sexta-feira, 4 de junho de 2010

música, para quê te quero...



— Bem, na minha opinião não há nenhum sentido em falar-se a respeito de música. Nunca falo sobre isto. Que responder, então, às suas observações eruditas e judiciosas? O senhor tem toda a razão naquilo que afirma. Mas, veja, eu sou um músico, não um erudito, e no que diz respeito à música acho que não há a menor importância em estar alguém com a razão. A música não depende de estarmos com razão, de termos bom gosto ou erudição musical e tudo o mais.
— Ah, não? E de que depende então?
— De se fazer música, Sr. Haller, de se fazer música tão boa e tão abundante quanto possível e com toda a intensidade de que alguém é capaz. Aí é que está a coisa, Monsieur. Ainda que eu tivesse na memória toda a obra de Bach e de Haydn e pudesse dizer as coisas mais admiráveis a respeito delas, isto não teria a menor utilidade para os outros. Mas quando tomo meu instrumento e toco um shitnmy bem movimentado, seja este bom ou mau, há de causar alegria a alguém, entrará pelas pernas e até chegará ao sangue. Isto e somente isto é o que importa. Observe a fisionomia dos pares num salão de dança no momento em que a música volta a tocar após uma pausa prolongada, observe como os olhos brilham, como as pernas se movem e os rostos começam a sorrir. É por isso que se faz música.
— Muito bem, Sr. Pablo. Mas não é só a música sensual que existe, existe também a espiritual. Além daquela música que se executa no momento, existe a música imortal que sobrevive mesmo quando já não é interpretada. Pode estar uma pessoa sozinha deitada e vir lhe ao pensamento um trecho da Flauta Mágica ou da Paixão Segundo Mateus, então a música se faz realidade sem que alguém precise de soprar a flauta ou de arranhar o violino.
— Sem dúvida, Sr. Haller. Também o Yearning e Valencia são reproduzidos cada noite por muitas pessoas solitárias e sonhadoras; até a mais humilde datilografa tem na cabeça, quando está no escritório, os ritmos do último one-step e acompanha no teclado o seu compasso. O senhor tem razão. A todas essas pessoas solitárias eu concedo a música muda, seja ela o Yearning, seja a Flauta Mágica ou Valencia. Mas, de onde recebem, porém, esses homens a música solitária e muda? Recebem-na de nós, dos músicos, pois primeiro ela tem de ser executada e ouvida e penetrar no sangue, antes que alguém possa pensar nela sozinho em seu quarto e com ela sonhar.
— De acordo — disse friamente. — No entanto, não se pode colocar no mesmo plano a música de Mozart e o último foxtrote. E não é a mesma coisa servir ao público música divina e eterna ou música barata e efêmera.
Quando Pablo percebeu a excitação de minha voz, assumiu a expressão facial mais amável, tocou-me o braço e falou com incrível doçura:
— Ah! meu caro senhor, nisto dos planos pode ser que o senhor tenha toda a razão.
Nada tenho a objetar que coloque Mozart, Haydn e Valentia no plano que melhor lhe agrade. A mim pouco importa. Nada tenho de decidir sobre tais planos, nunca me perguntaram nada sobre eles. É possível que continuem a executar Mozart daqui a cem anos e talvez daqui a dois anos já nenhuma orquestra toqueValencia, mas isso podemos deixar tranqüilamente nas mãos de Deus. Ele é justo e tem em suas mãos a duração da vida de todos nós, até mesmo de cada valsa e de cada foxtrote. Ele saberá fazer o que é justo. Mas nós os músicos temos de fazer a nossa parte, o que é nosso dever e nosso ofício: devemos tocar o que o público pede no momento e devemos fazê-lo bem e de maneira bela e tocar com todo o entusiasmo possível.
Suspirando, assenti também a isto. Não havia jeito de enquadrar o homem. (HESSE, 1927)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Carta...


Você tem razão. Foi desprezível o modo que o deixei. Pior, foi covardia. Prometo que, quando nos encontrarmos novamente, vou deixá-lo dizer tudo que tem a dizer.
Eu tenho uma teoria sobre Rembrandt. Passei muitas horas estudando seus quadros em todas as partes do mundo – em Amsterdã, Chicago, Nova York, nos lugares em que eles estão – e como eu disse, acredito que tantas almas tão perfeitas não poderiam ter existido como Rembrandt nos quer fazer acreditar.
Esta é a minha teoria e por favor, quando ler esta carta, lembre-se de que ela acomoda todos os elementos envolvidos. E essa acomodação era outrora a medida da elegância das teorias... antes da palavra “ciência” passar a significar o que significa hoje.
Acredito que Rembrandt vendeu a alma ao demônio quando era jovem. Foi um negócio simples. O demônio prometeu que ele seria o pintor mais famoso do seu tempo. O demônio enviou milhares de mortais para que Rembrandt os retratasse. Deu riqueza a Rembrandt, uma casa encantadora em Amsterdã, uma esposa e mais tarde uma amante, porque estava certo de que teria sua alma, no fim.
Mas o encontro com o demônio provocou uma mudança em Rembrandt. Depois de ver a prova inegável do mal, passou a ser atormentado pela seguinte pergunta. O que é o bem? Procurava nos rostos dos seus modelos a divindade interior e com surpresa viu que era capaz de encontrar uma fagulha dessa divindade nos homens mais desprezíveis.
Seu talento era tal que – e por favor, compreenda, o demônio não conferiu a Rembrandt nenhuma habilidade artística; ele possuía naturalmente esse talento – não só podia ver a bondade, como também podia reproduzi-la na tela, podia fazer com que seu conhecimento e sua fé nessa bondade impregnasse o todo.
A cada retrato ele compreendia mais profundamente a graça e a bondade que existiam nos homens. Compreendia a potencialidade de compaixão e de sabedoria que existe em cada alma humana. Sua arte foi se aperfeiçoando à medida que trabalhava; o vislumbre do infinito tornava-se cada vez mais sutil, a pessoa cada vez mais particular e mais grandioso e mais sereno o todo.
Finalmente, os rostos pintados por Rembrandt não eram mais rostos de carne e osso. Eram expressões espirituais, retratos do que havia no interior do corpo do homem ou da mulher, visões do que cada pessoa era no seu momento de maior grandeza, do que cada um havia se tornado a partir daquele momento.
Por isso os homens da associação dos mercadores de tecidos parecem todos com os mais antigos e mais sábios santos de Deus.
Porém em nenhum outro lugar essa intensidade espiritual manifesta-se com maior clareza do que nos auto-retratos de Rembrandt. E certamente você sabe que ele nos deixou nada menos do que vinte e dois.
Por que acha que Rembrandt fez tantos auto-retratos? Eram uma súplica para que Deus notasse o progresso deste homem que, observando outros iguais a ele, sofrera uma intensa transformação religiosa. “Esta é a minha visão do homem”, disse Rembrandt a Deus.
Quando Rembrandt chegava ao fim da sua vida, o demônio começou a ter suspeitas. Não queria que seu escravo criasse obras tão magníficas, tão repletas de calor e bondade. Acreditava que o povo holandês era materialista, portanto voltado para as coisas terrenas. E ali, nos quadros onde apareciam ricas roupas e objetos de valor, cintilava a prova inegável de que os seres humanos são completamente diferentes de qualquer outro animal do cosmo – são uma combinação preciosa de carne e chama imortal.
Bem, Rembrandt suportou todos os tormentos inventados pelo demônio. Perdeu a bela casa na Jodenbreestraat. Perdeu a amante e, por fim, até o filho. Contudo continuou a pintar, sem nenhuma demonstração de amargura ou de perversidade, continuou a infundir o amor nas suas obras.
Finalmente estava no seu leito de morte. O demônio cabriolava de alegria, pronto para apanhar a alma de Rembrandt e apertá-la entre os dedos do mal. Mas os anjos e os santos imploraram a intervenção de Deus.
“No mundo inteiro, quem conhece melhor a bondade?” Eles perguntaram, apontando para Rembrandt que agonizava. “Quem mostrou mais do que este pintor? Olhamos para seus retratos quando queremos saber o que há de divino no homem.”
Então Deus desfez o acordo entre Rembrandt e o demônio. Tomou para si a alma do pintor e o demônio, recentemente roubado da alma de Fausto pela mesma razão, ficou louco de raiva.
Bem, ele enterraria na obscuridade a vida de Rembrandt. Providenciaria para que todos os bens pessoais daquele homem e todos os registros sobre sua vida fossem engolidos pela corrente do tempo. Por isso pouco sabemos sobre a verdadeira vida de Rembrandt, ou que tipo de homem ele era.
Mas o demônio  não pôde controlar o destino dos seus quadros. Por mais que tentasse, não conseguiu fazer com que fossem queimados, jogados fora ou postos de lado para dar lugar aos artistas mais novos. Na verdade, aconteceu uma coisa muito curiosa, aparentemente de origem desconhecida. Rembrandt tornou-se o mais admirado pintor que já existiu. Rembrandt veio a ser o maior pintor de todos os tempos.
Essa é a minha teoria sobre Rembrandt e aqueles rostos.
Agora, se eu fosse mortal, escreveria um romance sobre Rembrandt com esse tema. Mas não sou mortal. Não posso salvar a minha alma através da arte ou de Boas Obras. Sou uma criatura igual ao demônio, com uma diferença. Eu amo os quadros de Rembrandt!
Mas olhar para eles me parte o coração. Meu coração se partiu quando vi você no museu. E tem razão quando diz que não há vampiros com rostos iguais aos dos santos da associação dos mercadores de tecidos.
Por isso eu o deixei daquele modo no museu. Não foi com a raiva do demônio. Apenas com mágoa.
Outra vez prometo que, no nosso próximo encontro, eu o deixarei dizer tudo que tem para dizer.



.

Lestat
.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

"[...] Maquiavel conclui, através do estudo dos antigos e da intimidade com os potentados da época, que os homens são todos egoístas e ambiciosos, só recuando da prática do mal quando coagidos pela força da lei [...]". Concorda? Essa lei seria a re

Olha, eu acredito que o ser humano é complexo demais para reduzir tudo a bem e mal... Maquiavel escreveu há quase 500 anos atrás, escreveu com base numa realidade diversa. Ele mesmo diz que atitudes tidas como "más" podem se mostrar boas em relação a "bons" resultados na administração e manutenção de uma ordem...
em relação aos homens recuarem apenas pela força da lei, penso que realmente não funciona assim, vivemos hoje uma crise que encarna justamente o contrário disso... a lei já não consegue coibir problemas sociais e psicológicos seríssimos... então, não concordo...

mas enfim, sem querer discorrer em mais construções teóricas pseudo analíticas, eu acredito que a vida seja muito mais colorida do que a simples dicotomia entre bem e mal... ou que a natureza do ser humano é essa, ou aquela... existem muitas nuances e situações a serem consideradas...

blá, blá...

Ask me anything

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Arranques teus olhos soberbos que não te deixam ver!

Tu realmente não vês...
Não encostas mais no meu terno coração...
Mesmo com todas tuas firulas fulas, medianas e baratas...
Tão mundanas...
Só te servem de bengala... para te auto-impressionar...
Quanto esforço empreendes tu para te mostrar...
Num eterno desfile... numa comédia trágica e pedante...
Um ato que inventas e encenas como protagonista...
Comédia tosca que orgulhosamente tu chamas de vida...
E tu fazes um esforço tão exagerado e tolo...
Tudo para parecer frio e distante... indiferente...
Um esforço que só me inspira pena...
Pena esta que te figura como vestígios de amor e simpatia...
Pois teu ego é grande e voraz... engole a ti mesmo...
Entendes, meu caro! De uma vez para sempre!
Se minhas palavras são tão doces e minha voz tão suave,
É somente por ser meu coração seco e gelado para contigo...
Mas tu não vês...
Afogado num mar de aplausos imaginários...
Tu...
Fique contigo e tua eterna e mascarada solidão...


[Por mim mesma, K., nov/2009]

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ser Poeta - Florbela Espanca

.
.
.


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!


É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!


É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!


E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

.
.
.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

sem criatividade para títulos...


Dizem que o melhor da festa é esperar por ela.
Este momento, talvez seja um dos únicos que ritualizo na minha vida.
Nada decidido, de comum acordo entre meu coração e minha consciência.
- Estranha essa separação né? Coração x Consciência. Ou ainda, Emoção x Razão.
Quão tolo o ser humano é acreditando nessa tolice.
Mas, não fosse essa tolice, talvez não houvesse arte, de qualquer tipo, no sentido emocional, passional da coisa. Se o ser humano se acreditasse puramente um mecanismo complexo, seria o fim da arte.-
Enfim, continuando...
Ritualizo a espera, sim. Sou vítima involuntária da ansiedade.
O ansioso vislumbra a festa em seus detalhes, cria mundos paralelos, diferenciados por pequenas borboletas pisadas e pisoteadas...
É impossível que as expectativas imaginadas não inundem a realidade no decorrer dos fatos... tanto para mais, quanto para menos...
Mas se pudesse escolher... ainda assim, permaneceria ansiosa...
Melhor! Quereria um conta-gotas de ansiedade para temperar meus batimentos cardíacos... minha fome de vida...
Mas não gostaria, a troco de nada nessa vida, de descolorir meus sonhos acordados...

[Por mim mesma, K.]

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Esperança... simples assim...


Assim como andança está para andar,
esperança está para esperar.
Mas entre aquele que espera e o esperançoso existem diferenças fundamentais,
são eles personagens distintos...
Ao contrário daquele que espera, o esperançoso aguarda por algo que está além da lógica cadente dos acontecimentos da vida. Ele espera no mistério, pelo próprio mistério.
O esperar que mora na esperança, é uma prática muito diversa de esperar...
é um esperar alegre, mudo e tenso...
com sorrisos e suspiros vindos do mundo dos sonhos...
vindos da nossa alma, alimentados e coloridos pelas esperanças que nos devoram...


[Por mim mesma, K.]







ps.:

Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e que se repete todos os dias, não é senão uma coisa muda. Somente o acaso tem voz. Tentamos interpretar o acaso como as ciganas lêem no fundo de uma xícara o desenho deixado pela borra de café. O acaso tem suas mágicas, a necessidade não. Pra que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se juntem desde o primeiro instante, como os passarinhos sobre os ombros de São Francisco. [KUNDERA, 1983]

quarta-feira, 24 de março de 2010

- René Magritte -

René François Ghislain Magritte 
(Lessines, 21 de Novembro de 1898 ― Bruxelas, 15 de Agosto de 1967)


ando meio assim...


O que você pensa sobre os downloads "ilegais" e a indústria fonográfica nos dias de hoje?

Olha, eu penso que é uma questão a ser enfrentada. Ainda existe uma certa confusão em torno do assunto, porque querem, a todo custo, nos empurrar a associação direta entre "downloads" e "pirataria". Por mais que, pensando mais detidamente, nós saibamos que não é a mesma coisa, tendemos a manifestar o mesmo sentimento em torno da idéia, porque é exatamente isso que a grande indústria quer.
A grosso modo, eu costumo comparar com o sistema de e-mail. Seria uma estupidez humana, se depois de todo conhecimento e desenvolvimento empregado no sistema de e-mail, os "grandões" do correio dissessem "Não! Mandar cartas por e-mail é ilegal, vocês têm que usar o sistema físico de correspondência". Deixando de lado as questões de direitos autorais, por hora, é exatamente a mesma coisa.
Eles querem colocar a pasta de dente de volta no tubo. É impossível! Sem contar que é simplesmente ridículo querer privar a humanidade desse recurso fantástico que é o download. Sem nenhum exagero, hoje todos podem ter acesso a tudo! Estamos amarrados por problemas sociais? Sim. Mas a premissa básica é a possibilidade de acesso à qualquer coisa. Seriados, músicas, filmes. Isso é fantástico!!!!
Outra coisa importante é a questão da indústria fonográfica. A indústria em si está falindo, e tem que falir mesmo. Não estamos pregando sustentabilidade? Proteção ao meio ambiente? Então, se a gente tem a possibilidade da mesma produção cultural, porém, sem toda a matéria prima utilizada e o lixo produzido, então meu deus! Que coisa maravilhosa!
É claro que que é uma grande mudança, como tantas outras que a sociedade tem que enfrentar, como tantos paradigmas que foram e que ainda estão por serem superados. É um processo de transição.
Quanto a questão "artística", todo mundo sabe que artista ganha dinheiro com N outras coisas, contratos, shows, etc. E se caso perderem alguma coisa da venda de discos, azar. Agora a humanidade inteira tem que se privar do acesso fácil a cultura, pra que os artistas continuem ganhando o mesmo dinheiro. Eles terão que se adaptar, ora pois!
O mundo muda, e tem que mudar mesmo!
Continuar dizendo que a terra é plana só pra vender os mapas já feitos, não dá né!!!!

Ask me anything

quinta-feira, 18 de março de 2010

Um conto sobre diferenças de gênero...

Era o terceiro encontro de Lídia e Vasco. Ambos já sabiam de todas as devidas informações um do outro, ou, pelo menos, daquelas que ambos preferiam mostrar um para o outro. Embora tivessem conversado sobre muitas coisas a tal altura, a atmosfera entre os dois ainda sustentava um desconforto incômodo, daqueles inerentes a falta de cumplicidade natural e imediata. Fato era que muito pouco haviam se tocado, uns beijos molhados daqui, uns agarrões dali. Mas ainda não tinham se entregado a volúpia sexual. Sentados numa mesa de bar, os dois sabiam que naquela noite poderia acontecer o ato carnal e pecaminoso. Afinal de contas, era o terceiro encontro, e assim, como decidido por uma assembléia pública, sabiam que já era-lhes permitido.
Lídia se entregava com mudo desespero ao vinho, seu fiel inibidor da inibição. Na medida em que os dois ficavam embriagados a conversa fluía em sorrisos e histórias de vida. “Um inevitável ritual de acasalamento”, pensava Lídia...
Vasco de sua parte não dava tamanha importância ao ato sexual, mas sabia que existiam certas prerrogativas, certa “burocracia”. Com isso se sentia feliz por finalmente chegar ao ápice da cena.
Nesse ponto da história é preciso revelar certa peculiaridade de Lídia. A moça tinha certa dificuldade (leia-se impossibilidade) de atingir o clímax sexual sob qualquer efeito de álcool. Dito isto, podemos inferir que Lídia já vislumbrava grandes pedacinhos da sua noite.
Depois de longa noite de fingimentos e atuações, a manhã chegou, e o álcool fora embora. O mesmo clima de desconforto pairava entre ambos, e um abismo os separava. Vasco, entretanto, estampava no rosto um ar de dever cumprido, melhor, de quem suplantara todas as expectativas. Sustentava um orgulhoso ar de garanhão.
Lídia, muito embora tentasse disfarçar com vários sorrisos pálidos e comentários aleatórios, tinha encostada sobre sua alma a sombra da decepção. A origem de qualquer dos seus sentimentos não estava em ter dormido com um total estranho, e agora percebia, que por cem encontros que tivesse com Vasco ele nunca passaria disso, um total e completo estranho. Sentia-se violada, mostrara seu corpo nu em pelo a um total estranho, todas as suas curvas foram reveladas. O mundo físico claramente não estava nem de longe em acordo com o mental. Lídia sentia-se como quem tivesse se vendido barato, afinal, nem um mísero orgasmo tivera, o que, se tivesse ocorrido, com certeza mudaria seu sentimento em relação a tudo aquilo. Tudo que sabia era que nunca mais queria sentir aquele sentimento novamente, um cruel sentimento de vazio interno.
Na despedida matinal, Lídia virou-se para Vasco, no carro, e apenas proferiu laconicamente essas palavras: “Adeus, não me ligue mais”.


fim.


[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 16 de março de 2010

Rembrandt...

Eu tenho gostado muito de ver quadros, conhecer pintores... nenhuma auto imposição intelectual nem nada, apenas um interesse que vem crescendo naturalmente. Ah! Como gosto desses interesses que crescem naturalmente dentro de mim...
Um recente que venho conhecendo é o Rembrandt... é um pintor clássico, mas de uma melancolia e pureza únicas...





The Music Party 
1626
Oil on wood
Rijksmuseum, Amsterdam

O que te inspira?

Acho que a grande e única causa de todos os efeitos é a prática de viver... de sentir... imaginar...

Ask me anything

é, pois é... né...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Qual seria o resumo de um livro intitulado "O amor segundo Karina Lopes"?

duas almas absurdamente atormentadas que encontram paz quando unidas pelo desejo e cumplicidade!

e viveram felizes para sempre.

fim.

Ask me anything

Você não acha que a quantidade absurda de eventos sinistro que, atualmente, ocorrem - de terremotos e enchentes à violência brutal e decadência humana - são sinais do Apocalipse?! o.O [/conspiracy]

apocalipse como conceito bíblico não, porque acreditar nisso implicaria dar fé ao tal livro...
acredito que o ser humano está sofrendo muitas das conseqüências de seus atos ao longo da história, em relação ao uso do planeta, mas também acredito que o planeta também tenha seus devidos ciclos geológicos e astronômicos...
além disso, temos o aspecto social da coisa, eu enxergo a sociedade como um organismo vivo e auto-regulador... a violência e a decadência seriam frutos desse processo de auto-regulação... (Já leu "O macaco nu"?)
eu posso entender o termo "apocalipse" num sentido mais metafórico, como um processo de transição e transformação...



"A civilização ocidental nem por um segundo vai oscilar à margem do abismo. E não haverá revelações de tempos remotos, nem meias-verdades e adivinhações apresentadas pelos velhos, nem promessas de respostas que de fato não existem e jamais existiram" (Lestat, The Vampire)

Ask me anything

sexta-feira, 5 de março de 2010

Hey baby... (sentimentalmente sentimental)


Ei!
O que fazes tu da tua vida que não estás cá no meu abraço?
Onde está teu bem amado agora, além de escrevendo essas palavras pálidas?
Psiu! Olha pra cá! Não vês o meu cansaço de tanto gritar?
Já estou rouca...
Mas isso é coisa pouca...
Comparado a tua cegueira crônica...
Vem pelo tato, pela audição, já que não me enxergas, mas vem...
E podes até tropeçar um pouco antes, que eu impeço a tua queda...
E te prometo, só te deixo cair no meu amor...


.
  .
    .
      .


[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

formspring.me

Qual é a essência do Homem: a guerra? o amor? a esperança? a curiosidade? a fé? o sexo? tudo? nada?

Eu não acredito muito em concepções arbitrárias, então penso que o homem em si, e em vários momentos distintos, é constituído de vários aspectos. Sua essência talvez seja justamente a diversidade que possui... eu vejo no ser humano a guerra, o amor, a esperança, a curiosidade, a fé, o sexo...
Então acho que a resposta é TUDO.

Ask me anything

Descansar - Canto dos Malditos na Terra do Nunca


Eu quero descansar no teu peito
O cansaço dessa vida
E o peso de ter que ser alguém
Eu já não sei o que faço meu bem
Nem o que farei...

Mas se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Eu posso ser um qualquer inimigo
Mas só quero que saiba meu bem...
Esteja sempre comigo...

Eu quero encontrar a minha paz
Que eu já não sei dos perigos
que essa vida me traz...
Só sei que a gente inventa amor,
e dor e tudo que nos satisfaz...

E se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Me nego à todo e qualquer castigo...
Mas só quero que saiba meu bem...
Te levo sempre comigo...
.
.
.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

...

Navegando no google, achei essa imagem. Não sei o que significa. Apenas achei muito bonita.





Ansiedade que não me deixa...

Eu até gosto de pensar coisas, sobre coisas, e tirar conclusões, construir achismos abundantes...

mas o foda é a química do meu organismo que eu não controlo...

uma batalha eterna entre meus  infinitos "eus" e minha química profana...



[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

formspring.me

Mais no sentido cultural, creio. Por ex.: ouvir Bach, eruditamente, mas curtir muito Pitty. Coisas assim, sabe? Falando nisso, ouve fado, ainda?

Então... eu não considero nada fora de um padrão simplesmente porque eu realmente não tenho um padrão, mesmo. Sofri algum tempo por isso, queria fazer parte de alguma espécie de fraternidade secreta de qualquer coisa que me desse identidade, hehe. Mas assim, eu ouço Bach, não é meu preferido, gosto mais de Beethoven e Dvorak, e ouço Ill Niño, sem o menor problema. Assim como gosto de MadreDeus...
Assim é muito difícil pra mim falar em padrão. Vitor Ramil x Disturbed. Yann Tiersen x Lacuna Coil. Assim com literatura, leio o Manual do Inquisidor e leio Caio Fernando Abreu. Fritjof Capra a Machado de Assis... Com cinema é a mesma coisa...
Eu tenho horror a engavetamentos, como costumo chamar. As pessoas tem esse hábito, quase reflexivo, de colocar cada coisa dentro de uma gaveta, isso pertence a isso, isso a isso e assim por diante. Pra mim as coisas são dividas em coisas que eu gosto e coisas que eu não gosto. Já foi o tempo em que eu tentava me construir de fora pra dentro...

Quanto ao fado, eu ouço MadreDeus, sou simpática ao fado em geral, mas meu conhecimento é aleatório e parco... mas sem dúvida é uma das músicas mais belas que a humanidade já gerou...

Ask me anything

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

I know - Fiona Apple


So be it, I'm your crowbar
If that's what I am so far
Until you get out of this mess
And I will pretend
That I don't know of your sins
Until you are ready to confess
But all the time, all the time
I'll know, I'll know


And you can use my skin
To bury secrets in
And I will settle you down
And at my own suggestion
I will ask no questions
While I do my thing in the background
But all the time, all the time
I'll know, I'll know


Baby, I can't help you out while she's still around
So for the time being, I'm being patient
And amidst this bitterness
If you'll just consider this
Even if it don't make sense all the time, give it time
And when the crowd becomes your burden
And you've early closed your curtains
I'll wait by the backstage door
While you try to find the lines to speak your mind
And pry it open, hoping for an encore
And if it gets too late for me to wait
For you to find you love me, and tell me so
It's ok, don't need to say it




formspring.me

Como você imagina que esteja sua vida em 2020?

Sinceramente não faço idéia, e também não tenho planos ou metas. Mas tenho me aberto para diferentes alternativas, como "universos paralelos". Tenho pensando muito sobre a possibilidade de ser uma solteirona feliz. Nesse universo, eu seria uma pessoa encaminhada profissionalmente, mas que continua estudando, coisas diversas. Então muito provavelmente já estaria cursando uma 2ª faculdade (Letras), teria uma casa simples (talvez a mesmo em que vivo hoje), mas com um extenso bar, uma ampla sala, sem sofá e com muitas almofadas pelo chão, para receber os amigos. Continuaria com minha vida social bem ativa, com muitos amigos e conhecidos, como é hoje. Indo à vários shows, lendo muitas coisas, vendo muitos filmes...
Mas posso muito bem ser uma mulher de família que cuida da casa e dos "filhos", que ama o marido, etc.
Não tenho convicções sobre essas coisas, ou decisões, até porque a vida faz piada delas...

Ask me anything

formspring.me

Você acredita em Deus?

Não. Não acredito que exista um ser consciente que determine os acontecimentos, ou mesmo que tenha criado o universo e a vida como os conhecemos. Também não acho interessante denominar quaisquer outras teorias sobre forças que regem o universo, ou alguma lógica cósmica como "Deus", acho errôneo e de mal gosto.

Ask me anything

Delicatessen - 1991





Entre outras coisas, olhei esse filme durante o feriadão de carnaval...




Em um futuro apocalíptico, homem chega a um estranho prédio, localizado em cima de um açougue, para procurar abrigo e emprego. Após instalar-se no local, se apaixona pela filha do dono do estabelecimento, mas sua presença começa a incomodar a família da moça - que, na verdade, possui outros e estranhos planos para ele. Primeiro sucesso de Jean-Pierre Jeunet, que anos mais tarde conquistaria o mundo com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.


Direção: Marc Caro, Jean-Pierre Jeunet
Roteiro: Gilles Adrien, Marc Caro, Jean-Pierre Jeunet
Origem: França



Em: http://www.cineplayers.com/filme.php?id=3234




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Dá o que pensar...

Se a excitação é um mecanismo que depende de um capricho de nosso Criador, o amor, ao contrário, é aquilo que só pertence a nós, e pelo qual escapamos do Criador. O amor é nossa liberdade. O amor está para além da necessidade, para além do “ES muss sein!” (Tem de ser assim!).
Mas nem isso é a verdade inteira. Mesmo que o amor seja algo diferente do mecanismo de relojoaria da sexualidade imaginado pelo Criador para seu divertimento, ele é, ainda assim, ligado a esse mecanismo, como uma doce mulher nua se balançando no pêndulo de um enorme relógio.
Tomas diz a si mesmo: associar o amor à sexualidade é uma das idéias mais bizarras do Criador.
Pensou ainda: a única maneira de salvar o amor da tolice da sexualidade seria acertar o relógio de maneira diferente em nossa cabeça, para que pudéssemos ficar excitados com a visão de uma andorinha. (KUNDERA, 1983, P. 238)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

.FÉ.

E eu digo que insistir na vida, sem "fé" nenhuma, é o maior ato de FÉ do ser humano...


[Por mim mesma, K.]

domingo, 7 de fevereiro de 2010

formspring.me

Suponhamos que você ganhasse uma máquina do tempo que permitisse a você uma única viagem para qualquer período da sua vida. Você voltaria para algum momento do passado ou iria para algum período específico do seu futuro? Mudaria algo? Justifique s

Mas eu poderia voltar pro presente depois? Se sim, eu gostaria de ir dar uma espiadinha no meu futuro, tipo lá pelos meus 35 ou 40 anos. Quanto ao passado, existem vários momentos ao longo da vida da gente que são muito importantes no sentido de desenhar os nossos caminhos... a escolha da carreira, a mudança de escola, de cidade, um emprego ou outro... Então eu percebo que muitas das minhas escolhas, se tivessem sido diferentes teriam mudado totalmente a minha vida, e eu, sinceramente, não sei se iria querer uma vida totalmente diferente da que tenho hoje. Considerando também o fato de que pequenas mudanças podem gerar grandes consequências, a teoria do caos. Por isso, acho que também poderia dar uma espiadinha no passado, na minha infância mais especificamente, mas não mudaria nada, a princípio...

Ask me anything

formspring.me

Qual é a sua citação de filme favorita?

Olha, eu poderia escrever páginas e páginas de citações, até porque amo cinema, mas aqui vão algumas que me marcaram muito de uma forma ou de outra...

"Os anuncios nos fazem comprar carros e roupas, trabalhar em empregos que odiamos para comprar as porcarias que nao precisamos. Somos uma geração sem peso na história, cara. Sem propósito ou lugar. Nós não temos uma Grande Guerra. Nem uma Grande Depressão. Nossa Grande Guerra é a guerra espiritual... nossa Grande Depressão é nossas vidas. Todos nós fomos criados vendo televisão para acreditar que um dia seríamos milionários, e deuses do cinema, e estrelas do rock. Mas nós não somos. Aos poucos vamos tomando consciência disso. E estamos muito, muito revoltados." (Clube da luta, 1999)

"Escolha uma vida. Escolha um emprego.Escolha uma carreira, uma família. Escolha uma televisão grande, máquina de lavar, carros, CD player, abridor de lata elétrico.Escolha saúde, colesterol baixo, seguro dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa. Ter amigos. Escolha roupas e acessórios. Escolha um terno do melhor tecido. Se masturbar domingo de manhã pensando na vida. Sentar no sofá e ficar vendo televisão. Comer um monte de porcarias. Escolha uma família e se envergonhar dos filhos egoístas, que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha um futuro. Escolha uma vida. Por que eu iria querer isto?" (Trainspotting, 1996)

"Envergonhado, o Diabo parou e sentiu que a bondade era terrível." (The Crow, 1994)


E não podia deixar de citar o Último Discurso do Carlitos....

"- Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
- Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!." (O grande ditador, 1940)

Ask me anything

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

formspring.me

Que música você está escutando hoje?

Quase que obsessivamente - She brings me love do Bad Company...
mas também guardei espaço pra Kansas e Asia...

Ask me anything

formspring.me

Você acredita em sincronicidade? Ou acha que tudo no mundo é por acaso?

Eu acredito sim. Ou, melhor, prefiro acreditar. Não gosto da idéia de que as coisas não estão em sintonia. Sem contar que a verdadeira beleza da vida, pra mim, são esses pequenos detalhes que ligam nós e nossas experiências numa teia infinita de possibilidades...
é, parece utopia, eu sei... mas, como disse, prefiro acreditar...

Ask me anything

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Bastardos Inglórios, 2009




Acabei de ver esse filme, e achei simplesmente fantástico. Certo que já sou fã do Quentin há algum tempo. Li a sinopse do filme, e não conseguia imaginar o Tarantino fazendo um filme de época, ainda mais dessa época. Mas ele mais uma vez fez um trabalho incrível. Ele simplesmente criou um universo paralelo, onde a história foi bem diferente daquela que aprendemos nos livros escolares. Filme mais que indicado, obrigatório!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Apologize - OneRepublic

Musicalmente musical...

conheci essa banda há pouco tempo...

essa música é linda...



I'm holding on your rope
Got me 10 feet off the ground
I'm hearin' what you say but i just can't make a sound
You tell me that you need me then you go and cut me down
But wait
You tell me that you're sorry
Didn't think i'd turn around and say:(that)


It's too late to apologize
It's too late
I said it's too late to apologize
It's too late


I'd take another chance, take a fall, take a shot for you
I need you like a heart needs a beat,but it's nothing new
Yeah
I loved you with a fire red now it's turning blue
And you say
"Sorry" like the angel
heaven let me think was you
But i'm afraid


It's too late to apologize
It's too late
I said it's too late to apologize
It's too late


It's too late to apologize
It's too late
I said it's too late to apologize
It's too late
It's too late to apologize
It's too late
I said it's too late to apologize
It's too late


I'm holding on your rope
Got me 10 feet off... the ground



link no youtube....

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Munuments & Melodies - Incubus

Mais um bela canção...
grifei algumas frases marcantes...
façam um favor a si mesmos e ouçam-na...


My hands are trembling
And my eyes are on fire
And this house is crumbling
And I've been left out all the while

You make me happy
You magnify my better half
You make me certain
Though all I have today is your photograph

My past is perilous
Each scar I wear sings
Monuments to where I have been
And melodies to where I am going

You make me happy
You magnify my better half
You make me certain
Though all I have today is your photograph

When will I see you again?
Still-life can only go so far
I need you in front of me
To say my name
Say it to me, say it to me
Say it to me, I want you the way you are
The way you are

You make me happy
You magnify my better half
You make me certain
Though all I have today is your photograph

You make me happy
You make me happy
You make me happy



No vaco...

A gente sabe que é difícil... a gente sabe que não é só a noite e diversão...


mas há algo de irresistivelmente sedutor em nossas vidas... mesmo que não sejamos ninguém além de nós mesmos... mesmo que não sejamos ninguém para esse mundo sem eira nem beira...

e as convicções avulsas e rasas já não nos satisfazem mais... uma competição de egos e gracinhas... sorrisos aguados... olhares vazios...

é tudo mais nítido, ou mais perturbado?
tudo que sabemos é que queremos viver, sentir os vários aromas, sentir as diversas colorações da vida, colecionar as cicatrizes invisíveis... esmiuçar a vida em cada gota... em cada sentimento... e perceber que isso é tudo que todos levarão desse lugar estranho...


[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Aos homens, com carinho...

Conversava eu, certa vez, com um rapaz, com pretensões de par. Só que entre nós figurava um enorme pênis, imenso pênis, um pênis surreal. Sempre que ele me falava algo, falava para o pênis, e sempre que eu tentava lhe dizer algo, também falava para o pênis.
Alguns encontros mais e já estava insustentavelmente difícil o diálogo, simplesmente porque eu não o ouvia, nem ele a mim. Mais difícil pra mim, é verdade, afinal o pênis tinha seu dono, que não eu, asseguro. O constante, crescente e insistente obstáculo impossibilitava a vista, e eu fui esquecendo das feições do tal rapaz. Já nem lembrava se era loiro, ou moreno, inteligente, ou burro.
Já era tarde sabemos, o dito rapaz só tinha olhos para o seu pênis, apaixonara-se perdidamente. Triste, mas verídico, e corrente.
Num destes já desacreditados encontros, dei adeus ao pênis, digo, ao rapaz... ou o que quer que fosse que estivesse à minha vista. Dei adeus e me fui embora.
Não sei que aconteceu depois, mas para findar com os olhos roubados de qualquer otimista, digo que o moço e seu pênis viveram felizes e sós para sempre...


[Por mim mesma, K.]

sábado, 9 de janeiro de 2010

Fases...

Claro que isso sempre acontece com todo mundo sempre, mas tem um momento em que se caracteriza quase como um fenômeno em especial. Tem uma época na vida da gente, acho que na de todo mundo, em que bate um saudosismo dos antanhos. Da época em que a gente era mais ingênuo, mais magro, mais vivaz, mais ativo, mais bonito e mais algumas coisas, ou menos outras. Claro que a soma da idade sempre vem acrescentar muito em nossas vidas, mas em alguns momentos a gente sente aquela saudade e se perde nas lembranças...
Momentos em que repetimos em memória muitos passos, em que nos perguntamos como seria se tivéssemos feito tal coisa, ou tal coisa, em vez disto ou daquilo...


enfim...


[Por mim mesma, K.]

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Colheita feliz!

Quer jogar? Joga!

Mas eu não quero saber, PORRA!


[Por mim mesma, K.]

Coragem

 Não é se gabar pros amigos daquele porre homérico...

É passar na roleta do ônibus, às 9 da manhã, bêbado, com aquela cara de poucos amigos e depois enfrentar os vizinhos voltando da missa de domingo...

puta merda...



[Por mim mesma, K.]

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Os degraus - Mario Quintana



Não desças os degraus do sonho

Para não despertar os monstros.

Não subas aos sótãos - onde

Os deuses, por trás das suas máscaras,

Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica.

O mistério está é na tua vida!

E é um sonho louco este nosso mundo...







Ps.: As palavras do Quintana vêm muito a calhar nesse momento...


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

mais algumas reticências...

E tu me perguntas o que há comigo

E eu te respondo que não sei

E justamente o não sei é o que há comigo

Uma evasiva eterna de mim mesmo

Pensando se existe esse tal de “mim mesmo”

O que isso quer dizer afinal?

Mim mesmo... Mim mesmo... ???

Não consigo me comprometer com nenhum dos de mim

Quiçá com outras pessoas ou coisas...

Um dia ainda acho esse tal de “mim mesmo”

e tenho uma conversa séria com ele.



[Por mim mesma, K.]

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

.O caso do sem alma.

E ele falava sempre assim, como se seu coração fosse de pedra. Ou seria porque, de tão mole e fraco, ele não existisse? O certo é que seu peito era diáfano, não porque fosse algum tipo de ser etéreo, mas antes por não significar nada para si mesmo, ou para qualquer um. Seguia pelas ruas cor de cinza com ares de asfixiado, macilento até pelo avesso, e principalmente pelo avesso, denunciando sua morte estranha e pálida, esquálida. E levava um bom tempo no vão esforço de se fazer ver aos outros, que na maioria das vezes invadiam suas veias sem perceber qualquer coisa que fosse. Nem uma brisa, nem um tamborilar baixinho no fundo da cena, nem uma matiz desvanecida, simplesmente nada, complicadamente nada.

Uma lenda dizia que quando de sua extrema ânsia por um bocado de vida e de mundo, quando de sua extrema raiva e fervor por um terreno de céu... bem, a lenda dizia, e ainda diz, que quando do profundo estado se (des)ânimo desse pobre diabo sem alma, a gente ouve um chiado abafado, que mais parece um nada sufocado pela multidão...


...


[Por mim mesma, K.]

sábado, 24 de outubro de 2009

Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me. The smiths.

Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope, no harm
Just another false alarm

Last night I felt
Warm arms around me
No hope, no harm
Just another false alarm

So, tell me how long
Before the last one?
And tell me how long
Before the right one?

The story is old - I know
But it goes on
The story is old - I know
But it goes on




ps.: Essa história é velha, eu sei... mas ela continua... mas ela continua...


para escutar...






sábado, 10 de outubro de 2009

Trocando em miúdos. Chico Buarque

Estou postando essa música porque achei realmente muito bonita, apesar de triste, acredito que muitos viveram experiência semelhante e por isso se identifiquem. Todavia ser do Chico, aconselho ouví-la na deliciosa voz de Maria Creuza, uma das melhores intérpretes do Brasil, na minha humilde opinião, a melhor!





...



Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter

Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado

Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu

Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde.




quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ninguém é de ninguém

Esses tempos vi uma mulher no trem que lia um livro intitulado “Ninguém é de ninguém”, nem vi o autor, mas fiquei refletindo sobre o que realmente poderia querer dizer essa sentença.

Ninguém é de ninguém, fato. Cada um é livre e essencialmente independente, nem todos sabem disso, é verdade. Mas o que significa isso num relacionamento tradicional entre duas pessoas? Significa que ambas têm seus gostos, suas vidas, seus pensamentos, suas tristezas e alegrias, seus momentos, suas vivências, experiências. Ambas têm tudo aquilo que podem levar consigo pra onde forem, quando forem, com quem forem. Sinto que muitos confundem lé com crê. O mundo tá muito pirado, demais pro meu gosto. Existe um frenesi animalesco de querer vingar todos os anos de “repressão” moral/sexual/intelectual que me assusta.Eu tenho atolado meus pés nessa merda nos últimos tempos, num ceticismo sobre mim mesma. Durante algum tempo tentei fingir ausência de sentimentos, fingir uma indiferença falsa, e hoje ainda carrego isso comigo, mas estou tentando ser mais fiel aos meus sentimentos e idéias. Idéias mudam! E que bom que mudam, do contrário eu ainda andaria com uma camiseta do Sex Pistols pregando o anarquismo. Idéias vêm de algum lugar trazendo muitas bagagens. Que bom! Sim, eu sou influenciada por muitas coisas e pessoas, quem não é? Eu sou um conjunto de um monte de coisas, de um monte de gente. Que ótimo!
Estamos numa curva ascendente de superficialismo, de banalidades, futilidades, achando que isso é progresso, que isso é liberdade. Constantemente presos numa corrente de nada! De nada!



[Por mim mesma, K.]


...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Teologia/1 - Eduardo Galeano

O catecismo me ensinou, na infância, a fazer o bem por interesse e não fazer o mal por medo. Deus me oferecia castigos e recompensas, me ameaçava com o inferno e me prometia o céu; e eu temia e acreditava.
Passaram-se os anos. Eu já não temo nem creio. E, em todo caso – penso – se mereço ser assado cozido no caldeirão do inferno, condenado ao fogo lento e eterno, que assim seja. Assim me salvarei do purgatório, que está cheio de horríveis turistas da classe média; e no final das contas, se fará justiça.
Sinceramente: merecer, mereço. Nunca matei ninguém, é verdade, mas por falta de coragem ou de tempo, e não por falta de querer. Não vou à missa aos domingos, nem nos dias de guarda. Cobicei quase todas as mulheres de meus próximos, exceto as feias, e assim violei, pelo menos em intenção, a propriedade privada que Deus pessoalmente sacramentou nas tábuas de Moisés: Não cobiçarás a mulher de teu próximo nem seu touro, nem seu asno... E como se fosse pouco, com premeditação e deslealdade cometi o ato do amor sem o nobre propósito de reproduzir a mão-de-obra. Sei muito bem que o pecado carnal não é bem visto no céu; mas desconfio que Deus condena o que ignora.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

E se...

E se eu te jurasse minha vida inteira. Em três dimensões, em todas elas, de todos os ângulos, sob todas as perspectivas. Não! Melhor. Se te jurasse pedaços da minha vida, só os melhores pedaços, aqueles com recheio doce, deliciosos pedaços. E aí, topas?
- Eu não.





[Por mim mesma, K.]

terça-feira, 28 de julho de 2009

Lugar comum...

Era um domingo daqueles em que você acorda subitamente iluminado sobre o “profundo e verdadeiro significado da vida”. Só quer saber das coisas superiores. Se irrita com as ninharias do cotidiano turbulento. Pensa até em deletar o seu Orkut, esquecer o e-mail, afastar a si próprio de todo e qualquer aparelho eletrônico, artificial, símbolo de toda decadência espiritual do ser humano. Degradante. Tá! O mp3 não. Mas nada de Seether, Puddle of mudd ou Black Sabbath louvando ao capeta! Coisas alegres e plásticas demais também não servem para esse dia. Você quer é escutar Maria Creuza, mergulhado para sempre num estado de contemplação, descobrindo todos os sentidos de todas as letras fantásticas e perfeitas do poetinha vagabundo. Você quer saber das palavras grandes, tudo, todas, todos, mundo, universo, sentido. Num frenesi literário quer ler todos os livros, todos os autores, conhecer todos os títulos e falar com propriedade de todos os assuntos. Nesse momento, sua mente arde em chamas, você olha a tudo e a todos com olhos de profeta, cumprindo um roteiro messiânico, você é o escolhido. Fica aliviado, extasiado, excitado, tranquilamente ansioso. Passeia pelas ruas com ares de sabedoria, com vistas poéticas. Percebe tudo de outra maneira, uma maneira perturbadoramente deliciosa. A noite cai, como você ainda não virou imortal, nem rico, vai pra casa. Se aquieta sob suas cobertas, vai lendo o segundo título da maratona literária do dia, pode ser qualquer um, todos querem dizer alguma coisa entre o mágico e transcendente. Vai adormecendo, com aquela leve sensação de mudança de rumo. Feliz, quase pleno... vai adormecendo... DESPERTADOR... som agudo, frenético, frêmitos debaixo do travesseiro... Acorda. Meio tonto se dá conta do que está acontecendo. Merda! Segunda. Mau humor matinal, natural. Atraso. Remelas, pasta de dente, escova de dente, escova de cabelo, roupa, sapato, pressa. Café mau passado, mal tomado. Ônibus, sacolejos, sorrisos afetados, cumprimentos tacitamente impostos. E naquele circunlóquio forçado do trabalho nas manhãs de segunda alguém lhe pergunta “e você, o que fez ontem?”, você silencia por alguns instantes... “nada demais, nada demais não”.
...
...
...


[Por mim mesma, K.]