Por mim mesma, K.]

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Esperança... simples assim...


Assim como andança está para andar,
esperança está para esperar.
Mas entre aquele que espera e o esperançoso existem diferenças fundamentais,
são eles personagens distintos...
Ao contrário daquele que espera, o esperançoso aguarda por algo que está além da lógica cadente dos acontecimentos da vida. Ele espera no mistério, pelo próprio mistério.
O esperar que mora na esperança, é uma prática muito diversa de esperar...
é um esperar alegre, mudo e tenso...
com sorrisos e suspiros vindos do mundo dos sonhos...
vindos da nossa alma, alimentados e coloridos pelas esperanças que nos devoram...


[Por mim mesma, K.]







ps.:

Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e que se repete todos os dias, não é senão uma coisa muda. Somente o acaso tem voz. Tentamos interpretar o acaso como as ciganas lêem no fundo de uma xícara o desenho deixado pela borra de café. O acaso tem suas mágicas, a necessidade não. Pra que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se juntem desde o primeiro instante, como os passarinhos sobre os ombros de São Francisco. [KUNDERA, 1983]

quarta-feira, 24 de março de 2010

- René Magritte -

René François Ghislain Magritte 
(Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967)


ando meio assim...


O que você pensa sobre os downloads "ilegais" e a indústria fonográfica nos dias de hoje?

Olha, eu penso que é uma questão a ser enfrentada. Ainda existe uma certa confusão em torno do assunto, porque querem, a todo custo, nos empurrar a associação direta entre "downloads" e "pirataria". Por mais que, pensando mais detidamente, nós saibamos que não é a mesma coisa, tendemos a manifestar o mesmo sentimento em torno da idéia, porque é exatamente isso que a grande indústria quer.
A grosso modo, eu costumo comparar com o sistema de e-mail. Seria uma estupidez humana, se depois de todo conhecimento e desenvolvimento empregado no sistema de e-mail, os "grandões" do correio dissessem "Não! Mandar cartas por e-mail é ilegal, vocês têm que usar o sistema físico de correspondência". Deixando de lado as questões de direitos autorais, por hora, é exatamente a mesma coisa.
Eles querem colocar a pasta de dente de volta no tubo. É impossível! Sem contar que é simplesmente ridículo querer privar a humanidade desse recurso fantástico que é o download. Sem nenhum exagero, hoje todos podem ter acesso a tudo! Estamos amarrados por problemas sociais? Sim. Mas a premissa básica é a possibilidade de acesso à qualquer coisa. Seriados, músicas, filmes. Isso é fantástico!!!!
Outra coisa importante é a questão da indústria fonográfica. A indústria em si está falindo, e tem que falir mesmo. Não estamos pregando sustentabilidade? Proteção ao meio ambiente? Então, se a gente tem a possibilidade da mesma produção cultural, porém, sem toda a matéria prima utilizada e o lixo produzido, então meu deus! Que coisa maravilhosa!
É claro que que é uma grande mudança, como tantas outras que a sociedade tem que enfrentar, como tantos paradigmas que foram e que ainda estão por serem superados. É um processo de transição.
Quanto a questão "artística", todo mundo sabe que artista ganha dinheiro com N outras coisas, contratos, shows, etc. E se caso perderem alguma coisa da venda de discos, azar. Agora a humanidade inteira tem que se privar do acesso fácil a cultura, pra que os artistas continuem ganhando o mesmo dinheiro. Eles terão que se adaptar, ora pois!
O mundo muda, e tem que mudar mesmo!
Continuar dizendo que a terra é plana só pra vender os mapas já feitos, não dá né!!!!

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quinta-feira, 18 de março de 2010

Um conto sobre diferenças de gênero...

Era o terceiro encontro de Lídia e Vasco. Ambos já sabiam de todas as devidas informações um do outro, ou, pelo menos, daquelas que ambos preferiam mostrar um para o outro. Embora tivessem conversado sobre muitas coisas a tal altura, a atmosfera entre os dois ainda sustentava um desconforto incômodo, daqueles inerentes a falta de cumplicidade natural e imediata. Fato era que muito pouco haviam se tocado, uns beijos molhados daqui, uns agarrões dali. Mas ainda não tinham se entregado a volúpia sexual. Sentados numa mesa de bar, os dois sabiam que naquela noite poderia acontecer o ato carnal e pecaminoso. Afinal de contas, era o terceiro encontro, e assim, como decidido por uma assembléia pública, sabiam que já era-lhes permitido.
Lídia se entregava com mudo desespero ao vinho, seu fiel inibidor da inibição. Na medida em que os dois ficavam embriagados a conversa fluía em sorrisos e histórias de vida. “Um inevitável ritual de acasalamento”, pensava Lídia...
Vasco de sua parte não dava tamanha importância ao ato sexual, mas sabia que existiam certas prerrogativas, certa “burocracia”. Com isso se sentia feliz por finalmente chegar ao ápice da cena.
Nesse ponto da história é preciso revelar certa peculiaridade de Lídia. A moça tinha certa dificuldade (leia-se impossibilidade) de atingir o clímax sexual sob qualquer efeito de álcool. Dito isto, podemos inferir que Lídia já vislumbrava grandes pedacinhos da sua noite.
Depois de longa noite de fingimentos e atuações, a manhã chegou, e o álcool fora embora. O mesmo clima de desconforto pairava entre ambos, e um abismo os separava. Vasco, entretanto, estampava no rosto um ar de dever cumprido, melhor, de quem suplantara todas as expectativas. Sustentava um orgulhoso ar de garanhão.
Lídia, muito embora tentasse disfarçar com vários sorrisos pálidos e comentários aleatórios, tinha encostada sobre sua alma a sombra da decepção. A origem de qualquer dos seus sentimentos não estava em ter dormido com um total estranho, e agora percebia, que por cem encontros que tivesse com Vasco ele nunca passaria disso, um total e completo estranho. Sentia-se violada, mostrara seu corpo nu em pelo a um total estranho, todas as suas curvas foram reveladas. O mundo físico claramente não estava nem de longe em acordo com o mental. Lídia sentia-se como quem tivesse se vendido barato, afinal, nem um mísero orgasmo tivera, o que, se tivesse ocorrido, com certeza mudaria seu sentimento em relação a tudo aquilo. Tudo que sabia era que nunca mais queria sentir aquele sentimento novamente, um cruel sentimento de vazio interno.
Na despedida matinal, Lídia virou-se para Vasco, no carro, e apenas proferiu laconicamente essas palavras: “Adeus, não me ligue mais”.


fim.


[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 16 de março de 2010

Rembrandt...

Eu tenho gostado muito de ver quadros, conhecer pintores... nenhuma auto imposição intelectual nem nada, apenas um interesse que vem crescendo naturalmente. Ah! Como gosto desses interesses que crescem naturalmente dentro de mim...
Um recente que venho conhecendo é o Rembrandt... é um pintor clássico, mas de uma melancolia e pureza únicas...





The Music Party 
1626
Oil on wood
Rijksmuseum, Amsterdam

O que te inspira?

Acho que a grande e única causa de todos os efeitos é a prática de viver... de sentir... imaginar...

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é, pois é... né...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Qual seria o resumo de um livro intitulado "O amor segundo Karina Lopes"?

duas almas absurdamente atormentadas que encontram paz quando unidas pelo desejo e cumplicidade!

e viveram felizes para sempre.

fim.

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Você não acha que a quantidade absurda de eventos sinistro que, atualmente, ocorrem - de terremotos e enchentes à violência brutal e decadência humana - são sinais do Apocalipse?! o.O [/conspiracy]

apocalipse como conceito bíblico não, porque acreditar nisso implicaria dar fé ao tal livro...
acredito que o ser humano está sofrendo muitas das conseqüências de seus atos ao longo da história, em relação ao uso do planeta, mas também acredito que o planeta também tenha seus devidos ciclos geológicos e astronômicos...
além disso, temos o aspecto social da coisa, eu enxergo a sociedade como um organismo vivo e auto-regulador... a violência e a decadência seriam frutos desse processo de auto-regulação... (Já leu "O macaco nu"?)
eu posso entender o termo "apocalipse" num sentido mais metafórico, como um processo de transição e transformação...



"A civilização ocidental nem por um segundo vai oscilar à margem do abismo. E não haverá revelações de tempos remotos, nem meias-verdades e adivinhações apresentadas pelos velhos, nem promessas de respostas que de fato não existem e jamais existiram" (Lestat, The Vampire)

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sexta-feira, 5 de março de 2010

Hey baby... (sentimentalmente sentimental)


Ei!
O que fazes tu da tua vida que não estás cá no meu abraço?
Onde está teu bem amado agora, além de escrevendo essas palavras pálidas?
Psiu! Olha pra cá! Não vês o meu cansaço de tanto gritar?
Já estou rouca...
Mas isso é coisa pouca...
Comparado a tua cegueira crônica...
Vem pelo tato, pela audição, já que não me enxergas, mas vem...
E podes até tropeçar um pouco antes, que eu impeço a tua queda...
E te prometo, só te deixo cair no meu amor...


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[Por mim mesma, K.]